CAVALOS ENTUSIASMADOS

Textos, fotos e filosofanças de Claudia e amigos sobre o mundo dos cavalos, e os mundos aos quais o cavalo nos leva.

25 25UTC jun 25UTC PM

OS PRINCIPAIS GARANHÕES BRASILEIROS…

…. de esportes eqüestres!

Os fiéis leitores do blog já perceberam a inclusão periódica dos "nossos comerciais", produtos e obras relacionadas a cavalos. Hoje, a dica vai para o livro "Os Principais Garanhões de Esportes Eqüestres no Brasil",  de autoria do Raul de Maura Silva, nosso amigo na Associação do Lusitano, e de sua parceira Wal Moreira. As fotos em sua maioria são de outro amigão, o fotógrafo-roqueiro apaixonado por cavalos, Ney Messi.

O guia é uma obra de referência bela e atual não apenas para criadores, mas para todos os interessados no cenário hípico brasileiro. Sementais BH e Lusitanos são os mais freqüentes, mas há também PSIs, AAs e europeus das raças formadoras, entre outros. O livro já vale pelas fotos, incluindo retratos de ícones do nosso hipismo, de Rodrigo Pessoa a Orlando Faccada.

O estilo e conteúdo da obra lembram bastante os anuários europeus da BCM. Nâo é difícil sentir o conhecimento de causa do Raul nos textos de apresentação de cada garanhão.

Confiram, e se possível, comprem! Maiores informações em http://www.bureaucomunic.com.br/servicos-especiais.html, ou escrevam para danilo@bureaucomunic.com.br.

Abraços,

Claudia

criado por leschonski    23:44 — Arquivado em: Sem categoria

18 18UTC jun 18UTC AM

COM OLHOS DE CRIANÇA

Oi turma,

o post de hoje é especial para um amigo que anda meio desanimado com os cavalos, ou melhor, com as dificuldades inerentes ao nosso dia-a-dia-eqüestre. Trocando confissões entre uma água de coco e outra, chegamos à conclusão de que… na verdade conclusão nenhuma, mas sabemos que a vida não teria a metade da graça sem os nossos cavalinhos!
Se servir pra mais algum dos leitores, fico contente!

Beijos, boa semana,
Claudia

…………………………

    O dia difícil fora apenas o ápice de uma semana frustrante. O tratador, excelente até então, havia se mostrado alcoólico em recuperação e sofrido uma recaída. O ferreiro cancelara a vinda pela terceira vez consecutiva, assim inviabilizando a apresentação de uma égua a um comprador em potencial. O feno havia subido de preço pela segunda vez no mês, não que isso fosse muito importante, pois não existia para pronta entrega em parte alguma. Ambos os problemas se deviam à chuva, que também fizera que metade das aulas da semana - e portanto das entradas do caixa - fossem canceladas. E ontem, meu cavalo mancara após uma recepção infeliz, saltando na pista irregular (que estava irregular porque o trator havia quebrado). Nossa participação na prova daqui a dez dias parecia incerta na melhor das hipóteses.

      À noite, eu me perguntava pela enésima vez: por que, para que tudo isso? Seis ou sete dias por semana, bater-me com empregados pouco confiáveis, fornecedores recalcitrantes, clima caprichoso, cavalos ingratos, saúde financeira precária… era nestes momentos que os atrativos de um emprego convencional, oito horas cinco dias por semana, ambiente climatizado e contra-cheque no final do mês, pareciam crescer sedutoramente.

      Mesmo assim, o dia seguinte amanheceu com a luz gloriosa e o ar inebriante de início de primavera, e o sol me encontrou na pista, onde um grupo de cavaleiros já começara o treinamento. Neste momento, uma pequena voz sussurrou em meu ouvido: “Feche os olhos”. Nossa, há quanto tempo não ouvira essa voz - dez, quinze anos? Mesmo assim, obedeci, e me concentrei nas palavras seguintes da vozinha - “Você agora tem dez anos de idade. O que você sente? Quais são seus sonhos, seus desejos? O que você mais ama no mundo?” Depois de segundos, voltei a abrir os olhos, justamente quando o grupo de quatro cavaleiros passava à minha frente, recortados contra a luz matinal. Vibrante, a voz prosseguiu: “Olha só estes cavalos, com que decisão e equilíbrio tocam o chão, como são amplas suas passadas, e como olham para a frente, sequiosos por avançar! Olha os cavaleiros, que firmes na sela, a fácil naturalidade com que se unem a seus animais! Há algo melhor e mais belo no mundo? Qualquer outro lugar onde você deseje estar? Algum outro mister a que você queira - e possa - se dedicar de todo o coração?” 

      Sim, eu sabia. De repente, o aroma ficara mais forte - da manhã fresca, do capim, dos cavalos suados, e a cena tão corriqueira e familiar me trouxe lágrimas aos olhos. Eu estava ali, realizara o sonho de minha infância, os cavalos eram parte de minha vida. E de tanto perseguir a meta, quase esquecera que a recompensa era esta mesma: estar ali.
A pequena voz ficava mais tênue, mas ainda a escutei claramente enquanto dizia: “Lembre-se - permaneça fiel a si mesma.”

      A voz interior, sendo minha mesma e não de alguma fada-madrinha, não conseguiu fazer com que os problemas cotidianos de nossa - e de outras - hípicas se resolvessem magicamente. Mas ela os reduziu à sua devida proporção - ridiculamente pequenos, frente à beleza e alegria da vida diária com o cavalo, minha grande paixão. E quiçá a sua também, amigo leitor.

.-.-.-.-.-.-.-

criado por leschonski    8:22 — Arquivado em: Sem categoria

11 11UTC jun 11UTC PM

ALTOS E BAIXOS NO ENDURO DA SERRA - PARTE 04 (Fim)

      Velocidade livre: quais anéis mesmo??
      Ronnan e eu, ajudados apenas por Geraldo, nos preparávamos para a largada na quase-madrugada de domingo. A turma aproveitava o merecido descanso, e havíamos combinado que eles viriam nos apoiar a partir do primeiro intervalo. Por isso, mal reconheci Alexandre, nosso cavaleiro novo, que surgiu todo encapuzado no nevoeiro:
      - Como posso ajudar?
       Daí para frente, Alexandre foi tocando nosso apoio, e ainda bem, pois eu estava operando num nível de eficiência abaixo do mínimo. Para começar, esqueci de que havia ajustado meu relógio, normalmente adiantado cinco minutos, para coincidir com o horário oficial da prova. Por isso, nos aprensentamos na largada achando que eram 6:59 quando eram 7:04… Isso pelo menos resolvia o meu dilema estratégico de como abordar o longa subida inicial em trilha estreita de mata fechada – se disputássemos a frente, Vênus largaria coice em todo mundo, e se ficássemos atrás, Lasar provocaria engavetamentos. Assim iniciamos o primeiro anel, quase 27 quilômetros na maior parte em subidas e descidas. Corríamos a pé e puxando os cavalos em quase todas as descidas longas (o triatleta Ronnan estava cada vez mais entusiasmado com o enduro eqüestre), e aos poucos fomos alcançando os demais cavaleiros. Havia apenas seis concorrentes na categoria adultos, e a fato da trilha ser mais de trote do que galope também favorecia meu cavalo. No primeiro vet-check, o Dr. Cláudio me cantaria a bola: “todos os cavalos estão sentindo a trilha, tem que ir fazendo para chegar”.
      Com tudo isso, foi culpada de esquecer da idéia original de fazer uma prova lenta, ao invés disso permitindo que o Lasar entrasse no ritmo da Vênus, que vinha trotando solta e leve, como quem diz “agora sim estamos conversando!”. Não saberei se Lasar teria deixado calmamente que Vênus se distanciasse dele, e nem o que teria acontecido se eu tivesse competido sozinha, conforme o previsto. O resumo da ópera é que o Lasar fez dois primeiros anéis excelentes, num ritmo bom, sem brigar e jamais precisando ser tocado, mas acabaríamos não largando para o terceiro.
Chegamos bem do primeiro anel, andando a pé e a passo o último quilômetro, e ambos os cavalos ficaram aptos à apresentação em menos de cinco minutos. Desta vez conseguimos largar com uns trinta segundos de atraso apenas, e na correria esqueci de olhar a placa para confirmar a cor do segundo anel. Laranja ou vermelho? Decidi que era laranja, e estávamos correndo a pé numa longa descida de asfalto enquanto eu telefonava com Alexandre, “só por desencargo de consciência”. O fim da descida havia chegado até que Alexandre conseguisse me convencer de que minha decisão estava… errada, e lá se foram os pobres cavalos voltando a trote morro acima. Ainda assim conseguíamos manter um ritmo constante, Vênus tranquila e Lasar quase tão bom quanto em casa, e pela segunda vez naquele dia começamos a ultrapassar os outros grupinhos de cavaleiros. No fim do anel vermelho, de 21 km, aquela mesma subida de asfalto, pela primeira vez naquele dia o Lasar pediu passo, coisa nele raríssima. Apeei na hora e gritei:
      - Vai Ronnan!

Deveríamos inventar um triatlo deste tipo!! – Ronnan e Vênus
Foto Cidinha Franzão

      Imaginei que Ronnan largaria uns dez ou quinze minutos na minha frente, e eu terminaria tranqüila os últimos quinze quilômetros. Em cinco minutos, a FC do Lasar baixou para 52, mas quando o apresentei, a Dra. Martha olhou para mim:
      - Está em 68…
      Esperamos mais alguns minutos, e na reapresentação o padrão se manteve: baixava para 52, voltava a subir até sessenta e tantos. Enquanto isso, o pequeno e valente Lasar estava pastando, bebendo, de olho na Vênus, que a esta altura já estava se preparando para largar novamente. Estava claro que eu tinha um cavalo cansado, mas (ainda) saudável. Sorri pra Doutora Martha e juntas resolvemos deixar de insistir.

      Ronnan partiu para os quinze quilômetros derradeiros, e não demorou muito para que ouvíssimos Vênus chamando seus amigos, uns dez minutos atrás do primeiro colocado, e dez à frente do terceiro, segundo posto logo confirmado após um excelente vet-check final. Agora, era só agüentar Ronnan, Martin e Geraldo perguntando o que seria dos paulistas do Manège Capela se não fosse a existência de mineiros, cariocas e baianos…
      Naquela tarde mesmo, devido a compromissos familiares, Ronnan pegou o ônibus de volta a Lavras, acrescentando na bagagem um troféu e um colete numerado. Passará à história do Manège como o estagiário que correu do primeiro ao último minuto de sua estada com a gente, e talvez siga contando em Minas que os paulistas estão sempre com pressa mesmo.

      Meu prêmio de consolação era admirar a Vênus, que após correr mais de 20 km num dia, e sessenta e tantos no outro, largando atrasada em dois anéis e fazendo uns dois quilômetros a mais no segundo, não parecia ter perdido nem meio quilo de peso e não tinha outras preocupações senão as habituais – comer e ficar na companhia de seus amigos. Vários colegas opinaram:
      - Parece que ela tá pronta pros oitenta…
Possivelmente, mas acho que vou esperar mais um pouco. Neste fim-de-semana, aprendi que experiência, previdência e pontualidade nunca são demais.

      Irritada comigo mesmo só me senti dias depois, quando os resultados foram para o ar, e descobri que se eu tivesse seguido o plano original de “só terminar devagar” com o Lasar… eu estaria na quarta colocação do campeonato! Sem falar na frustração de não ter visto nem enfrentado a famigerada “descida laranja”! Cadão, pode incluí-la de novo ano que vem, por favor?
      Outro detalhe irônico é que nossos dois segundos lugares acabaram não resultando em pontuação de equipe para o Manege Capela. Existindo o limite de quatro cavaleiros por equipe, na controlada eu havia optado por excluir o Martin… e na livre, na correria da inscrição de última hora esquecemos de declarar a equipe pela qual o Ronnan corria.
      No geral, saímos no lucro. Dois troféus, quatro novos adeptos (Alexandre, Rolando e Cornelia se declararam fisgados, e Ronnan pensa em organizar enduros em Lavras), amizades consolidadas e iniciadas, lindas trilhas, e muitas novas experiências para pessoas e cavalos. Acima de tudo, mais uma vez a certeza de que o nosso preparo de cavalos e cavaleiros é correto – mas precisa ser levado a sério. Basta olhar Vênus e Fayad, os mais jovens de toda a tropa (seis e cinco anos), que estão há mais tempo no programa, e também que largaram e chegaram em melhores condições. Sempre haverá o próximo enduro, e estaremos lá, se Deus quiser!

/./././././././.

Fim de jornada… Luiza, Claudia, Ronnan, Cornelia :-)

Foto: Hans Sturm

criado por leschonski    23:15 — Arquivado em: Sem categoria

ENDURO NA SERRA - PARTE 03

      O nosso vice-campeonato brasileiro!

      Martin chegou alguns minutos depois, e todos os nossos esforços passaram para o Zaca, cujo trabalho de condicionamento físico ainda se encontrava nos estágios iniciais. Há tempos, eu o comprara num impulso, motivada pela sua aptidão de salto (bacana) e seu preço (barato), mesmo sabendo que era roncador. Diagnosticado com grau máximo de hemiplegia de laringe, ele havia sido operado em novembro de 2006 e voltara a trabalhar montado em março deste ano apenas. Ele já tinha, claro, um razoável trabalho de base, mas nossos treinos não haviam incluído as longas descidas e subidas extensas em chão pedregoso das trilhas de Santo Antônio.
      Minutos e baldes de água voavam, e a FC oscilava: 70…66… 58…64… 62…68… Concentramo-nos nas jugulares, e quando chegamos a 62 no 16º. minuto, Martin, Zaca e eu caminhamos a passo de tartaruga até a entrada do vet, onde sentei numa cadeira (para incentivar Zaca a baixar a cabeça) e fiquei cantarolando musiquinhas para ele (o que ele adora). 18º. minuto, seja o que Deus quiser, lá se foram Martin e Zaca pra dentro e todos nós pendurados na fita do lado de fora. Agora os minutos se arrastavam, mas finalmente o Martin recebeu o sonhado aperto de mão do veterinário, 62 no cartão, e nós irrompemos em palmas aliviadas.


… e cruzam a reta final!!: Martin e Zacarias
Foto: Cidinha Franzão

O resto da minha tarde foi passado com gelo e eletrólitos. Mas era mais garantia do que necessidade, pois todos os cavalos estavam com aparência ótima, inclusive Zacarias, que atacava seu feno e cenouras com redobrado apetite. Vênus então, que havia feito pouco mais de 20 km, continuava com cara de quem espera a prova começar. Enquanto eu fazia o gelo, Ronnan passeava o Lasar, que de véspera ainda estivera muito quente, mas agora já conseguia fazer um belo passo na rédea longa.
A caminho da premiação, pensei numa pergunta que o Ricardo me fizera ao retornar do 2º. anel interrompido: “Por que você não faz a prova com a Vênus ao invés do Lasar, já que ela está inteirona?” Eu continuava resolvida a estrear o Lasar em pistas, pois precisávamos aumentar nosso plantel de cavalos competitivos mas… e se Ronnan fizesse a prova com a Vênus? Assim formaríamos uma equipe na Velocidade Livre, e eu não estaria sozinha na trilha. Nâo precisei de muita lábia (na verdade, de lábia nenhuma…), para convencer o Ronnan, e conversas com Ricardo e Vandinha resolveram o resto.

      De volta à premiação da regularidade; contas e estimativas feitas, sabíamos que Martin vinha de um histórico bem competitivo no Rio, mas e os outros concorrentes, incluindo a fortíssima equipe de Brasília? Chegou a vez da categoria PP, anunciaram o quinto, o quarto, o terceiro, sussurei pro Martin que ele devia ter ficado em sexto… mas eis que Martin Mastrangelo e Zacarias, do Manège Capela, são anunciados vice-campeões brasileiros de regularidade graduados, categoria peso pesado! Fizemos quase tanto barulho quanto a numerosa e valorosa delegação do Distrito Federal.
Mais tarde, descobrimos que Daniela concluiu a categoria adulto em sétimo lugar, a apenas cinco pontos do sexto. Excelente para uma estréia nas placas, e tendo ficado sozinha na trilha durante metade da prova.

Como, já acabou?? Queremos mais! – Daniela e Fayad
Foto: Hans Sturm

/./././.././././././.

Continua no próximo post! (Parte final)

criado por leschonski    23:03 — Arquivado em: Sem categoria

09 09UTC jun 09UTC AM

ENDURO DE SANTO ANTÔNIO - PARTE 02

Placas: Cavalos ficando pelo caminho
Tudo correu de acordo com os planos no primeiro anel, e apesar do previsível stress de selar todos às seis e meia. Pelo menos o tempo estava menos frio do que esperávamos – para alívio do Geraldo, nosso tratador baiano que há semanas vinha tendo pesadelos com os anunciados dois graus negativos em Campos do Jordão!

Ricardo, Daniela e Cornelia chegaram tão em forma quanto haviam largado, e em poucos minutos estavam prontos para o vet check. Fayad e Vênus, agora veteranos da velocidade livre, só faltavam perguntar quando é que a prova de verdade ia começar…

Este primeiro trio estava liberado para o descanso do intervalo quando o segundo chegou, com os cavalos estreantes batendo um pouco alto e, pior, Sabiá tendo perdido uma ferradura no primeiro terço do anel. O ferreiro foi logo providenciado, mas mesmo de ferradura nova o Sabiá continuava sentindo a mão, e o conjunto não largou para o segundo anel. Logo mais, num bonito exemplo do “espírito do enduro”, um concorrente anônimo apareceu carregando a ferradura perdida do Sabiá, que ele havia encontrado logo no começo da trilha e levado consigo pelos quilômetros afora…


Pausa para reflexão – Alexandre e Sabiá
Foto: Cidinha Franzão

E mais outro imprevisto: Corisco,sentindo o boleto da mão esquerda e eliminado por manqueira! Fiquei triste, pois o pequeno tordilho árabe, há pouco tempo em trabalho, vinha mostrando muita disposição e andaduras excelentes, e logo se tornara o favorito do Rolando. Do segundo trio, haviam sobrado apenas Martin com Zacarias.


Um conjunto de futuro – Rolando e Corisco
Foto: Cidinha Franzão

Baixas recolhidas e sobreviventes à solta no segundo anel, eu batia papo com a família Riccilucca, cavaleiros de adestramento também atuantes no enduro, quando o Geraldo veio correndo:
- A Dona Cornélia e o seu Ricardo voltaram, o cavalo tá manco!
- Os dois ?! – exclamei, e saí correndo.

Não os dois… mas o Sete, nosso pequeno appaloosa-árabe vindo do Mato Grosso, começara a sentir a mão esquerda, Cornelia decidira dar meia-volta, e Ricardo, seu parceiro de dupla, a acompanhou. Daniela e Fayad estavam sozinhos no primeiro trio!
Agora só nos restava… esperar nossos dois cavalos. Passei o tempo formulando diversas frases que começavam com “Se eu tivesse…” e “Da próxima vez…”.

Mas logo relinchos ao longe anunciavam a chegada do Fayad, clamando pelos seus amigos distantes, o que não o impediu de passar pelo vet com FC quase de repouso e uma única nota B. Daniela, após esta primeira experiência no enduro de placas, afirmava ter adorado a prova, e vibrava contando-nos sobre “a passagem no segundo perfeito” do último PC. Ela também louvava a coragem do Fayad na descida final do anel laranja, uma longa ribanceira íngreme que levaria uns bons vinte minutos para percorrer a passo. Daniela resumiu: “Olhei para frente, inclinei para trás, e deixei para ele!”.


Quase um passeio em família!
– Ricardo/Vênus, Daniela/Fayad, Cornelia/Sete
Foto: Cidinha Franzão

………………….

Continua no capítulo seguinte…

criado por leschonski    10:50 — Arquivado em: Sem categoria

NOSSA TURMA NO ENDURO - PARTE 01

Oi amigos,

neste ano de 2008, por diversas razões tivemos que adiar para o segundo semestre a nossa participação nas provas de enduro do Campeonato Paulista. Uma das razões (não a única) foi a divisão dos campeonatos de velocidade livre e velocidade limitada, significando que onde antes eu conseguia dividir um frete único para cinco cavalos, agora seriam duas viagens distintas para dois ou três cavalos cada. Façam as contas. Desde já fica aqui registrado meu voto para que o campeonato volte a ser como era.

Enquanto estamos nos preparando para o retorno às trilhas, segue para vocês o relatório das aventuras da equipe do Manège Capela no enduro de Santo Antônio do Pinhal, em agosto de 2007. Lendo o texto, até eu fiquei com saudade!! Curtam nossos sucessos e aceitem nossos fracassos com bom humor, que foi o que nós fizemos.

Aliás - ainda há vagas na equipe, para candidatos a endurista que se animarem! Escrevam pra gente!

Abraços,  boa semana,

Claudia

———————–

ALTOS E BAIXOS NA SERRA, NA SELA E FORA DELA!

A equipe do Manège Capela experimenta as dores do crescimento e os desafios das montanhas durante o enduro eqüestre de Santo Antônio do Pinhal.

Não sei se a causa principal foi a mística de Campos do Jordão, ou a gentil divulgação dada ao nosso relatório sobre o enduro de junho - mas para a prova de Santo Antônio do Pinhal, III Etapa do Campeonato Paulista e Campeonato Brasileiro de Regularidade, utilizamos todos os cavalos disponíveis do Manège Capela. Estávamos até com cavalos a menos! Após treinos, experimentos e deliberações, nosso grupo de Graduados (40 km) ficou assim:

Dupla:
• Cornelia  / Sete de Ouros; Ricardo / Vênus
Adulto:
• Daniela / Fayad
• Alexandre / Sabiá (estreante, aluno do Aurélio, do Centro Eqüestre Bom caminho, em Ibiúna)
• Rolando / Corisco (estreante)

PP:
• Martin / Zacarias (nosso amigo carioca, experiente na regularidade mas estreante no enduro de placas, com o meu PSI estreante no enduro)[

… e na Livre 1 Estrela, eu estrearia o Lasar, cruza árabe veterano de longas cavalgadas e galopes infindáveis, que carinhosamente apelidei de formiga atômica.

Com respectivas respectivas famílias, cônjuges, filhos, namoradas/os, amigos, e demais agregados, todos devidamente uniformizados, conseguimos colocar umas vinte camisetas do Manège Capela circulando pelo evento.

         Preparativos: tomem suas marcas…
         Passei o mês de julho com compromissos profissionais diversos – traduzindo um curso de working cow horse no Projeto Doma, dando uma clínica de salto na Desempenho, julgando a Equitação de Trabalho em Itapira. Tudo muito bom, não fosse o fato de que o cronograma de trabalho da tropinha de enduro estivesse a um passo do colapso! Restava-me o consolo de que a tropa de 40 km estava no ponto, e 60 km… bem, 60 km era só eu mesma, e eu faria pra terminar, terminar é vencer, paciência, né?!        

        Na última semana de preparativos, contamos com a ajuda do Ronnan, um jovem amigo vindo de Lavras, MG, para fazer um estágio cuja ênfase era para ser em adestramento e salto. Mas não foi difícil convencê-lo a se interessar pelo enduro, mesmo porque ele é estudante de educação física e triatleta amador!
        Fazia algum tempo que eu não viajava com sete cavalos, e ainda que a tropa embarcasse com tranqüilidade, para carregar a montanha de tralhas foi coisa de hora de meia! A viagem serra acima transcorreu sem imprevistos, e na tarde seguinte, sexta-feira, já familiarizávamos os cavalos com as trilhas, bem mais acidentadas do que em casa. Também nos adaptávamos à algo estranha logística do local do evento, onde os caminhões (e os equipamentos) estavam estacionados a uns quatrocentros metros das cocheiras.
             À noitinha, nossa equipe se renuiu, completa pela primeira vez. Definimos estratégias e dividimos os seis conjuntos de sábado em grupos de três, que largariam com quinze minutos de intervalo entre si, pois nos vet-checks contávamos apenas com Geraldo, Ronnan e eu mesma como mão-de-obra especializada. 

        …………………………

(continua no post seguinte!!!) -

criado por leschonski    9:08 — Arquivado em: Sem categoria

05 05UTC jun 05UTC AM

Horsey Stuff - idéias de presente

E agora nossos comerciais… :-)

Se estiverem à procura de presentes diferentes com o temas "cavalos", dêem uma olhada na nova loja virtual da Paula:

http://www.cafepress.com/horsey_stuff

Onde são oferecidos muitos ítens, de camisetas a cartões, e também coisas diferentes como macacões de bebê e sacolas, todos decorados com as belas imagens eqüestres da Paula.

Divulguem aos seus amigos, no Brasil e no exterior!

Horsey Stuff Café

Abraços,

Claudia

 

P.S.: Tem até roupa íntima… rsrsrsrs….

 

 

criado por leschonski    9:30 — Arquivado em: Sem categoria

O Medo dos Cavalos

Oi turma,

o texto de hoje é uma contribuição da Cláudia Serra, colega veterinária que desenvolve trabalhos de pesquisa no campo da etologia, ou seja, comportamento animal.

Só um lembrete de que o blog dos cavalos entusiasmados está aberto a textos correlatos ao nosso tema!

Abraços, bons dias a todos,

Claudia

…………

O cavalo e o medo

Você está sozinho em casa, o silêncio é total, e de repente a porta da frente bate, sua respiração acelera, seu coração dispara, seus músculos enrijecem. Um segundo depois você percebe que não tem ninguém tentando entrar em sua casa, era apenas o vento. Tanto nos seres humanos como nos animais, o medo tem por objetivo promover a sobrevivência. A maioria de nós não precisa mais lutar ou correr por nossas vidas na selva, mas o medo está longe de desaparecer, pois continua servindo ao mesmo propósito que servia na época em que se encontrava com um leão enquanto se trazia água do rio. A diferença é que agora carregamos carteiras e andamos pelas ruas da cidade. O medo também o=acompanha os cavalos há milhares de anos, e  teve grande importância por sua sobrevivência até os dias de hoje. Mais valioso do que entender e tratar o medo nos cavalos é preveni-lo; remoção da causa em lugar do seu gerenciamento seria a solução ideal para os cavalos. Há mais de quatro mil anos, nós temos nos acomodado com o fato de que o medo nos cavalos é tão familiar e "tão cultural". Ocasionalmente cavalos são assustados por plásticos, jornais e outros "monstros externos", que sopram através das trilhas. Um cavalo de competição deve ser acostumado com bandeiras, balões, barulhos, etc. O mau comportamento ocorre porque o animal nunca vê esses estímulos no estado de repouso e é exposto aos mesmos sem nenhuma apresentação prévia. É natural que sinta medo, que produza uma reação de luta ou fuga. Todas as reações físicas causadas pelo medo têm a intenção de lhe ajudar a sobreviver, isso é instintivo. Portanto, punir o medo ou o comportamento de luta ou fuga só contribui para o comportamento piorar. Compreender a base motivacional de um comportamento desencadeado pelo medo facilita o tratamento do mesmo e melhora o desempenho de um animal. Antes de castigar um cavalo por seu comportamento inadequado, tente entendê-lo, mas do ponto de vista do cavalo. Às vezes, o problema é muito mais simples de ser resolvido do que pensamos.

Cláudia Serra
Projeto Potro
www.projetopotro.com 

 

criado por leschonski    8:38 — Arquivado em: Sem categoria

01 01UTC jun 01UTC PM

CAVALOS À SOLTA!!

“Cavalos vieram ao mundo para serem soltos
e devem ser soltos todos os dias.”

(Aluísio Marins)

A espécie eqüina conta com sessenta milhões de anos de evolução. Há coisa de um milhão de anos, o gênero Equus desmembrou-se em seus atuais componentes – cavalos, asnos, e diversas espécies de zebras. A domesticação dos cavalos pelo homem aconteceu há uns seis mil anos. Isto significa que do prazo total de existência dos cavalos, apenas 0,01% do tempo foi passado como “servo e companheiro” do ser humano, ou ainda, que para cada ano de domesticação, a espécie eqüina tem um século de vida livre e selvagem a contabilizar.

Cavalos: domesticação recente
Em termos genéticos, isto significa que a seleção natural, tal como imposta pelas características do habitat natural dos cavalos, tem peso e significado muito maiores que toda a seleção artificial que veio depois pela interferência humana, aí incluindo a formação das diversas raças e tipos raciais de cavalos, criados por nós em função tanto de conceitos abstratos (beleza, gosto, representação social…) quanto de necessidades concretas (força, velocidade, rusticidade…). Além disto, a biologia evolutiva nos ensina que o maior motivador de todas as criaturas é o seu instinto de sobrevivência – o desejo, tornado necessidade imperativa, de fazer tudo para continuar vivo da maneira melhor e mais saudável possível, pelo maior período de tempo possível. Todos os seres vivos que hoje existem, inclusive você, eu, e todos os nossos cavalos, vêm de uma longa cadeia de ancestrais que possuíam aguçadíssimos e eficientes instintos de sobrevivência. Se assim não fosse, nenhum de nós estaria aqui: nossos ancestrais não teriam conseguido deixar descendentes.
E para um cavalo selvagem, o grande herbívoro nômade das estepes, quais eram os comportamentos que otimizavam a possibilidade de sobrevivência? Eles podem ser resumidos numa única frase:
Andar e pastar na companhia de outros cavalos.

Por quê? Antes da domesticação, os cavalos já eram animais de grande porte – nem sempre tanto quanto as atuais raças domésticas, mas grandes o bastante para precisarem de grande quantidade diária de nutrientes. Eles evoluíram tendo por alimento principal as gramíneas de estepes, savanas e pradarias, disponíveis em grande quantidade, porém espalhadas ao longo de grandes territórios. Isto significa que os cavalos precisavam pastar durante o dia todo, e também estar em permanente deslocamento em busca de seu alimento – do contrário, não conseguiriam ingerir todos os nutrientes de que precisariam para sobreviver. E sem disporem nem de chifres para defesa e ataque, sua maior arma de sobrevivência passou a ser a velocidade e a rapidez de reflexos. Além disso, o grupo representava segurança vital para os seus integrantes, já que herbívoros isolados dos seus sempre são os alvos favoritos dos predadores em busca de caça.

O que um cavalo deseja?
É fácil entender que, ao longo de sessenta milhões de anos:
• Cavalos sem condições ou sem vontade de andarem e pastarem durante até vinte horas diárias morriam cedo, e sem deixar descendentes.
• Cavalos “individualistas” que não apresentassem um comportamento gregário (ou seja, a preferência pela vida em grupo) acentuado eram alvo mais fácil de predadores, e deixavam menos descendentes, até que a característica de “gosto pela solidão” se extinguisse da população.
• Cavalos lentos, que não fossem desconfiados e que não fugissem a toda a velocidade ante o menor sinal real ou imaginário de perigo morriam jovens…
• … e assim por diante.

E de repente chegou o ser humano literalmente colocando o mundo dos cavalos de pernas para o ar. Inventamos de colocar nossos cavalos em confinamento solitário e alimentando-se com pequenas refeições de alimento concentrado, exatamente como se fossem eles, e não nós, os descendentes de trogloditas (= habitantes das cavernas). E desde então veterinários e profissionais do cavalo em geral ouvimos perguntas do tipo:

• O que faço para meu cavalo parar de comer esterco?
• Como curar a aerofagia?
• Meu cavalo é muito nervoso, e eu queria um freio para fazê-lo obedecer melhor!
• Tenho um cavalo que morde e escoiceia, tanto pessoas quanto outros cavalos. Que remédio posso dar para acalmá-lo?

 

É sintomático da nossa época acelerada, movida a estimulantes de manhã e tranqüilizantes à noite, que as pessoas em geral procurem soluções rápidas e simples para estes problemas de seus cavalos, sejam vitaminas, “injeções” em geral ou embocaduras mais severas. Mas em primeiro lugar elas precisam dar-se conta de que muitos distúrbios dos cavalos – físicos, psicológicos ou uma combinação de ambos – são a resposta eqüina às três necessidades básicas e inter-relacionadas:
• Preciso comer
• Preciso andar
• Preciso ficar com outros cavalos

O cavalo que pratica a dança do urso, por exemplo, “faz de conta que está andando”; a aerofagia e vários tipos de apetite depravado, tais como a coprofagia, são a tentativa de passar mais tempo ingerindo alimento, especialmente fibras; e a agressividade e distúrbios de comportamento em geral costumam resultar da falta de convivência social com outros cavalos. Tal como um prisioneiro que tenha por muito tempo ficado encarcerado na solitária, nossos cavalos se tornam psicopatas, às vezes de forma irreversível, pela privação do contato com seus semelhantes.

Como resgatar a motivação eqüina?
Está claro que um animal destes, desequilibrado, enfraquecido e infeliz, não chegará nem perto de patamares ideais de desempenho – seja no trabalho, no lazer ou na competição. Para que um cavalo apresente rendimento na hora diária de trabalho que dele solicitamos, é necessário que as vinte e três horas restantes de seu dia tenham pelo menos alguma semelhança daquilo que ele, acredito, escolheria fazer se não existisse em nossa função e para nos servir.

E o que ele faria? Provavelmente… andar e pastar na companhia de outros cavalos.

E antes que alguém me escreva dizendo que “é impossível proporcionar liberdade plena ao meu cavalo”, permitam-me observar que existe o ideal e o possível. O ideal é utópico, inatingível por definição. Mas o possível depende de cada um de nós, dos compromissos entre nossas expectativas e as necessidades intrínsecas de nossos cavalos que estejamos dispostos a fazer. Só que às vezes acabamos usando o fato de que o ideal é impossível como desculpa para não fazermos nem o que seria possível. No caso, fazer um piquetinho para soltar os cavalos nem que seja algumas horas por dia, oferecer-lhes mais volumoso (feno, levar para pastar, capim cortado) enfim, permitir-lhes que sejam, mais que nossos corcéis mágicos, belos e poderosos… apenas cavalos.

criado por leschonski    13:34 — Arquivado em: Sem categoria
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://leschonski.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.