CAVALOS ENTUSIASMADOS

Textos, fotos e filosofanças de Claudia e amigos sobre o mundo dos cavalos, e os mundos aos quais o cavalo nos leva.

13 13UTC mai 13UTC PM

O VALOR DA EXPERIÊNCIA

Oi amigos,

hoje de fato fui cobrada por um leitor - que honra!!! O nosso blog dos cavalos entusiasmados continua com bastante acessos, já tivemos mais de cem este mês, mas ainda podemos melhorar!! Por favor divulgem o blog a seus amigos e conhecidos, aos apaixonados por cavalos em especial!

O texto a seguir foi escrito como editorial da revista Horse, mas nunca foi publicado. Vai como homenagem a todos os nossos velhos e amados cavalos, tal como o meu Flanel, que agora está com 23 anos, e continua ensinando os alunos.

Nas fotos incluídas, ele está com 21 e 10 meses, e já estava aposentado das provas há mais de três anos . Neste dia, acompanhou um treino da "turma nova" só pra matar saudades dos galopes e dos obstáculos…

Beijos, continuem em contato, 

Claudia

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O VALOR DA EXPERIÊNCIA

Quem já teve o privilégio de montar um cavalo experiente, nascido e moldado para a função que desempenha, acaba por dar um novo significado ao termo “autoconfiança”. Para o cavalo competidor confirmado, não há obstáculos assustadores nem ambiente estranho. A égua de enduro com boa “quilometragem” avança, tranqüila e parcimoniosa de seus próprios recursos, por longas trilhas de qualquer clima e topografia. O cavalo de trabalho conhece a rês mais do que ela a si mesma, prevendo o comando do cavaleiro e impedindo a fuga do gado.

Neste patamar, pode parecer impossível que também este animal tão altivo e seguro já tenha sido um potro xucro, uma potranca assustada enxergando tigres em cada curva do caminho, ainda tendo que ser habituados à miríade de novas experiências de seu cotiadano, tudo de que cavalos e cavaleiros experientes nem se dão mais conta: o transporte em caminhões, os ruídos e cheiros dos grandes eventos hípicos, a variedade dos desafios das trilhas, do trabalho, das cavalgadas tanto quanto das competições.

Alguns vendedores oferecem o “potencial” dos seus animais como se o mesmo já fosse uma coisa confirmada, como se bastasse um cavalo nascer dentro de uma linhagem famosa para automaticamente tornar-se um campeão. Nem todo mundo se dá conta de que nada há de automático no surgimento de um bom cavalo de montaria ou de esporte. Pelo contrário, a distância entre o potencial e a realidade confirmada está pavimentada por horas de trabalho de muitos profissionais qualificados – treinadores, veterinários, tratadores, ferreiros, entre tantos – e recheada pelos investimentos feitos na remuneração destes profissionais e em todos os custos de manutenção e treinamento dos animais.

Engana-se o comprador que acha “um absurdo” pagar muito mais por um cavalo confirmado e experiente do que por um animal mais jovem, de fenótipo e genótipo semelhantes porém muito menos experiente. Engana-se também o vendedor que quer ganhar dinheiro rápido à custa destes potros, misturando o conceito daquilo que eles podem vir a ser com aquilo do que eles são de fato, aqui e agora. Profissionais éticos e conhecedores do assunto saberão trilhar o delicado caminho entre os extremos, e agir como intermediários de maneira equânime para ambos os partidos.

O preço de aquisição de um cavalo tem diversos valores agregados. Destes, o menos considerado porém o maior diferencial são as horas de sela e serviço dos profissionais– as horas de sol e chuva, vento, poeira, calor e frio, da repetição infinita de exercícios, de movimentos, dos muitos jogos de ferradura. Da pelagem mil vezes escovada, dos acertos e tentativas, dos sustos, das recompensas e das alegrias bem como das frustrações e das recaídas. E em algum ponto desta vereda, o potro se tornou cavalo, pronto para o que der e vier. O mérito é do potencial, mas também de todos que trabalharam para que este potencial pudesse se tornar realidade.

A experiência não tem preço; um bom cavalo para o serviço ou esporte que almejamos não tem preço, apenas valor.

././././././.

criado por leschonski    18:54 — Arquivado em: Sem categoria

3 Comentários »

  1. Comentário por Vainner — 14 14UTC mai 14UTC AM @ 9:18

    Eiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii Claudia!!!!

    Eu sei exatamente o que é isso… em nossa fazenda temos um cavalo que está com 23 anos de idade e até hoje lida com gado… é impressionante como ele sabe fazer o serviço e o faz sozinho sem que precisemos sequer dar um comando de rédea ou coisa parecida…. basta uma rês dar sinal de que irá pegar o caminho errado que ele está em cima… é impressionante também ver a alegria nos olhos deste cavalo toda vez que o montamos e vamos em direção ao gado… percebe-se nitidamente como ele fica ofegante e ENTUSIASMADO… enfim… coisa de outro mundo…

    Aqui em casa lutamos sempre para que os cavalos estejam entusiasmados, sejam esses cavalos de lida ou de lazer… cuidamos de muitos detalhes, entre eles, piquetes, doma (totalmente racional e sem violência) etc…

    Ah… uma observação que fiz esses dias… o processo de doma, por mais que seja sem dor e sem violência, como é o que faço em casa precisa de mais alguma coisa e uma dessas coisas que percebi é que, mais importante que está em contato com o cavalo nos momentos de treino, é estar com este cavalo também nos momentos de descanso, dando-lhe um afago, falando com ele, dando-lhe a ração que ele tanto gosta… enfim… ações que aproximam cavalo e cavaleiro e que os farão um só ser…

    Beijão pro ce!!!!!

  2. Comentário por Aparicion — 20 20UTC mai 20UTC AM @ 8:07

    Vamos là, Claudia, jà passou uma semana e nao houve novos posts… estamos em plena crise de abstinencia

  3. Comentário por Sophia — 20 20UTC mai 20UTC PM @ 15:53

    Ok Aparicion, será providenciado… quem sou eu pra deixar você na vontade … :-D

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