CAVALOS ENTUSIASMADOS

Textos, fotos e filosofanças de Claudia e amigos sobre o mundo dos cavalos, e os mundos aos quais o cavalo nos leva.

Friday, 20 de June de 2014

CCE DE RIO CLARO 2014: O DIA DO CROSS

(Este texto foi uma experiência de fazer um tour virtual, do tipo câmera filmadora Go-Pro, só que sem câmera... apenas com os olhos da imaginação... depois vocês me dizem o que acharam :)) ...

Bem agora vou aproveitar o intervalo de almoço de segunda-feira para relatar o cross do Wolverine de ontem - enquanto o mesmo ainda está fresco em minha memória. Vai também como tipo de presente de aniversário para o Caio, que queria ter ido, para ajudá-lo a se preparar para a próxima.

O cross de Rio Claro é único por estar localizado dentro de um bosque de eucaliptos. Não é possível galopar em velocidade salvo por trechos curtos, há bastante subidas e descidas, e as trilhas entre um obstáculo e outro nem sempre são evidentes. Mas é também muito charmoso, e a temperatura agradável. Na série 0,90, a minha, foram aprox. 1.400 m a serem percorridos em 3.12.

DEIXANDO GALOPAR UM POUCO (ENTRE 02 E 03)

DEIXANDO GALOPAR UM POUCO (ENTRE 02 E 03)

Da largada, um pequeno aclive em curva, com o número 01, uma vertical de troncos, surgindo depois da curva, é legal alertar o cavalo para confirmar o salto. O Wolve não tem nenhum problema com este, mas o Zac no ano passado deu um teco ali, talvez por desatenção ou alguma sombra de árvore atrapalhando; foi ali também que o Guega rodou na prova de cavalos novos ano passado (logo no número um!). A poucos metros, o número 02 em linha reta, uma positiva após uma depressão. O Wolve muito concentrado com o saltinho morro acima não olha para frente, e está em rota de colisão direta com uma árvore; resolvo não interferir para ele escolher o melhor jeito de desviar, e ele vai para o lado certo (esquerda), depois de longos segundos de eu pensando “ih, ferrou logo no segundo obstáculo”. “Desviando de árvores” já havia sido o tema deste cross no treino de véspera. Na sequência, um longo galope margeando o bosque e depois em curva à esquerda, começando uma descida até o 03, o primeiro salto maiorzinho da categoria, uma paralela de troncos cuja recepção é um pouco negativa. O salto não é problema, mas conforme o previsto, ele quer embalar na descida e tomar as rédeas, com o problema sendo que os saltos 04 e 05, paralela e vertical com três lances entre si ou quatro em curva, vêm logo na sequência. Por isso, dou uma BOA controlada na rédea, quase trotando, e só volto ao ritmo quando enxergo bem a linha reta entre os dois obstáculos. Considerando que ainda não tenho muito “controle fino” nestas horas, quatro lances em curva não é uma boa opção.

OBSTÁCULO 09

VERDE EM MEIO AO VERDE: OBSTÁCULO 09

A linha aparece clarinha, e Wolve não liga a mínima para o fato dos dois saltos estarem enviesados. Um dois três já era, a dificuldade maior é novamente conseguir o controle e seguir para a esquerda, tudo isso acontece em descida e tendo que procurar a trilha entre eucaliptos. E na sequência já uma nova linha, a mais revisada e comentada entre os cavaleiros do 0,90.

É assim: de um  lado a cerca de outro o bosque de eucaliptos. Logo antes, obstáculos das outras séries que fazem impossível uma abordagem em linha reta vindo lá de trás - cada um tem que escolher seu próprio momento de fazer a diagonal entre as árvores para abordar o salto, que é uma vertical estreita de pneus, a três lances, se medidos reto, de uma vertical seca sobre uma valeta, que dá uma impressão de buraco. Só que - entre pneus e vertical há um grande eucalipto, a linha reta ideal representa um árvore no meio da testa, o que o Wolve tentou fazer (felizmente sem sucesso) durante o treino. Então surge uma curva, que resulta em quatro lances. No treino, eu e um monte de gente saltávamos os pneus e éramos defletidos da vertical pela árvore, resultando num desvio para a esquerda.

Mas durante um último reconhecimento a pé de manhã, acho que encontrei a resposta: abordar os pneus em diagonal de modo que a linha que aparece deixa a árvore à esquerda e a cerca à direita. Sobra um túnel de onde a única saída é saltar a vertical. Fácil, mas para isso ser possível a diagonal para os pneus fica tão curtinha que tem que ser - de novo - quase a trote.

Hmmm, a explicação ficou complicada ou quer que desenhe? Deu pra perceber que este era o obstáculo da prova, né? Enfim, consegui fazer o que me propus: abordar os pneus por fora num galopinho curto meio trotando, enxergar a lacuna entre eucalipto e cerca, e aí a vertical já chegou. Wolve continuava tão entusiasmado que nem ousei pensar em sugerir quatro lances, foi para três mesmo, a existência da valeta foi solemente ignorada, e minha única dificuldade foi conseguir fazer a curva.

10C, SOBRANDO NA SUBIDA

10C, SOBRANDO NA SUBIDA

Depois destas duas linhas muito técnicas, fiquei com a sensação de que já havia praticamente concluído a prova. Uma verticalzinha no começo do galope morro acima, depois uma curva tipo slalom entre árvores que cada um podia fazer onde queria para chegar no 09, uma porteirinha verde claro, estreita porém bem marcada, um bom salto tipo balãozinho para facilitar a curva  para uma longa linha 10 ABC e 11, descidas e subidas. A combinação do 10 é um tipo de sunken road com buraquinho na entrada, descida, positiva na subida, um lance e vertical de tronco. Para alguns cavalos o um lance talvez tenha ficado meio  longo, claro que para o Wolve não. Dá só um pouco de trabalho controlá-lo na longa descida para o 11, um murinho na subida, que ele quer muito ignorar e passa de qualquer jeito para entrar numa curva em U para o 12, a água que é apenas uma passagem, mas havia deixado-o bastante desconfiado no dia de ontem. O 13 é um bonito complexo de banqueta com buraco na saída, nada demais, mas bem marcado e gostoso de saltar (bom para tirar fotos também, pois o buraco faz o salto parecer maior do que é).

13B, BURACO SOLENEMENTE IGNORADO

13B, BURACO SOLENEMENTE IGNORADO

Dali, para a última linha, 14 A e B, que tem que ser abordada em diagonal (trotando desviando de árvores...), negativa, um lance, positiva e depois três ou quatro lances para a vertical 15 à direita. Aqui os três teriam entrado fácil, mas desta vez preferi segurar para quatro para facilitar a curva para descer até o 16, um último oxer novamente ao pé do morro. Para achá-lo é preciso... achar uma trilha no meio dos eucaliptos. Dali, é só virar para a direita e galopar para a linha de chegada. Não sei se já mencionei que era preciso procurar o caminho no meio das árvores??

No todo, a sensação foi muito boa, mas neste estágio de nossa evolução, o treino de sábado foi fundamental para dar técnica e respostas para os testes feitos pelo percurso. No sábado, minha sensação era de que levaríamos uma advertência por equitação perigosa a qualquer momento, quicando morro abaixo e eu tentando retomar as rédeas, enquanto árvores mal-educadas se atiravam à nossa frente a toda hora.  Quer dizer, embora o “treino de véspera” não seja uma prática corrente em outros países, e nem em nossas categorias superiores, acho uma ótima ideia para todos que estão começando (pessoas e cavalos), retornando ao esporte, e/ou que têm pouca chance de treinar cross. Em que pese nosso calendário com tão poucas provas, e pouquíssimas pistas de cross em atividade no país, seja para treinamentos, seja para competição. Com certeza um dia quero chegar com o Wolve numa prova e pular tudo  sem reconhecimento prévio - mas por enquanto ainda não! Por ora cumpri minha meta, que era nossa estreia como conjunto no nível 0,90, sendo que é nosso 2º.  CCE juntos e apenas o 3º. da carreira dele (ele havia feito um anterior com o nosso amigo Rodrigo Bastos em 2011, e um só para reempistar comigo no nível 0,70, no último mês de março). E por isso nem me importei com o excesso de tempo de 40 segundos, decorrente com certeza dos muitos trotinhos e galopinhos. Meu ponto alto foram as duas linhas difíceis onde consegui manter o planejamento. O resto, velocidade inclusive, vem com o tempo...

CHEGAMOS! COM OS AGRADECIMENTOS AO FOTÓGRAFO, ALISSON CATULÉ

CHEGAMOS! COM OS AGRADECIMENTOS AO FOTÓGRAFO, ALISSON CATULÉ

Obrigada a todos pela torcida e pela leitura!

Abraços, Claudia

........

criado por leschonski    06:46:49 — Filed under: Sem categoria

Tuesday, 17 de June de 2014

CCE RIO CLARO 2014: SÁBADO (PARTE 01)

Rio Claro, Clube de Cavaleiros, 14 de junho de 2014

Relatório rápido do primeiro dia do CCE, concentrado nos três animais que mais ocuparam meus pensamentos. Ou talvez quatro. Dois deles estavam lá hoje e dois não.

1. O Cururu, meu potro de 4 anos que, montado pelo Alisson Catulé “Poconé”, foi a sua primeira viagem longa, seu primeiro CCE, e tambem o primeiro CCE do Poconé! Optei por inscrevê-lo no adestramento apenas, pois acho que o salto (de picadeiro) teria sido um pouco arriscado para um conjunto duplo estreante ter uma  primeira impressão não tão boa do esporte. Eles ficaram em quarto lugar entre 14 inscritos na categoria, respeitável. Calmo e tranquilo no picadeiro coberto, ao longo do dia esperando sua vez, e também no treino de cross logo mais. Aproveitamos o treino para “fazer a provinha particular” de Poconé e Cururu, e teríamos nos dado por satisfeitos se ele tivesse passado alguns obstáculos  a trote. Mas o que ele fez foi não se importar minimamente nem com as árvores, nem com os concorrentes, nem os obstáculos, nem... nada, na verdade. Ele ia galopandinho, trotando, saltandinho de obstáculo em obstáculo como se tivesse morado ali a vida inteira. No fim fez duas vezes o percurso inteiro da categoria 0,70, incluindo buracos, negativas, saltos estreitos, nada de alto, mas um verdadeir percurso de cross. Na segunda passada galopou (devagar) a maior parte do tempo. Quem viu, em geral não acreditava que era um potro saindo de casa pela primeira vez.  Muito mérito do Poconé que está começando a saltar, e ainda sem muita técnica, tem o dom e a confiança de ficar quietinho, manter o equilíbrio e deixar o cavalo seguir.

CURURU E POCONÉ

CURURU E POCONÉ

2. O Wolverine, cavalo incrível e muito interessante que ainda estou aprendendo a montar. O maior mérito dele é que ele vai para qualquer salto com confiança absoluta, e acaba passando esta confiança para mim. A minha maior dificuldade é que ele é grande e forte, salta grande, pensa grande, briga grande... enfim, é tudo grande. E minha solução ainda é segurá-lo, muitas vezes em demasia, para evitar que o trem exploda. E aí o resultado deixa a desejar. No adestramento, ele ficou um tanto transtornado com o picadeiro coberto, não muito, mas o bastante para olhar os cantos e ficar tenso, troteando, não abrindo bem os andamentos, deu para 58%, mas não foi uma reprise de encher os olhos. No salto, pelos motivos acima fizemos três faltas e excesso, mas houve também saltos muito legais e, repetindo, nenhuma hesitação da parte dele. Eu como (quase) sempre duvidando de algumas distâncias, mas não do salto em si, e achei a prova baixa, estando a chamada a um metro (o que havia me preocupado bastante nos dias anteriores). Bem, apesar dos 21 pontos, cumpri a parte que mais me preocupava da meta de estrear no masters. No treino de cross, o tema foi “desviando de árvores” - como alguns de vocês sabem, a pista de cross de Rio Claro é um slalom entre eucaliptos. Some-se a isso muitos saltos em ligeiro declive e duas linhas em curva e em declive, dá para imaginar o caro Sr. Wolverine em rota de colisão, ou melhor, árvores voando para cima de nós a velocidade surpreendente. A verve dele atacando os obstáculos foi, digamos, um pouco exagerada. Foi melhorando com ajustes, mas ainda bem que existe o treino de sábado!! De novo, os saltos em si, mesmo aqueles maiores (e nesta categoria havia um e outro já respeitável, paralelas larguinhas) não me causaram preocupação alguma. O problema era só conseguir chegar neles, e me manter na sela (galopando na descida) depois deles. No momento (amanhã saberemos mais) a solução em que penso é chegar a trote nos mais técnicos.

WOLVE NA FASE DE SALTO, CCE RIO CLARO 2014

WOLVE NA FASE DE SALTO, CCE RIO CLARO 2014

E agora os dois cavalos (ou melhor equídeos) que não estão presentes:

3. Marota a Mula. Nesta prova, praticamente todas as pessoas que cumprimentei - digamos que de trinta a cinquenta - quiseram saber quando a Marota viria a um CCE, alguns fazendo perguntas detalhadas dela, sempre elogiando e muito interessados. Enquanto não estivermos prontas para fazer esta categoria 0.70 / 0,80, eu não estava vendo muito bem como trazê-la, mas hoje a resposta apareceu através do Cururu. Dá muito bem para fazer o adestramento e treinar o cross, e deixar para fazer a prova completa mais para frente. Assim ela vai se ambientando, pegando experiência -  e a turma da ABHIR pode vê-la ao vivo. No momento, estou bastante disposta a levá-la ao CCE do Guega em agosto.

MAROTA A MULA, MARÇO 2013

MAROTA A MULA, MARÇO 2013

4. E o Zacarias, cuja última prova foI aqui, em junho de 2013. Aqui não vai tristeza, apenas a lembrança de uma prova muito bacana, de clima bem diferente - este ano quente e ensolarado, ano passado uma manhã fria e de nevoeiro quase sólido. Muitos dos obstáculos do cross são os mesmos, e em que pese o conjunto “antigo” que eu tinha com ele, de certa maneira a prova com o Zac foi muito mais fácil. Mas ao mesmo tempo ela dava uma sensação de “no limite”. Com o Wolve, o limite parece ainda muito longe. Apesar de ter perdido meu querido amigo, há também uma sensação de satisfação e de continuidade por, ao longo de um ano de tantas mudanças, ter conseguido trazer meus dois novos parceiros até aqui. A evolução de ambos foi constante, e é de certa maneira uma homenagem ao Zac, pois ele foi parte da minha evolução e aprendizado para chegar aqui.

ZACARIAS CCE RIO CLARO JUNHO 2013

ZACARIAS CCE RIO CLARO JUNHO 2013

Nos próximos dias, envio um novo post contando como foi nosso cross no segundo dia da prova.

criado por leschonski    19:04:28 — Filed under: Sem categoria

Friday, 30 de May de 2014

TEMPO PARA MONTAR

Oi meus caros,

Em cursos e artigos sempre falamos sobre a realidade dos cavaleiros na Europa e nos EUA, onde apenas os profissionais e os muito ricos têm tratadores, e para os demais todo o trabalho relacionado aos cavalos é por conta do cavaleiro mesmo.

Em geral, as pessoas não acreditam muito quando falamos isso, aí incluindo nossos alunos do curso de gestão em equinocultura: “como é possível?”. Lembrando que, ainda por cima, em torno de 80% das pessoas daqueles países que se encaixam neste perfil, “cavaleiro competidor amador”, são do sexo feminino.

Rocio Vazquez como estagiária do ferrador Eli Medeiros .

Pois bem, segue abaixo uma rápida tradução de um artigo da revista inglesa Horse & Hound, que vocês podem conferir no original aqui -

http://www.horseandhound.co.uk/features/survival-tips-amateur-riders/#VoVhrod4hsY8CEI4.99

Reparem que das 14 dicas:

· 02 se referem aos serviços de cocheira e manejo que por aqui em geral atribuímos ao tratador;

· 07 são relacionadas “principalmente” a ganhar tempo para chegar mais tempo na hípica, ou ter mais tempo para gastar lá;

· 04 visam aumentar sua eficácia como cavaleiro

· apenas 01 se refere a equitação e treinamento propriamente ditos.

(Não fiz a “tropicalização” das dicas, apenas traduzi ao pé da letra, mesmo que algumas coisas não correspondam diretamente à nossa realidade. No entanto, não me contive e fiz algumas observações em itálico...)

Solução patenteada da UC para cavaleiro ganhar tempo...

Obviamente, isso tudo significa que “só encara quem gosta de verdade”. Mas talvez isto seja até uma vantagem para os cavalos?

Na minha opinião, isto não quer dizer que aqui na terra brasilis precisemos abrir mão, de imediato, da comodidade das hípicas incluindo os serviços de bons tratadores. Mas... pode ser uma boa avaliação para aqueles que querem ter um cavalo próprio, ou comprar um para os filhos, ou serem profissionais do cavalo, etc... você está disposto a fazer tudo isso, todos os dias de sua vida? Lembrando que:

1. Mesmo que você vá se tornar um profissional de nível internacional que terá estagiários, auxiliares e tratadores à vontade, o começo também é por aí... porque quase ninguém começa profissional, ou seja, sendo remunerado para montar;

2. Para aqueles que sonham muito em ir trabalhar no exterior, este é o tipo de rotina de trabalho que o seu empregador impõe a si mesmo; então imagina o que ele espera de quem trabalha para ele?

Abraços, boa leitura e boa reflexão,

Claudia

P.S.: Todas as fotos que ilustram este post são de alunos ou ex-alunos da Universidade do Cavalo em momentos de sua rotina, a qual é bem mais extensa do que apenas "andar a cavalo o dia inteiro"...

............

1. Ache uma hípica no caminho do trabalho, para que você possa passar lá na ida e na volta do serviço. (“Ida e volta” é importante pois as pessoas cuidam do cavalo - cama, comida, limpeza - de manhã e de tarde, já que não tem outra pessoa para fazê-lo.) 2. Um relógio visível na pista pode ajudá-lo a não perder a hora quando você está montando. (Nossa, pelo jeito até na Inglaterra não usam mais relógio de pulso…) 3. Já separe de véspera as roupas de montaria se você planeja montar logo de manhã cedo - para evitar ficar procurando os culotes no escuro. (Como eles têm eletricidade, acho que isso significa que o cavaleiro ou amazona tenta não incomodar o cônjuge quando acorda de madrugada para ir montar...) 4. Usar tapetes de borracha por baixo da serragem acelera a limpeza da baia e também que você gasta menos com serragem.(Conclusões: a) tapete de borracha só substitui parte da serragem e não toda ela, como alguns ainda tentam fazer a gente acreditar; b) o proprietário do cavalo tem que comprar ele mesmo a serragem e também o piso de borracha, se for o caso; c) o proprietário do cavalo é que limpa a baia.)

Hora de trabalhar, trabalhar...

5. Prepare de véspera a ração e as redes de feno, para que tenha menos serviço quando estiver apressado na manhã seguinte. (Claro, porque você trata e monta antes de ir trabalhar...) 6. Casacos compridos e quentes servem tanto para vestir sobre os pijamas quando você dá ração logo que acorda (quando a pessoa tem cocheira na própria casa) ou para colocar por cima das roupas de escritório quando for soltar o cavalo no piquete antes de ir trabalhar. 7. Fique atento quanto à meteorologia, para decidir se o melhor clima para montar é antes ou depois do trabalho. (Essa é fácil - pra nós no verão em geral chove à tarde...) 8. Condicione seu corpo a levantar cedo indo dormir uma ou duas horas antes. Usar mais de um despertador também pode ser útil. (Realmente. Ok, um pouco impraticável para alunos de gestão.) 9. Tente negociar horários de trabalho flexíveis com o seu empregador. Tirar uma quinta de tarde para aula de equitação pode fazer muita diferença. (Funcionaria no Brasil? Talvez para autônomos e afins... o dia escolhido é a 5a. porque este geralmente é o último treinamento mais forte antes de uma competição de fim-de-semana.) 10. Sincronize suas agendas de trabalho e hípica de modo que todos os seus lembretes estejam unidos num mesmo local, e você pode manter em mente datas de provas e de vinda do ferrador, além dos grandes prazos de projetos de trabalho. (E dos projetos integradores né alunos?? Além disso: o proprietário, não a hípica, coordena a vinda do ferrador.)

Coragem!!! É preciso disciplina para espantar o sono...

11. Invista em jeans do tipo culote, ou “skinny” (colantes) - você pode usá-los no trabalho e também para montar, logo na sequência. (Ok a turma western leva vantagem aqui. Ou façam como eu, e vão ao dentista e ao banco de culote...) 12. Prefira competições nas épocas onde não haja tanta pressão no trabalho. (Difícil para cavaleiros brasileiros de CCE, que temos uma dúzia de provas ao longo do ano,  sem muitas alternativas...) 13. Se o seu trabalho é sedentário, invista numa academia ou faça um planejamento de fitness para aprimorar sua equitação. Não é apenas seu cavalo que tem que estar em forma. (E vivam as resoluções de ano novo!!) 14. Encontre o cavalo certo para você - se você está coordenando treinamento e competições com um trabalho em horário integral, um cavalo consistente e de bom temperamento vai fazer com que a equitação continue sendo prazão continue sendo prazeirosa. (Aí sim!!! Verdade para todos os cavaleiros em todos os continentes.) ./././.

Aquecimento em dupla também pode ser uma estratégia para otimizar o uso do tempo...

criado por leschonski    11:59:41 — Filed under: Sem categoria

Sunday, 20 de April de 2014

UM NOVO CAVALO

Imagine que

Você tivesse um cavalo que é bom demais para você.

Um cavalo, igual aos melhores que já respiraram na face da terra, e que mereça um cavaleiro tão talentoso quanto ele.

Mas, pelos caprichos encadeados do destino, das musas, ou dos deuses, este cavalo coube a você. E de todas as pessoas, ele decidiu confiar em você.

Agora, você não pode desapontá-lo. Pois ele já foi desapontado vezes demais. De algum modo, ele decidiu dar uma segunda chance aos homens, e também à vida dele mesmo.

O olho dele mudou, ele ficou afetuoso, ele voltou a gostar de trabalhar. Ele já não é ranzina, nem agressivo, contém as próprias forças e reaprendeu a ser cuidadoso, e delicado. Ele confia em você implicitamente, e recompensa você com movimentos, e atenção, harmonia, alegria e beleza, que às vezes fazem você chorar.

E acima de tudo, você quer honrar a confiança dele.

Só que... você não é este cavaleiro do olimpo, do talento imaculado, da coragem a toda prova. Você é apenas uma pessoa que monta a cavalo. Há tantos anos abrigado na segurança da mediocridade.

Mas agora, este cavalo chama você a ir além. Além do bom senso, da capacidade, do conformismo. Além de si mesmo.

Foi para ele, para o cavalo perfeito que vislumbramos nas entrelinhas do dia-a-dia e com que sonhamos, que estas linhas foram escritas há 2.500 anos:

"É você que dá força ao cavalo ou veste o seu pescoço com sua crina tremulante?

(...)

Ele escarva com fúria, mostra com prazer a sua força e sai para enfrentar as armas.

Ele ri do medo e nada teme...”

(Jó 39 19:25)

Devagar, um pouco mais a cada dia, você vai se dando conta da realidade de que a única maneira de fazer jus a este cavalo é superar a si mesmo. E finalmente, quando já parecia tarde demais, fazer jus a si mesmo.

Assim, a vida mais uma vez lhe mostra que este é de novo, o começo. Um novo começo onde você não sabe nada, mas sabe o bastante para seguir adiante. A estrada é a mesma, e é infinita. Mas é ascendente.

Nesta encruzilhada, talvez você sinta que acima de tudo o momento é de confiar no cavalo tanto quanto ele confia em você. Pois não fazê-lo seria uma traição. E isto também significa que você não precisa fazer tudo você mesmo: ele pode fazer a parte dele, ele sabe, e vai fazê-la. Ele acredita em si mesmo, pois acredita em você. Mas para a magia funcionar, a recíproca terá que ser verdadeira.

Ele está disposto a superar tudo. O nome ridículo que lhe deram quando nasceu, as dores do corpo que quase o fizeram desistir, as dores da alma que o levaram à revolta, as derrotas, a fome, a humilhação. Ele já enxergou além do horizonte, e ele sabe. Agora  mesmo, ele está imóvel, olhando para você, com a cabeça meio voltada para trás como é próprio dos cavalos, e indaga com seus infinitos olhos líquidos: “vamos?”

Agora, só falta você superar a si mesmo.

Wolverine, eu acredito em você.

Fotos (C) Marco Lagazzi e (c) Max Dvcor Dvco, 2014.

Texto (C) Claudia Leschonski. Reprodução somente mediante autorização escrita. Obrigada!

criado por leschonski    14:21:36 — Filed under: Sem categoria

Wednesday, 8 de January de 2014

Cururu, essa é pra você

Há muito tempo, eu era criança e adorava cavalos. Qualquer cavalo. Nada melhor, nada mais valioso, nada além deles a que eu quisesse dedicar minha vida.

Quando finalmente comecei a  ter cavalos reais em minha vida diária, nenhum esforço era demasiado, nenhuma dedicação pesada, nada excessivo. Tudo era como devia ser, e era leve, e e era um prazer e um privilégio. Simplesmente o único momento e o único lugar em que eu queria estar. Nesta época, eu era adolescente.

Por toda a vida, continuei amando cavalos. Mas em algum ponto a perspectiva mudou. Algumas coisas se tornaram obrigação, algumas supérfluas, algumas inúteis. Nem todos os cavalos eram bons o bastante. Algumas coisas nem todo o esforço do mundo não seria capaz de mudar. Pior, muitas vezes senti que precisava me justificar, não apenas o amor por cavalos, mas o amor e a dedicação por um determinado cavalo em particular. Era meio como se eu estivesse me desculpando. Talvez fosse também uma maneira de me refugiar na segurança  da mediocridade. Nunca perdi a certeza, nunca perdi o amor por eles, mas talvez em alguns momentos perdesse o amor por mim mesma. E desta frustração resultaram algumas atitudes minhas para com os cavalos das quais não me orgulho.  Esta foi a fase adulta.

Mas agora... que estou no horizonte da meia idade, há este cavalo que ainda é uma criança. Um potro com olhos grandes e suaves, que olha o mundo com curiosidade, mas também com confiança. Que acha que tudo é possível, e que o mundo existe para ser atravessado a galope. Cuja fé na própria capacidade nunca foi abalada, que em seus quatro anos de vida encontrou muito mais gentileza e palavras calmas do que trancos e barrancos. Um potro que não tem compreensão dos conceitos abstratos dos homens, mas que sabe manifestar o amor de uma maneira simples: dando o melhor de si. Uma criança como eu já fui.

Cururu, dezembro 2013. Foto (C) Nicole Ciscato

Cururu, dezembro 2013 - Foto (C) Nicole Ciscato

E assim nestas manhãs quentes de janeiro vem renascendo em mim o entusiasmo da infância e a paixão da adolescência. No amor pelos detalhes, nos cuidados abnegados, na motivação de fazer o melhor simplesmente porque eu posso. Surge a ideia de que não precisamos ser medíocres: podemos ser maravilhosos. Também e ainda mais agora, quando tenho a possibilidade de utilizar todos estes anos de conhecimento e de experiência, até que enfim temperados com alguma paciência, com técnica mais apurada, com a memória dos grandes homens e mulheres em cujo exemplo posso me espelhar.

Quem sabe, este potro poderá se tornar o melhor cavalo de minha vida. Quem sabe, se eu der tudo de mim - assim como ele me dá seu todo, numa entrega quase assustadora em sua inocência - juntos chegaremos bem perto de nosso verdadeiro eu, da melhor versão possível de nós mesmos. Há trinta ou quarenta anos, eu teria acreditado - e hoje, não posso desapontar a confiança dele. Pois se o fizer, estarei sendo infiel a mim mesma.

Namasté, Cururu. Com alegria e  honra. Neste início de nossa longa jornada.

././././.

Cururu, janeiro 2104. Foto (C) Maxx Arr

Cururu, janeiro 2104. Foto (C) Maxx Arr

criado por leschonski    05:54:28 — Filed under: Sem categoria

Monday, 15 de July de 2013

O PEQUENO ALAZÃO

Hoje, apenas uma homenagem, citando alguns trechos de um velho favorito meu, o poema que é também canção, "El Alazán", de Atahualpa Yupanqui.

EL ALAZÁN (trechos)

Atahualpa Yupanqui

Como una cinta de fuego Galopando, galopando Crin revuelta en llamaradas

- Cien caminos anduvimos... Mi alazán, te estoy nombrando. Oscuro lazo de niebla Te pialo junto al barranco, ¿Cómo fue que no lo viste? ¿Qué estrella estabas buscando? Mi caballo, mi caballo.

Si como dicen algunos Hay cielos pa'l buen caballo, Por ahí andará mi flete Galopando, galopando. ././././././

Foto: Zacarias e Claudia no CCE de Rio Claro, junho 2013. (C) Marco Lagazzi.

criado por leschonski    21:53:39 — Filed under: Sem categoria

Monday, 15 de April de 2013

NOVO LIVRO SOBRE EQUOTERAPIA

Caros leitores,

A pedido da amiga Lourdes Neves Vieira, tenho muito prazer em ajudar na divulgação do livro “EQUOTERAPIA – Teoria e Prática no Brasil”. Confiram no texto do release abaixo. Na imagem, encontrarão os dados sobre o lançamento oficial, que será no próximo dia 19 de abril. Prestigiem, divulguem, e parabéns a todos os profissionais da equoterapia brasileira!

...................

Informação do livro

Equoterapia Teoria e prática no Brasil

A Equoterapia é uma prática inovadora, que vem se destacando nos últimos anos, por apresentar resultados relevantes em período inferior ao tratamento convencional. Neste ano de 2013 ela alcançou uma grande conquista, no mês de Fevereiro, o Ministério do Trabalho, reconheceu a profissão de Equoterapeuta, agora classificada no Código Brasileiro de Ocupações com o código 2263-15. Sendo este um momento tão especial para a Equoterapia não poderia haver melhor comemoração do que a exposição do trabalho dos profissionais, agora reconhecidos como equoterapeutas.  O livro Equoterapia: Teoria e Prática no Brasil reuniu um grupo diversificado de profissionais de vários centros de equoterapia do Brasil em prol da divulgação de sua eficácia fornecendo um manancial de conhecimentos e troca de experiências.

É a primeira vez, no Brasil, que se reúne um grupo tão diversificado de profissionais atuantes na Equoterapia, são mais de 600 páginas de experiências e informações apresentando uma abordagem desafiadora com múltiplas interfaces que muito contribui processo de auto-avaliação e descoberta de potencialidades do individuo.

Este livro é importante para profissionais da saúde, educação, pesquisadores, acadêmicos, associações de pessoas com deficiência e seus familiares e para a sociedade de forma geral.

A parceria entre Geralda Otone -Neném, diretora fundadora do INPAR Instituto Paraiso e a Dra.Daniela da Fundação Educacional de Caratinga - FUNEC, iniciada em 2011,com o lançamento do primeiro livro em julho de 2011,durante a Exposição Nacional do Mangalarga Marchador, permanece e chega a este segundo livro.

Todos que tem apoiado essa ideia estão indo muito além da inclusão, acreditam de verdade nesta prática e procuram desenvolver o melhor, por isso o desejo de compartilhar esse saber através de uma divulgação cientifica e de seriedade.

criado por leschonski    19:00:47 — Filed under: Sem categoria

Wednesday, 3 de April de 2013

O PODER DO ENTUSIASMO

Como en tus Tiempos, por Carlos Montefusco. Dois parelheiros cheios de entusiasmo, o de antanho que agora virou montaria e o novo "flete". Reparem na quantidade de pratarias no arreio, conquistadas na cancha. È isto que o artista Montefusco conta a respeito da pintura.

Como en tus Tiempos, por Carlos Montefusco. Dois parelheiros cheios de entusiasmo, o de antanho que agora virou montaria e o novo "flete". Reparem na quantidade de pratarias no arreio, conquistadas na cancha. È isto que o artista Montefusco conta a respeito da pintura.

Este, salvo engano de minha parte,  não é um título original meu, mas neste domingo de Páscoa gostaria de emprestá-lo aos caros leitores para juntos recordarmos de que “ter entusiasmo” significa “ter Deus dentro de si”.

En + theos = (dentro de) + (Deus)

Também acho bacana pensar que este conceito tem muito a ver com a saudação oriental “namasté”, relativa ao Deus interior de cada um de nós: “o deus que está dentro de mim saúda o deus que está dentro de você”.

Isto não precisa significar que “somos Deus”, e sim, que somos divinos, que dentro de cada um de nós existe o modelo perfeito da existência.

Aquilo que nos enche de entusiasmo é aquilo que fazemos com alegria, num estado de entrega, sem sentir o tempo passar, da maneira mais perfeita possível, num ponto onde trabalho e prazer se confundem – ou seja, embuídos de essência divina, do potencial de perfeição. Mesmo que aconteça durante cinco segundos apenas, a sensação é inesquecível, e algo que dali para diante sempre desejaremos recapturar.

"Coloradas", por Carlos Montefusco. Potranquinha entusiasmada descobrindo o mundo...

"Coloradas", por Carlos Montefusco. Potranquinha entusiasmada descobrindo o mundo...

Agora pare um pouco de ler, e reflita sobre o conceito do “entusiasmo” para cavalos, ou na relação entre cavalo e cavaleiro.

Imagine um cavalo e cavaleiro se movimentando juntos, num diálogo permanente de “namasté”: o cavalo perfeito montado por um cavaleiro perfeito. Meu deus interior em diálogo com seu deus interior. (E aí vem a voz interior: “monto mal e meu cavalo não é perfeito!!”. OK, mas imagine: qual seria a sensação se vocês fossem perfeitos? Por cinco segundos apenas?)

Imagine um potro jovem no auge de sua saúde, força e alegria, brincando no pasto com seus pares. Todos os movimentos com controle, força e beleza, harmonia e pureza. Haverá definição melhor de “ter Deus dentro de si”? E se você, como cavaleiro, fosse capaz de preservar e lançar mão deste entusiasmo no cavalo montado? O que você teria que fazer? O que você não poderia fazer sob hipótese alguma? (Por exemplo, provocar dor e medo, chicotear e esporear um cavalo, teriam o efeito desejado?)

E se fosse possível interagir com o seu cavalo de modo que ele fosse o seu deus interior, e você o dele? Se ambos se completassem de maneira a nenhum dos dois saber onde termina a vontade de um e onde começa a força do outro?

Não faz mal que você não saiba o “como fazer”. Da próxima vez em que estiver com seu cavalo, pense e sinta: qual seria a sensação se fóssemos capazes de despertar nosso deus interior, assim, numa simples inspiração? Escutá-lo e segui-lo apenas?

Enfim, são apenas reflexões. É por conta delas que o blog se chama “Cavalos Entusiasmados”. Só para o caso de alguém já ter se feito esta pergunta.

E neste sentido, que o domingo de Páscoa seja um convite para a ressureição do cavaleiro perfeito e do cavalo perfeito que existe em cada um de nós. Na verdade, ele está lá, vivo, mesmo agora.

Porque Deus – não importa como você o chame – sempre está lá.

Namasté, Feliz Páscoa!

Claudia

Lorenzo com seus muitos cavalos muito entusiasmados... Festivallo, Equitana 2013

Lorenzo, com seus muitos cavalos muito entusiasmados...

P.S.: As belas ilustrações são de autoria do artista argentino Carlos Montefusco. Por favor divulguem, ele merece ser muito mais conhecido do que é!!

criado por leschonski    19:24:03 — Filed under: Sem categoria

Sunday, 3 de February de 2013

BAILARINO

Um post bem curtinho, só pra começarmos inspirados a semana... :) Abraços, Claudia ........

“Grace is the absence of everything that indicates pain or difficulty. hesitation or incongruity.”

(William Hazlitt)

.......................................

Imagine-se destinado a ser um dançarino : todo o seu trabalho, o suor e o esforço dos seus dias, empregado em se aperfeiçoar na arte de se movimentar da maneira mais graciosa, mais coordenada, mais perfeita.

Você tem força, energia e vontade : você é uma criatura essencialmente bondosa, a preguiça e a malícia não existem para você.  Mas existe um pequeno problema : você não tem a mínima idéia de que se espera de você que seja um dançarino, meio artista, meio atleta. Pior, você não fala, tampouco entende linguagem falada – e, claro, muito menos sabe ler.

Você também é incapaz de aprender observando dançarinos mais velhos e experientes, pois você é completamente desprovido da capacidade de raciocínio abstrato. E mesmo assim, você é obrigado a aprender a dançar - e você quer fazê-lo. Pois você tem o talento. Você nasceu para isto. Mas nem por isto você nasceu fazendo.

E o seu porvir, seu sucesso ou fracasso, dependerão essencialmente de mestres que entendam e aceitem como você é, que o amam e que saberão tornar seu potencial realidade. Sem que você passe a odiar a dança ao longo do caminho.

Você - tenho certeza de que já o percebeu - é um cavalo.

Como você se sentiria?

criado por leschonski    22:46:22 — Filed under: Sem categoria

Wednesday, 30 de January de 2013

UMA FORMATURA NA TRIBO DO CAVALO

Num poster antigo, a simplicidade essencial do estilo de vida da tribo do cavalo

Num poster antigo, a simplicidade essencial do estilo de vida da tribo do cavalo

Caros leitores,

Pela segunda vez, fui convidada para ser paraninfa de uma turma de formandos do curso de Gestão em Equinocultura mantido pela Universidade de Sorocaba (UNISO) em parceria com a Universidade do Cavalo. A composição do requerido discurso demandou algum tempo e esforço. Mas até acho que o resultado merece ser compartilhado com vocês, que como nós são membros da grande tribo do cavalo.

Abraços,

Claudia

---------------

Queridos alunos, queridos mestres, querida plateia,

Nossa vida não é virtual.

Ela é feita de sol e de chuva, de sentir fome e também do prazer do alimento. Nascemos filhos do Pai celestial e da mãe terra, e por isso temos a cabeça no infinito – mas temos também  os pés no chão.

Por vezes, pessoas se sentem reduzidas a um circuito neuro-cibernético – olhos, dedos e neurônios linkados numa infinita rede, onde a realidade de nossa existência se torna secundária, como se o mundo das ideias fosse superior, como se não fóssemos feitos de carne e osso.

A materialidade é inegável, e ao mesmo tempo, para chegar à  plenitude, nossa existência precisa de uma alma. O desafio é conciliar as imposições da modernidade com a condição humana.

Não é fácil: em nosso país, a prosperidade cresce tal qual os índices de obesidade e de consumo de tranquilizantes e estimulantes, sejam legais ou ilegais. Ferramentas que nos deveriam poupar tempo nos levam ao stress pela falta de tempo. Como resultado, nos distanciamos mais e mais de nós mesmos – fisica, mental e emocionalmente.

Os antídotos são as atividades que levem ao reequilíbrio destas três dimensões, e à reconexão com a quarta dimensão: nosso eu superior.  O físico, pleno e saudável; a mente concentrada e vivaz; a alma equilibrada e feliz. Esporte, arte, ciência ou religião; dança, pára-quedismo ou peregrinação – o desafio é conseguirmos nos manter conectados não apenas ao mundo, mas a nós mesmos.

Nossa “tribo” tem seu próprio meio de chegar lá: os cavalos com tudo que eles nos proporcionam. A vida com cavalos nos leva à parceria com uma mente sentiente e um corpo poderoso, muito diferentes dos nossos. Nesta espécie de dança, somos  a um tempo mestres e subordinados do parceiro. Ela revela nossas fraquezas e limitações como o mais cristalino dos espelhos, e assim nos conduz à auto-superação e à transcendência – até chegarmos o  mais próximo possivel da perfeição que nos for dado atingir numa existência humana.

Existimos para evoluir.

Evoluimos ajudando os outros a evoluir. Ajudamos os outros a evoluir quando os aproximamos de sua verdadeira vocação.

Para mim, este é o verdadeiro sentido da vida com e para os cavalos, e, por extensão, do curso de gestão em equinocultura. Vocês, meus queridos (ex)alunos, bem sabem que esta é a essência do que lhes falei durante nosso tempo juntos. De hoje em diante, cabe a vocês mostrarem ao mundo que “o cavalo” não é apenas esporte ou lazer, nem coisa de peão nem brincadeira de milionário: é, isto sim, uma das muitas nobres trilhas do ser humano ao centro de si mesmo. Da verdade que nos libertará.

Obrigada, vão com Deus, sejam felizes hoje e sempre.

/././././././

criado por leschonski    14:11:55 — Filed under: Sem categoria
Older Posts »
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://leschonski.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.