CAVALOS ENTUSIASMADOS

Textos, fotos e filosofanças de Claudia e amigos sobre o mundo dos cavalos, e os mundos aos quais o cavalo nos leva.

22 22UTC dez 22UTC PM

FELIZ NATAL, FELIZ 2012!!

Caros amigos,

Um dos muitos privilégios de pertencer ao “mundo do cavalo” é que nossos parceiros e colegas de trabalho acabam se tornando nossos amigos. Todos pelo cavalo, a paixão da vida de tantos nós que acabou nos unindo em trabalho e lazer – mais uma vez ao longo de todo este ano de 2011.

Então, esta mensagem de fim-de-ano vai para lhes desejar Boas Festas, muitas felicidades, e que seus projetos para 2012 sejam coroados de sucesso.

Contem sempre comigo – aqueles com quem convivi bastante ao longo do ano, e também aqueles com quem o contato foi mais virtual do que real. Vocês estão sempre em meu coração e contribuem para fazer minha vida mais feliz.

Beijos e abraços,

Claudia

criado por leschonski    12:56 — Arquivado em: Sem categoria

31 31UTC out 31UTC PM

Tema recorrente…

Paulo é um bom amigo com o qual converso, por e-mail e às vezes ao vivo, sobre cavalos. Ele juntou estas frases minhas, que me preocupam um pouco… será que estou ficando repetitiva? Mas por outro lado, o “efeito conjunto” não deixa de ser interessante. Deixo para vocês, como o breve post da semana. Talvez consigam aproveitar alguma ideia. J


Abraços, bom novembro,

Claudia

………………………………………………………………………………………………..



(…) Desmerecer os cavalos, que dão o máximo de si, é no mínimo deselegante. Mas desde sempre aprendi que quem responsabiliza o cavalo pelo insucesso é ou leigo, ou iniciante, ou…

(…) O que acontece com seu cavalo é que ele não entendeu o que querem dele, em outras palavras, ele tem medo de morrer,

(…) Nossa muito amada Venus, classificada em salto, CCE, enduro, hipismo rural e equitação de trabalho, este ano com 11 anos estava no auge da forma e tirou um baby year. O Ricardo (proprietário) e eu achamos que o melhor presente que poderíamos lhe dar pela generosidade, pela coragem, pela disposição era deixá-la sentir a alegria de ser mãe.

(…) E não sei se o mundo vai acabar, mas sei que os cavalos PODEM revelar o que há de melhor em nós

(…) E mais gentil para o próprio cavalo, já que a qualidade de
vida dele não é mais um acúmulo de frustrações.

(…) o cavalo mesmo montado continuar sendo um indivíduo, dentro das características de timidez, desafio, sanguíneo ou calmo, etc, sem ser “massacrado” por um padrão unificado de trabalho. (…) os animais obedecendo com precisão militar, porém tremendo , tensos, olhos arregalados de pavor.

(…) Lembremos que os cavalos são extremamente sutis na manifestação da dor, até as raias do suportável. Por isso é que os cavaleiros precisam cultivar a sensibilidade…

Com Aymoré Itapuã (prop. Haras Crystal)  na Regional Oeste da Abhir, 22.10.11. Pensem num cavalo entusiasmado...

Com Aymoré Itapuã (prop. Haras Crystal) na Regional Oeste da Abhir, 22.10.11. Pensem num cavalo entusiasmado...

criado por leschonski    18:05 — Arquivado em: Sem categoria

14 14UTC out 14UTC PM

ÉGUAS, CAVALOS, HUMANOS… E TAMBÉM TRANSFERÊNCIA DE EMBRIÕES

 

Numa época em que muito se fala da e muito se faz transferência de embriões em éguas, temo que a minha opinião seja um pouco diferente do mainstream.  Em princípio, sou contra a transferência de embriões indiscriminada, salvo casos óbvios como preservação de genética REALMENTE excepcional, de éguas de nível internacional.  Tenho dó das receptoras, que são maltratadas e subalimentadas em muitos, muitos lugares. Tenho dó das doadoras, que:

a) morrem sem saber que são mães

b) são exploradas até o último óvulo, muitas vezes com sofrimento físico, muito além de sua vida biológica natural

c) nunca têm intervalo em suas carreiras desportivas

d) são submetidas a processos dolorosos, estressantes e repetitivos (quanto mais embriões melhor) de tratamento hormonal e coleta de embriões.

 

Por que não tenho a mesma pena dos garanhões? Na verdade tenho - afinal, eles aprendem a transferir sua libido para uma espécie de sofá!!! (manequins), e passam as vidas longe da manada que anseiam por proteger, e por isso muitas vezes ficam maluquinhos. Até por isso sou 95% a favor de se castrar machos que não serão reprodutores ativos. Mas, na natureza a “experiência da paternidade” é uma coisa, a “experiência da maternidade” é outra. Acho que o processo de reprodução artificial /TE é muitíssimo mais violador da natureza das éguas do que dos machos.

 

Perguntem a outros veterinários quantas éguas que eles conhecem que têm ódio dos procedimentos de coleta, e que dão um jeito de não ovular. Lembrem-se que éguas têm um controle quase consciente sobre a própria vida reprodutiva (ex. retardar partos quando não se sentem seguras). Parece que chegamos a um ponto em que,  quanto maior a qualidade da égua, maior o risco dela ter uma vida estressante…

 

Éguas Campolinas com seus potros. Fazenda Cabo Velho, MG

Éguas Campolinas com seus potros. Fazenda Cabo Velho, MG

E aí…. ficamos com um monte de potros geneticamente de primeira submetidos à nossa mão-de-obra e condições de manejo deficientes. A grande maioria destes potros nunca chega a realizar seu potencial genético; se não fosse assim, não haveria importação de tantos cavalos europeus e americanos. Criar cavalos não é multiplicá-los indiscriminadamente. 

 

Neste ano de 2011, veio palestrar num dia de campo da Genetic Jump o Sebastian Rohde, jovem de 32 anos, previamente diretor de leilões e comercialização da Ass. do Holstein na Alemanha, que já foi líder e continua nas cabeças das estatísticas mundiais de cavalos de salto. Várias vezes ao longo do dia, ele falou para a platéia: “Nossas éguas de ponta NÃO VÃO para o esporte. Elas ficam na reprodução.” Sendo que as éguas são domadas, testadas em provas quanto a temperamento e aptidão esportiva, mas depois não seguem carreira no esporte de elite, sendo reservadas para a reprodução, utilizando a “própria barriga”. Mesmo porque a experiência dos grandes criadores mundo agora ensina que a força de qualquer raça são as matrilíneas.

 

Em qualquer raça de cavalos, o número mais importante é a relação entre éguas na reprodução e potros registrados na temporada. Quando há demanda de mercado, o número de potros fica perto do máximo. Quando a raça está em baixa, muitas éguas ficam ociosas. Historicamente por exemplo, as boas éguas árabes nem são domadas – ficam na cria, que é seu destino mais nobre e mais valorizado. Até há pouco, isto acontecia com o lusitano, a “bola da vez” no Brasil. De repente, haras com quarenta éguas registram dez potros por ano. Mais e mais éguas são domadas e vendidas como cavalos de sela. E enquanto isso, a turma continua fazendo embriõezinhos…

 

Claro, isto num país em que o manejo de equinos é tão ruim que os animais passam fome no inverno, e as éguas em fim de prenhez e lactação são obrigadas a arrancar grama seca pela raiz – coisa que os bovinos não conseguem fazer (já que não têm incisivos superiores). Manejo das pobres pastagens não existe, e as invasoras tomam conta. E aí a culpa da ignorância humana mais uma vez é posta nas éguas, quando dizem que elas matam o pasto, que elas comem o dobro de um cavalo… e talvez comam mesmo, considerando que dão 20 litros de leite por dia no pico de lactação. Esta é a produção leiteira também as receptoras que ficam, com “seus” potros, num pasto qualquer, já que a genética já está lá no potro, não é mesmo? E aí o potro, que é programado para ter 1,50 na cernelha e 450 kg aos 12 meses de idade, tem fratura e sobreosso quando vai competir nas provas de cavalo novos, lá para frente, já que a nutrição de primeira infância dele foi, digamos, sofrível. E a culpa é dos veterinários, ferradores e treinadores…

 

 

Como vocês percebem, sou contra a criação de cavalos em quantidade. Prefiro qualidade: dois potros por ano, por exemplo, dando a eles o MÁXIMO de atenção individual. Afinal, hoje em dia as pessoas esclarecidas já não têm doze filhos, não é mesmo? Sempre lembrando que na Europa a média de éguas por criador de cavalos de elite é de 1,4 cabeças por criatório.  

 

Nossa muito amada Venus, classificada em salto, CCE, enduro, hipismo rural e equitação de trabalho, este ano com 11 anos e no auge da forma, está no meio de uma “pausa para bebê”. O proprietário Ricardo e eu achamos que o melhor presente que poderíamos lhe dar pela generosidade, pela coragem, pela amizade que sempre nos conferiu era deixá-la sentir a alegria de ser mãe. Acredito que ela gostará da experiência, por conta da atenção que ela sempre dispensou a potros e bezerros alheios.  Venus está de seis meses e redonda. Eu estou com um cavalo a menos pra montar, pois é. Mas o potrinho promete. Ainda mais porque a educação da primeira infância ele receberá da própria mãe, uma das éguas mais criativas e inteligentes (às vezes até demais) que tive a honra de conhecer.

 

O que me leva direto ao tema das éguas montadas no esporte. Minhas observações pessoais:

§       os machos das espécies têm maior massa muscular, menos concentração de gordura e maior concentração de hemoglobina no sangue. Tendem a ser mais fortes, mais resistentes e mais velozes. Não há como negar isto – e basta olhar as estatísticas das corridas de cavalos para ver quão rara é uma potranca que se sobressai nos páreos mistos.

§       qual  o papel de um garanhão na natureza? Ele é um separador – protege a manada dos perigos, afasta os rivais, arrebanha suas éguas. Mesmo um cavalo castrado continua tendo um cérebro masculino.

§       qual o o papel da égua na natureza? Ela é uma cuidadora, e como tal, uma agrupadora. Zela pelo potrinho, agrega a manada, e os laços das linhas baixas (mães, filhas, netas andando em bando) são bem documentados, inclusive nos haras.

 

O que quero dizer é que para a égua é muito mais natural jogar em equipe. As éguas têm um instinto de cuidar de seu cavaleiro, o que as leva a serem protetoras, a irem além de si mesmas…  porém, desde que elas QUEIRAM fazê-lo – pois é claro, são femininas, com um grande elemento subjetivo em sua alma. Eu acho que uma égua pode gostar de  jogar por seu cavaleiro – se o cavaleiro tiver sabido conquistá-la, e nisto até podendo superar uma eventual limitação física em relação aos machos.

 

Já o cavalo macho, inteiro ou não, joga por si mesmo, porque é o trabalho e tem que ser feito, numa mentalidade bem objetiva, mesmo que ele não tenha sentimento algum por seu cavaleiro. Se estas minhas ideias tiverem alguma verdade… talvez signifiquem que preferir éguas é uma coisa mais subjetiva e pessoal, de relacionamento conquistado entre os dois indivíduos, enquanto a preferência pelos machos seja mais genérica, de um relacionamento mais profissional.

 

Dois grandes amigos e bons cavaleiros, em épocas distintas (Hamilton Gaida e Aluísio Marins) me disseram coisas do tipo “prefiro éguas porque…. não sei explicar, mas prefiro éguas”. Acho que era a algo deste tipo que eles estavam se referindo.

 

Ficou um post longo né… mas enfim, as ideias estão aí para quem quiser comentar.

 

Abraços,


Claudia

 

 

criado por leschonski    19:00 — Arquivado em: Sem categoria

05 05UTC set 05UTC PM

Duas perguntinhas da FN

Ainda na categoria frases curtas e lapidares:

 

Qualquer tipo de treinamento será avaliado não apenas pelo fato do cavalo montado mostrar um movimento aperfeiçoado, porém também por estar preservado seu comportamento individual natural.

 

(Do volume 1 das “Diretrizes para Equitação” da

Federação Equestre Alemã).

 

Como o Brasil é vasto e o fraseado alemão às vezes é meio enrolado, vamos transcrever em duas perguntas:

 

1.    Quando montado, seu cavalo se movimenta MELHOR, mais solto, amplo e livre do que quando desmontado?

2.    A personalidade do seu cavalo transparece quando montado e também no manejo diário? Ele “se expressa” ou já não sabe, ou não quer, fazê-lo?

 

Se alguma resposta for “não”, o treinamento (= a qualidade do cavaleiro) precisa melhorar…

 

E outras derivativas:

 

a)    seu cavalo tem como mostrar “movimento desmontado” – no piquete, no pasto, livre em geral?

b)    Entre parceiros, um não pode ter medo do outro… e medo gera violência. A origem é a ignorância.

 

Pensem a respeito…

 

Abraços,

 

Claudia

 

Zac e eu na chegada do cross em Pirassununga, dia 21.08.11

Zac e eu na chegada do cross em Pirassununga, dia 21.08.11

 

 

criado por leschonski    13:17 — Arquivado em: Sem categoria

12 12UTC jul 12UTC PM

ESTRELAS E RELAMPAGOS

 

 Aquele dia começou como qualquer outro. Escrevi um pouco, montei um cavalo, montei outro cavalo, e me alegrei com a força deles, com as asas que me conferem, com a disposição e entusiasmo que comigo compartilham.

 

Mas ao longo do dia, recebi duas notícias. A primeira veio, de início, por mensagem no celular: “Relâmpago do Retiro morre num acidente de trânsito na Alemanha”. Fiquei aturdida – como assim, Relâmpago? Acidente de trânsito? Um garanhão lusitano maravilhoso, que tive a honra de ver em ação na Olimpíada de 2008, com certeza um dos mais privilegiados e cuidados cavalos vivos no mundo hoje, cercado de sua equipe globalizada e multidisciplinar – residindo na Alemanha, amazona australiana, proprietário brasileiro. Se havia um cavalo no mundo destinado a ter uma vida longa e feliz, encerrada por honrosa aposentadoria lá pelos 30 e tantos anos (face a notória longevidade da raça Lusitana), este era Relâmpago.

 

Ney Messi

Relâmpago do Retiro e Hayley Beresford. FOTO: Ney Messi

Pouco a pouco, fuçando na net, fui sabendo mais detalhes sobre o acidente (reproduzidos e resumidos em box abaixo).

 

E no fim do dia, uma amiga chamou minha atenção para uma notícia da internet, a de um carroceiro que havia perdido a sua égua de trabalho, atropelada numa rodovia paulista. Dos depoimentos, ficou claro que a égua não era apenas a ferramenta de trabalho para a família, que vive de coleta e reciclagem de materiais, mas também um animal de estimação, especialmente das meninas jovens. A foto do rapaz abraçado à égua agonizante circulou intensamente pelo cyberespaço.

 

Vejam como estas histórias poderiam ser escritas – assim?

 

Numa fatalidade, morre na Alemanha Relâmpago do Retiro, montaria olímpica de Hayley e propriedade do Haras Villa do Retiro. O valor do garanhão Lusitano foi recentemente avaliado em dois milhões de Euros.

 

e….

 

Uma carroça foi atingida por um carro na região de Serrana. O condutor sofreu ferimentos, a carroça ficou destruída, e a égua que a puxava teve que ser sacrificada. O  animal, usado pelo proprietário para buscar lavagem, havia sido comprado por mil e trezentos reais.

 

Ou assim?

 

 

Numa mesma semana, dois cavalos brasileiros sofreram acidentes de trânsito, tendo que ser eutanasiados em razão da gravidade de seus ferimentos. Esta avaliação foi feita por veterinários chamados ao local dos acidentes. Eram os cavalos mais valiosos de seus respectivos proprietários e sua perda foi muitíssimo sentida. Tanto o garanhão Relâmpago quanto a égua Estrela são considerados muito difíceis de substituir.

 

 

Sim, um novo cavalo de carroça é mais fácil de encontrar e de treinar do que um cavalo olímpico (e esta, acima de tudo, é a justificativa dos valores monetários tão distintos). Mas o sentimento das pessoas, e o sofrimento dos animais (e me desculpem o bordão)… este, não tem preço. Mesmo porque os cavalos não sabem o que é dinheiro, nem sabem quanto valem no mundo dos homens. Sabem apenas se têm fome e sede, que se esforçam ao máximo para realizar o que deles é esperado. Todos os cavalos sabem distinguir as pessoas que gostam deles das demais, aprendem a desenvolver medo, confiança, sensação de segurança, raiva, amizade ou indiferença.

 

Em vez de focar nas diferenças entre estas criaturas que morreram vítimas, de um jeito ou de outro, da imprudência humana, sugiro que reflitamos sobre suas semelhanças. O companheirismo entre eles e seus humanos. As lágrimas da família  de Serrana e a declaração da amazona olímpica de que este tem sido o pior mês da vida dela – já que há poucas semanas, ela voltou a se tratar de um câncer do qual sofria há anos atrás. A sensação de vazio quando um cavalo que povoava nossa imaginação e simbolizava nossos sonhos desaparece sem deixar vestígio. Como se sentirá a jovem motorista do trailer, e os outros dois motoristas, que num segundo de distração (que poderia acontecer com qualquer um de nós, e certamente já aconteceu comigo) causaram os acidentes. Como às vezes parece que o ser humano se beneficiaria de um pouco mais de humildade.

 

Hayley e Relâmpago nos Jogos Olmpicos de Hong Kong / Pequim, 2008

Hayley e Relâmpago nos Jogos Olímpicos de Hong Kong / Pequim, 2008

Por mais que se queira, não é fácil identificar “culpados” únicos e individuais em cada acidente. Na Alemanha, a amazona isentou de responsabilidade a motorista do trailer, face à experiência da mesma neste trabalho. Ao que consta, numa saída de curva um outro carro, vindo na direção contrária, invadiu a pista oposta, causando o descontrole do trailer. A respeito da égua Estrela, podemos responsabilizar tanto o motorista do carro quanto o carroceiro, que conduzia o veículo mal sinalizado ao entardecer às margens da rodovia.

 

Mas não importa – mais importante para todos é, exercitar tolerância, paciência e prudência. A vida de pessoas e animais é curta e frágil, e caminhar pelo mundo respeitosamente é mais importante do que bater na tecla do “estou no meu direito”. Uma vida perdida não tem volta. Uma campanha pela generosidade e por um estado de espírito mais pacífico – seja no trânsito, seja nos esportes equestres, seja na vida – para ser eficiente não pode começar nas páginas de uma revista, nem nas leis: tem que começar no coração humano. Também isso nossos cavalos, nossos Trovões e Ventanias, Brisas e Tornados, Relâmpagos e Estrelas, nos ensinam: eles se doam a nós de maneira incondicional, colocando seus corpos, sua beleza e sua força à nossa mercê: à frente de carroças, debaixo de selas, dentro de trailers e caminhões. Fazemos deles nossos escravos, e por isso deveríamos ser seus servos – no sentido de pensar mais no bem-estar deles. Vamos respeitar mais nossos animais, e assim saberemos respeitar, e amar, melhor as pessoas e todo o mundo que nos cerca.

 

Acidente em Telgte, Alemanha, 28/06/11

Acidente em Telgte, Alemanha, 28/06/11

 

(BOX) –

ÉGUA ESTRELA

(Fonte: UOL Notícias)

Um homem demonstrou grande tristeza no interior de São Paulo nesta terça-feira (21/06) ao se despedir de uma égua de 13 anos de idade que precisou ser sacrificada após um acidente ocorrido entre Serrana e Altinópolis, na região de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo).

A égua, chamada Estrela, puxava uma carroça conduzida por Sebastião Verola, 58, e seu filho, Cristiano Verola, 28, quando foi atingida por trás por uma Eco Sport na manhã de ontem (21). O animal tombou no chão, com várias fraturas nas patas traseiras, e ali ficou até morrer.

A morte de Estrela foi o fim de uma amizade iniciada quando Cristiano tinha apenas 15 anos. “Estou muito triste, mas não tem outro jeito. É o animal de estimação lá de casa”, afirmou ele, que, minutos antes de Estrela ser sacrificada, colocou a cabeça do animal sobre as pernas e a beijou.

A técnica de zoonoses Márcia Romancini Cavalheiro, 35, afirmou que não havia como manter a égua Estrela viva. “Ela ficou muito ferida. Devia estar sofrendo muito. Uma das patas estava praticamente pendurada à perna só pela pele.”

A égua foi anestesiada e depois sacrificada com uma injeção de cloreto de potássio na veia. “Ela morreu sem sentir nenhuma dor.”

Márcia disse que agora o Centro de Controle de Zoonoses de Serrana vai tentar encontrar um outro animal para a família Verola. “Eles são muito humildes e precisam de outro cavalo para trabalhar e tocar a vida.”

Verola mora em Serrana e, há 20 dias, perdeu a mãe. O pai dele, Sebastião Verola, 58, está internado no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto em decorrência dos ferimentos no acidente. Segundo a assessoria do hospital, não corre risco de morte.

 

Como foi o acidente

Sebastião conduzia a carroça por volta das 6h30 na estrada Mário Titoto, no sentido Altinópolis-Serrana, quando foi atingido na traseira pelo Eco Sport.

Segundo o motorista do veículo, Flavio Westin, 43, de São Sebastião do Paraíso (MG), foi impossível evitar a batida porque estava escuro, e a carroça não tinha sinalização refletora. Carro e carroça ficaram destruídos com a colisão.

 

A família

O acidente deixou ferido Sebastião Verola, 58, pai de Cristiano, que perdeu a orelha direita e recebeu vários pontos na cabeça. A égua, embora pertencesse a Cristiano, era usada pelo pai. Sebastião transportava, com a ajuda de Estrela, restos de comida que recolhia na cidade para alimentar os porcos que cria no quintal de casa. Agora, diz, vai ser preciso usar a bicicleta para buscar a lavagem. 

“O Cristiano deixava eu usar a égua só duas vezes por semana. Outra condição que ele impunha era não deixar ela se esforçar muito. Quando eu desrespeitava esse acordo, ele brigava comigo”, afirmou o pai no último domingo ao UOL Notícias, com a cabeça ainda enfaixada devido aos ferimentos do acidente. 

Estrela era o xodó não só de Cristiano, mas de toda a família, principalmente das três irmãs mais novas, que choraram muito ao saber do sacrifício. “A Estrela era muito mansinha. A gente brincava muito com ela. Está fazendo uma falta muito grande”, disse Juliana, 12. Já Cristiano, segundo os irmãos, dava banhos constantemente em Estrela. A égua foi adquirida pelo faxineiro por R$ 1.400, de forma parcelada.

 

 

(BOX)
RELÂMPAGO DO RETIRO

 

Fonte: ABPSL – Ass.Brasileira de Criadores do Puro-Sangue Lusitano

 

Na manhã desta terça-feira, 28/06, o hipismo internacional e os amantes do Cavalo Lusitano perderam um grande representante brasileiro da raça nas pistas de Adestramento. O garanhão castanho Relâmpago do Retiro (Luar x Atinada), criação e propriedade do Haras Villa do Retiro, morreu após um terrível acidente com o caminhão que o transportava, na cidade alemã de Soest-Lippetal, base da amazona australiana Hayley Beresford.

Relâmpago foi um dos mais destacados Lusitanos no Adestramento, contribuindo de maneira fundamental para colocar a raça no topo da modalidade em nível internacional. Com Hayley Beresford, o cavalo criado em Boituva (SP) pelo publicitário Eduardo Fischer brilhou no circuito europeu e competiu com elevada categoria nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.

A Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Puro-Sangue Lusitano (ABPSL), na pessoa do presidente, José Francisco Brito Eusébio, lamenta profundamente o ocorrido, desejando força e muita coragem ao criador, associado e grande desenvolvedor da raça, Eduardo Fischer, pela inestimável perda.

“A raça perdeu um de seus maiores ícones neste importante momento de avanço nos esportes. Em nome de toda comunidade do Puro-Sangue Lusitano, externo as mais profundas condolências à equipe do Villa do Retiro pela passagem do animal que foi orgulho da criação brasileira da raça”, disse o presidente da ABPSL.

Fonte: www.eurodressage.com  

Hayley Beresford afirma: “Eduardo Fischer perdeu tanto quanto eu. Este cavalo era o bebê dele – ele o criou, desenvolveu e continuava seu proprietário. Eduardo tem sido como um pai para mim. Tem sido o pior mês de minha vida.” A amazona de 33 anos apenas dois dias antes havia recebido o diagnóstico do retorno de um câncer de mama, o segundo retorno após sete anos convivendo com a doença.

“Eu pensei que já estava enfrentando muito, mas agora aprendi que sempre pode haver mais.” Agora a amazona se vê forçada a cancelar diversos compromissos, tais como clínicas de equitação na Austrália. “Está tudo muito complicado no momento. Os médicos querem que eu continue montando; tenho vários cavalos de competição, mas Relâmpago, claro, estava no topo. Acho que terei que dar um passo depois do outro. Vou lutar, o que mais posso fazer.”

 

 

 

FOTO: Ney Messi

 Este texto, e muito mais, faz parte do conteúdo da Revista Horse’s Life, edição 11. Conheça e assine: www.revistahorseslife.com.br

 

criado por leschonski    22:19 — Arquivado em: Sem categoria

28 28UTC abr 28UTC AM

PARADIGMAS EQUESTRES

 

 

“Por definição pode-se dizer que paradigma é a maneira como você olha para o seu mundo, de como o vê e sente, qual é a sua referência em relação a algo, quais são as suas crenças para determinado assunto.”

(Suely Souza Lima)

 

Nestes tempos em que a conversa da funcionalidade está muito em moda, há quem se declare exclusivo desta ou daquela modalidade, ou de um determinado estilo de equitação, quase como se fosse uma religião na qual ele tivesse sido batizado.  Mas na verdade, o cavalo de qualquer raça é primeiro um cavalo (aliás nenhum cavalo sabe que existem raças, muito menos de qual raça ele é…); e um cavaleiro sem seu traje típico – pilcha, casaca, chapéu e fivela… – é apenas uma pessoa. E cada vez mais, a pergunta “qual é o melhor estilo de equitação” se torna tão superada, ou mesmo impossível de responder, quanto “qual é a melhor raça de cavalo”. A verdadeira tendência atual é que as fronteiras entre estilos e escolas diminuam e se confundam, ao invés de ficarem mais rígidas.

 

 

 

 

Já foi dito que não existe equitação certa ou errada; existe apenas equitação boa e ruim. A boa desenvolve o potencial natural do cavalo sem violência, combinando conhecimentos de biomecânica, de técnica equestre, lançando mão da ciência veterinária com suas vertentes em podologia e odontologia, e também sabendo que equipamentos (embocaduras, enredeamentos, selas…) são como ferramentas: a ferramenta certa é imprescindível para o bom profissional realizar o seu trabalho, mas o leigo não vira profissional só porque compra a ferramenta mais moderna e mais cara. Acima de tudo, conhecimento é essencial. E certos desvarios que vemos no treinamento de cavalos e no esporte equestre não são produtos de técnica, mas de ignorância. E, como bem sabemos, a violência começa onde o conhecimento termina. Vejam  alguns exemplos de ignorância no contexto “equitação”: 

  • causar dor promove aprendizado
  • causar desequilíbrio melhora a qualidade do movimento
  • medo é sinônimo de beleza e eficiência
  • quanto mais pressão, melhor o resultado
  • é correto treinar em tensão (física ou mental) máxima, sem intervalos
  • animais não têm sentimentos ou emoções, nem sentem dor
  • um cavaleiro desequilibrado não atrapalha o equilíbrio do cavalo
  • um  mesmo equipamento serve a todos os cavalos

Imagine você, um ser humano, aprendendo qualquer coisa nova (uma profissão, uma arte, um esporte) seguindo os princípios listados acima. Você acha que aprenderia com rapidez e eficiência? Que se tornaria harmônico, rápido, forte, auto-confiante nesta nova atividade?

 

 

 

Não é um rótulo, uma roupa, uma modalidade… que nos torna bons cavaleiros. É CONHECER cavalos e APRENDER  a montar. Sentir empatia pelos animais, entendê-los não como meros instrumentos a serviço de nosso ego e de nosso status quo, mas como herbívoros de planície que TAMBÉM foram selecionados durante milênios para sentirem AFINIDADE pelo ser humano (só por isso é que todo o uso humano do cavalo é possível em larga escala; quem duvida, experimente treinar uma zebra).

 

 

 

Nos últimos anos, tenho me dedicado a laboratórios e experiências para abandonar os rótulos. Aluísio  Marins, da Universidade do Cavalo, tem sido parceiro nesta revisão de conceitos. Começamos com um curso chamado “Mistura Eqüestre”, cujo princípio era simples: o que melhora nossa equitação, não importa de onde venha, é utilizado. O que a piora, o que a entrava, é descartado. E agora, que voltamos da Equitana 2011 cheios de inspiração (leiam mais a respeito nesta edição), estas ideias só foram confirmadas. Nossos cavalos são laboratórios em brincadeiras e jogos, diminuindo distâncias e derrubando fronteiras não apenas entre raças e modalidades, mas também entre pessoas e cavalos, que cada vez mais se tornam amigos, confidentes e parceiros.

        

O mundo está mudando; vamos mudar com ele?

 

Abraços,

 

Claudia

 

…………………………

Este texto meu foi publicado originalmente como editorial da edição 9 da revista Horse’s Life, vide www.horseslife.com.br

 

As fotos foram tiradas durante o Concurso Completo Internacional do Haras Horse Cross (Barretos - SP), de 21 a 24 de abril de 2011 

 

criado por leschonski    9:07 — Arquivado em: Sem categoria

05 05UTC mar 05UTC PM

VITA BREVIS, ARS LONGA

 

Por que praticar, divulgar e ensinar a equitação como forma de arte? Arte, aqui, significando a beleza sem outro objetivo senão ela mesma; a máxima proximidade da “perfeição” que se possa atingir.

 

Não é pelo cavalo, que é mortal.

Nem pelo cavaleiro, que é igualmente mortal.

 

E sim pela própria equitação, esta sim patrimônio eterno da história do mundo. De todas as realizações humanas, uma das mais próximas à intersecção entre todo o potencial humano e todo o poder da natureza.


Somos passageiros, os cavaleiros e suas obras, os cavalos esculpidos por sangue e suor, que começam a se esvanecer no instante mesmo em que atingem seu zênite. Esta é a natureza da vida, e aí mesmo que reside não apenas sua dor, mas também sua magia: na renovação eterna.

 

A arte permanece. Mas é preciso perseverar para fazê-la existir não apenas em palavras e imagens, mas também na energia viva das pessoas e cavalos. Passo a passo, galão a galão, a cada respiração e bater de coração.

 

E nosso tempo é curto.

 

Ars longa,

vita brevis,

occasio praeceps,

experimentum periculosum,

iudicium difficile.

(Hipócrates)

criado por leschonski    14:36 — Arquivado em: Sem categoria

07 07UTC fev 07UTC AM

1929!

Na categoria “curto e marcante”, confiram a citação da semana:

Qualquer um pode aprender a montar, pois equitação é habilidade. A habilidade adquirimos através de “experimentar” e “praticar”, porém não através da imitação de uma aparência externa. Quem domina a habilidade deve ser capaz de executá-la em boa posição.

 

A equitação também é bela e pode se tornar arte. Todos queremos nos considerar artistas. A vocação porém pertence apenas àquele que consegue com toda a sua alma penetrar na psique de um cavalo, obtendo a sintonia não através da violência, porém com sentimento. Sentimento não é magia negra. Até um grau bastante elevado, todos podem adquirir o sentimento.

 

Harmonia refinada entre cavalo e cavaleiro – portanto, beleza – é a meta final de todo adestramento. O cavalo precisa exibir o seu bem-estar, e o cavaleiro não pode aparentar quão difícil é o caminho.

 

(Wilhem Müseler – “Ensino de Equitação” - 1929)

Barão do Castanheiro (Portugal x Garota II, por Novilheiro)

criado por leschonski    11:42 — Arquivado em: Sem categoria

19 19UTC jan 19UTC AM

Só uma frase

… pois acho que ela vale por um texto mais longo…

O amor de uma pessoa pelos cavalos nasce com ela;

o amor do cavalo pelas pessoas tem que ser conquistado.

(CSL)

Abraços, bom mês de janeiro,

Claudia

P.S.: Se forem reproduzir este ou qualquer outro texto do blog, lembrem de citar a fonte, e identificar a autora, ok? :)

Foto: (C) Paula da Silva. REPRODUÇÃO PROIBIDA

criado por leschonski    6:19 — Arquivado em: Sem categoria

26 26UTC dez 26UTC AM

BOAS FESTAS, FELIZ 2011!

 

Meus caros,

obrigada pela sua companhia e leitura ao longo deste ano. Não fui tão prolífica quanto gostaria, mas só escrevi aqui o que achava que valesse a pena - nada de enrolation. Nestes tempos tão corridos, talvez o melhor mesmo seja escolher o que se lê, o que se faz, como se monta e trabalha com cavalos, e fazer tudo isto com qualidade. Dedicação e vagar, também na sela, com leveza de corpo e de espírito, como antídoto para tanta coisa complicada rolando por aí.

E como anda sua lista de resoluções equestres para 2011? Contem para a gente!

Aproveitem as Festas, e que 2011 lhes traga muitos cavalos entusiasmados,

Claudia

criado por leschonski    9:48 — Arquivado em: Sem categoria
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