07 07UTC abr 07UTC AM
Poeminha
… que eu escrevi há algum tempo, e até hoje não consegui avaliar se é bom ou horrível. Deixo pra vocês avaliarem…
Boa semana,
Claudia
———-
Há aqueles que produzem comida para o corpo
E são bons.
Há aqueles que produzem a riqueza das nações
E são muito bons.
Mas há aqueles que produzem alimento para o espírito dos homens
E estes são os imprescindíveis
(Numa livre paráfrase de B. Brecht
)
………………………………
Tanto estudo, tanto trabalho
E tudo vira comida.
O feijão, as batatas, os tomates:
Comida do almoço.
Trigo e café: comida no jantar.
E até milho e soja
Viram ração para os bois (os frangos, os porcos)
Que viram comida.
Frituras, assados, grelhados
Vinho, leite, cachaça, chá
Ovos, ensopados, cozidos
Tudo, a labuta do campo
Tornada em quinze minutos
De refeições, três vezes por dia –
Nas casas, nos botecos
Nas bodegas, pizzarias, churrascarias, padarias
Um breve prazer no paladar, engolir, sorrir
Digerir
(prefiro a seqüencia não prosseguir…)
E assim torna à terra
O bife que foi boi
Que foi pasto
Que foi terra regada
No suor dos homens
Que se sustentam à custa
Do bife que foi boi que foi…
Tudo comida.
Mas há algo mais, algo além
Da elementar necessidade vida afora.
Há um pequeno pedaço de terra
Destinado a se esvanecer –
Em nada
(nada palpável nem mensurável)
A terra não sabe, quem a cultiva não sabe
Mas seu fruto será o grão
E a haste
Que, num dia qualquer
Se tornarão um grito no ar
Um trovão na terra
Calor no corpo
Êxtase mesmerizado no espaço.
Não será bife este capim
Não se tornará broa aquele milho.
Graças aos frutos desta terra
Um dia, um menino
(Faminto talvez, estômago nas costas sem que disso ele se dê conta)
Se eleva para além de si
Mais rápido que todos
Mais forte que os outros
Sagaz, e rápido, e destemido
E feliz.
(Talvez ainda, lágrimas na face sem que disso ele se dê conta)
Seus lábios ressecarão no vento quente,
Seu grito mal será ouvido
-
Enquanto sob o menino, com
Cada fibra de seu ser
Galopa
O cavalo.
O solo do qual brotou o capim
Que sustentou a égua
Que gerou o potrinho
Que milho e soja fizeram de cinqüenta quilos virar quinhentos
- mas não é um boi.
Não será comida
(pelo menos não enquanto o amor for seu dono)
É um cavalo
Alimento de nossa alma
Prazer supremo de nosso espírito
Não deglutido, mas incorporado
A cada dia
Até que seus olhares, seus movimentos
E seu ser façam parte deste menino do homem da mulher
Para sempre.
O cavalo.
Lembra-nos a cada instante
Que nem só de pão vive o homem.
./././././.
CSL
18.05.07

criado por leschonski
11:45 — Arquivado em: 

Comentário por Vainner — 09 09UTC abr 09UTC AM @ 9:04
Eiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii Claudia!!!! Sou eu!hehehehe… ainda se lembra de mim!? POis é, passei aqui para deixar um oi e dizer que gostei bastante do seu Blog. Gostei muito do seu poema também… e concordo plenamente com ele… o cavalo é o alimento para a alma… eu tenho uma frase que sempre gosto de utilizar que acho que tem tudo a ver com seu poema: “No lombo do meu cavalo o mundo pára!”. É bem por aí, né?
Beijão para você!!!!!
Sempre estarei aqui te visitando.
Comentário por Romeu-Sérgio — 10 10UTC abr 10UTC PM @ 18:24
Cláudia, belo poema, direto, sem pieguices, sensível.
Boa frase. Mas a melhor ainda, que vc criou e eu adoto, e por isso escrevo aqui, pra que todo mundo leia e pense, é essa:
“Quem gosta de cavalo, não cria (cavalos).”
Comentário por Paula — 11 11UTC abr 11UTC PM @ 15:06
brrrrrr…
“E assim torna à terra
O bife que foi boi
Que foi pasto
Que foi terra regada
No suor dos homens
Que se sustentam à custa
Do bife que foi boi que foi… ”
Shocking!
Paula
Comentário por Sophia — 13 13UTC abr 13UTC PM @ 18:25
Hehehee…
vindo de você querida, o “shocking” é um elogio!!!
Baci,
CSL
Comentário por Silvana Biral — 17 17UTC abr 17UTC AM @ 11:55
Então, Claudia, o cavalo, desde que o descobri (e pude ter um), faz parte da minha vida. Apesar de estar cada vez mais solitária nesta minha opinião (minha família quase nem monta mais), estou aqui firme, e compartilho desse sentimento todo. E toda vez que monto sinto alegria, e me vejo um pouco como criança outra vez. Parabéns pelo blog.
Abraço da Sil
Comentário por Cicero Cruvinel Prado — 17 17UTC abr 17UTC PM @ 20:31
Amiga e amada Cláudia,
vim te fazer uma visita. Há tempo não recebo os mails do fórum, mas nunca me esqueço de todos, e em especial de vc. Nem poderia, afinal vc me mostrou o caminho e o companheiro para “alimentar a alma”.
Achei tudo lindo, como tudo que faz (acho, ou tenho certeza, que é porque vc faz com o coração).
Beijos, saudade.
Comentário por Henrique Brunoro — 18 18UTC abr 18UTC PM @ 16:35
Já estava na hora de vc ter o seu Blog!
Bom para todo mundo do cavalo e para alguns cavalos do mundo, ter alguem como vc na ponta dos dedos.
Bjs