CAVALOS ENTUSIASMADOS

Textos, fotos e filosofanças de Claudia e amigos sobre o mundo dos cavalos, e os mundos aos quais o cavalo nos leva.

26 26UTC jul 26UTC PM

ADESTRAMENTO PARA A NOVA ERA

Oi turma,

 

a dica de livro desta semana é a respeito do livro "Adestramento para a Nova Era",  da autoria de Dominique Barbier e publicado no Brasil pela Ophicina Books. Vejam mais a respeito em

 

http://www.ophicinabooks.com.br/lancamentos.php .

 

Sempre estamos comentando sobre a falta de livros sobre cavalos, especificamente sobre equitação, publicados no Brasil. A literatura disponível em nosso país e no vernáculo é escassa, e geralmente limitada ou um tanto antiquada.

 

 

Uma das razões pelas quais isso acontece é simplesmente o pequeno mercado - em outras palavras, poucos compradores para os livros existentes, o que não anima as editoras a renovarem edições já existentes ou traduzir novas obras editadas na América do Norte ou em países europeus. Simples questão da lei da oferta e da procura.

 

Por isso mesmo, faço questão de recomendar a vocês o livro do Barbier, que é provavelmente o melhor e mais moderno (diria até heterodoxo…) já publicado no Brasil sobre adestramento clássico. Num país carente tanto de bons livros quanto de bons mestres de equitação (e creio que as duas coisas estão interligadas), o melhor incentivo que nós, público, podemos dar para termos acesso a mais e novas obras sobre cavalos & equitação, é este - consumir os bons livros existentes!

 

Pensem nisso, leiam, comprem, recomendem o livro "Adestramento para a Nova Era". Vejam abaixo um breve trecho da introdução:

 

Neste mundo acelerado, muitos esquecem a calma e a cura que o cavalo oferece. Esquecem da magia do centauro - a unidade entre homem e cavalo. Felizmente, em todo o mundo, muitos estão retornando ao que é essencial, ficando mais conscientes de que o bem-estar de seu cavalo é tão importante quanto o seu próprio. O que chamamos de "Nova Era" é a conscientização de que dividimos o mesmo mundo, e que devemos participar ativamente da construção de um mundo melhor. Sem qualquer sombra de dúvida, o cavalo será parte integrante deste mundo. E se o tratarmos com amor e respeito, ele nos ajudará, e nos curará. Cavalos nos ensinam a pedir sem agressão, a amar sem condição, e a evitar o lado destrutivo da perfeição. Ensinam-nos a sublimar-nos através de dividir, dar e curar. Ensinam-nos a desfrutar de cada momento por sua novidade e encantamento, e a manter-nos fiéis às melhores tradições do passado.

 

E ainda este trecho, muito alinhado com a idéia dos "cavalos entusiasmados", lembrando a vocês que a raiz etimológica de "entusiasmo" é "ter Deus dentro de si":

 

Também acredito que os cavalos são os mais próximos de Deus de todos os animais. Cavalos são cármicos e chegam às nossas vidas carmicamente, quando chega a hora de realmente aprendermos. Não podemos perder esta oportunidade de aprender, pois isto irá enriquecer outras áreas de nossas vidas. Quando você se sentir frustrado durante este processo de aprendizado, não fique bravo com seu cavalo. Lembre-se do velho provérbio árabe que diz, "seu cavalo é seu espelho". (Dominique Barbier)

Ndzinji Pontes, um dos colaboradores da publicação brasileira de "Adestramento para a Nova Era", lecionando com Thor Função.

 

Enfim, se vocês nunca leram um livro sobre equitação na vida, sugiro que comecem por este. Se pretendem ler um único livro sobre cavalos este ano, leiam este.

 

Abraços,

 

Claudia

criado por leschonski    21:17 — Arquivado em: Sem categoria

24 24UTC jul 24UTC PM

CAVALO WESTFALEN X HORSEMANSHIP TUPINIQUIM


Na terceira parte do diário da clínica de CCE da qual participei na Alemanha em junho de 2005, saibam como decorreram minhas iniciativas de ensinar boas maneiras a Flash, o cavalo a mim designado…

Por causa do calor, Hanno recomenda que eu dê uma ducha de corpo inteiro no cavalo. Quando volto com Flash da pista para o pavilhão de cocheiras, todos os quatro corredores pululam de criancinhas da escola de equitação, não consigo encontrar nenhum cabresto. Colocar o cavalo na baia passando entre crianças e cavalos, tirar o material e colocá-lo num canto onde Flash não consiga roê-lo, depois tirar as caneleiras sem ser mordida nem atropelada, por causa da refeição de feno que aguarda o cavalo impaciente; remover o material da baia sem esquecer o aviso na porta de “cavalo fugitivo”; tudo isso já são movimentos que precisam ser estrategicamente planejados. Acho um cabresto abandonado na entrada do andador mecânico e roubo um cabo de um outro cavalo que acabou de ser montado por uma inocente criança da escolinha. Tirar o pobre Flash do feno para o banho são quarenta metros plenos de empacamentos e de criancinhas; a presença destas impede a correção drástica daqueles, como eu gostaria de fazer.

Peço licença a uma senhora que está preparando seu cavalo para passar por ela e colocar Flash na ducha. Ele se recusa; eu puxo; ele puxa. Ele ganha. A senhora oferece ajuda, eu aceito, o cavalo entra na ducha e eu o faço virar para colocá-lo entre as duas argolas, olhando para o corredor, como é praxe por aqui. Assim que o viro, Flash sai da ducha sem ligar a mínima para a minha presença. Ele se recusa a entrar de novo. A senhora me ajuda novamente, e passo o cabo do cabresto pela argola dos fundos da ducha, sem amarrar, pois o cavalo ameaça estirar. Começo a dar o banho de corpo inteiro, logo me entusiasmo e aumento a pressão da água. Flash estira, me arranca o cabo da mão e escapa para o corredor. Depois de me ajudar novamente, a senhora me oferece seu chicote, de modo que com uma mão seguro o cabo do cabresto e levanto o chicote, com a outra dou banho com a mangueira de pressão reduzida. (Enquanto isso, o cavalo da senhora, um alazão bonito e gordo, fica placidamente parado ali na frente da ducha, sem se mexer, nem usar cabresto. A mim só resta sorrir amarelo, elogiá-lo e dizer que o meu, em casa, também é assim. Ela comenta que deu muuuuito trabalho até o cavalo dela chegar àquele ponto.)

Barbara e sua potra durante a aula de cross


Terminada a ducha, o cavalo me arrasta para fora do cubículo e quer tomar o rumo da cocheira. Quando tento controlá-lo, ele me empurra, de verdade, para dentro da parede, avançando calmamente de frente, como um desses elefantes indianos que trabalham puxando madeira. O tempo todo, não esqueça, criancinhas olhando, de modo que de tudo que ele merece, só ganha o cabo do cabresto na cara. A muito custo, consigo deixá-lo de cara para uma parede, e a expressão dele me diz que ele sabe estar “de castigo”. Não vejo nenhum rodinho, e o cavalo está pingando. Depois de alguns minutos, o movimento baixa e consigo pedir a outra moça, munida de chicote de guia, que me ajude a colocá-lo na ducha mais uma vez. É uma ação temerária, pois Flash parece que vai explodir a qualquer instante. Ele entra, ele sai, ele vai pra cocheira pingando mesmo. Chega de Flash por hoje. O adestramento amanhã vai ser uma delícia. Sem esporas.

Após tomar um litro de água e estimar em trinta por cento a chance de ter adquirido uma queimadura de sol, com filtro e tudo, vou assistir um pouco a aula da segunda turma. Dificuldades semelhantes às nossas, os cavalos trabalham bem no “longo e baixo”, mas o pessoal não tem muita noção de distância, deixando os cavalos correrem no final ou mesmo tocando-os para dentro. É engraçado que em clínicas com alunos de nível comparável, no Brasil, sou melhor que a média no adestramento e mediana pra menos no salto. Aqui, pelo menos por enquanto, parece se delinear o contrário.

Flash e eu num (raro) momento de dinâmica harmonia!!

Ainda segunda 20.06
Fim de tarde

“Stalldienst”, stable duty, para todos às 17.30. Para nós alunos temporários, isto significa varrer. Já faz tempo que um vassourão parecia tão parte de mim quanto minhas mãos e meus braços (e muito mais que as rédeas), e creio que terei ganho bolhas e calos até o fim da semana. Com luvas e tudo, Flash também contribuiu seu quinhão para tanto. Depois das 18 hs, dou uma enroladinha, começo a tirar fotos, lá pelas tantas agachando-me no corredor externo ao picadeiro coberto, para pegar um melhor ângulo da “máquina de condução do sistema Achenbach”, essencial para a formação de condutores de atrelagem esportiva. Infelizmente, me levanto justo quando um cavalo de um aluno passa ali do lado, e nem preciso me virar para ver – o barulho descreveu a passarinhada e o tombo. Por sorte é um senhor, não uma menininha. Mas esta talvez não teria caído. Fico tão sem graça, que além de “putz, acho que a culpa foi minha” nem sei o que dizer. Não que ele se digne a me responder, ou a olhar para mim. O status dele como iniciante fica confirmado pela montada enérgica que ele tenta dar, querendo se alçar à sela que prontamente termina de virar. Como ainda quero terminar de fotografar a máquina de condução, e nem quero dar a impressão de estar fugindo, fico enrolando por ali durante os longos minutos que o cavalheiro leva para soltar a barrigueira, ajustar a sela, montar novamente.

Depois, são 18.25, e descubro consternada que a cantina para alunos e aprendizes fica aberta para jantar até 18.30. Não tomei banho, estou morrendo de calor, e de qualquer modo o dia começa a escurecer por volta das 22.30. Jantar!?? Mas se paguei pensão integral, o negócio é encarar. Almôndegas excelentes, pãezinhos semi-novos e três tipos de salada de que não gosto, variantes de “maionese”: de macarrão, de batata e de ovos. Verdura que é bom, nadinha. A solução é comer uma almôndega e contrabandear outra, num pãozinho envolto em guardanapos, para o quarto para consumo posterior.

O longo fim de tarde que me aguarda parece algo deprimente, mas é um dos beneficios adicionais de estar aqui. Sem carro, sem celular, sem amigos por perto. Nem descobri ainda se, nestes tempos modernos, ainda existem orelhões nas proximidades. Há quanto tempo eu não ficava assim, eu e minha máquina de escrever sem nada mais para fazer nem outro compromisso senão botar os escritos e as leituras em dia? Pois é, há tanto tempo que ainda era uma máquina de escrever. Deus abencoe meu laptop e dê a ele tanto uma longa vida quanto um sucessor digno.

A cidadezinha está perto, esqueci de comprar sabonete, também nada me impediria de tomar um trem ou um ônibus e ir passear alhures, nas longas noites do verão local. Mas hoje preferi ficar aqui, dar início a este texto. E se nos dias seguintes também for assim, e eu conseguir produzir um texto contínuo, tanto melhor. Por enquanto, só o silêncio, o sol se pondo lentamente, passarinhos ao longe, à frente da minha janela, sem saber que os observo, pedestres com cachorros, casais ciclistas de meia-idade, a garotada do cavalo andando de bicicleta com botas e chicotes longos na mão. Ainda agorinha, duas aprendizes retornando de um exterior, os cascos dos cavalos quase em uníssono nos paralelepípedos, já identifiquei ambas de vista: uma de cabelo vermelho sempre coberto por um lenço, a outra, de boné, trabalha muitíssimo. Deve ter montado uns seis ou oito cavalos hoje – na hora do almoço, entre aulas que ela mesma ministrava, agora no fim da tarde. E ela também estava varrendo com a gente.

Meus aposentos em Langenfeld. Na tela do computador de então, a versão original do mesmo texto aqui reproduzido…

Pois é, eis-me aqui, o clássico escritor no exílio. Não fossem as mãos vermelhas (vassoura) e os ombros vermelhos (sol), até eu acreditaria. Mas talvez daqui a pouco eu vá procurar um telefone público.

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criado por leschonski    13:26 — Arquivado em: Sem categoria

21 21UTC jul 21UTC AM

FLASH A GALOPE! (Verão alemão de 2005, parte II)

Oi amigos,

confiram abaixo mais uma parte das minhas aventuras e desventuras durante uma clínica de CCE da qual participei na Alemanha, em junho de 2005…

Abraços, boa semana,

Claudia

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Aquecimento com Flash, enquanto Hanno está de olho no aluno seguinte…

Meu cavalo. Um capítulo à parte. Flash, um westfalen alazão, com  uns 1,75 m de altura. Não tive tempo (ou paciência?) de olhar-lhe a boca, mas deve ter entre 10 e 14 anos. Grande, forte, bem proporcionado, cabeça bonita. Na listagem dos cavalos do pavilhão 4, onde estamos, constam as particularidades de cada animal, tais como “colocar a sela bem para frente” ou “usar protetor de barrigueira”. Para Flash, está escrito “não permitir que coma couro”. Na cocheira dele, no quadrinho reservado para a genealogia do cavalo, vem o alerta em letras garrafais: “MANTENHA A PORTA SEMPRE FECHADA, TAMBÉM ESTANDO DENTRO. O CAVALO FOGE.” Olho em volta – mas não, só Flash tem a auspiciosa mensagem.

É um cavalo de escola com vinte anos de praia, por assim dizer. No corredor, ele empaca e me olha com desdém. Na área de escovação, fica me empurrando ou me arrastando em busca do feno próximo. Quando vou levantar os cascos de trás para limpeza, ele finge dar um coice. Quando tento escová-lo amarrado, para ter mais controle, ele fica quieto por uns minutos, depois estira sem razão aparente, mas de maneira estranhamente controlada, meio me olhando, como avaliando a minha reação. Quando solto da parede o cabo de cabresto, ele continua tão quieto como antes. No encilhamento, as reações dele se limitam a tentar me morder e a levantar a cabeça para escapar da cabeçada. Depois, ele empaca no caminho do pavilhão até a pista. Nisso tudo há mais premeditação do que maldade em si (medo com certeza não é!) como se ele quisesse me classificar em seu sistema particular de separar o joio do trigo, vale dizer, os aluninhos de escola das pessoas mais experientes. Ele também tem um caso avançado de podridão em todos os quatro sulcos de ranilha, coisa comum em cavalos de escola por aqui: a lei de limpeza de cascos existe, mas é apenas superficialmente fiscalizada e executada. Além disso, o piso é geralmente úmido.

Fora estes detalhes, as condições de vida dos cavalos, mesmo sendo de escola, são excelentes. Nem sei porque Flash é tão mal-humorado. Não apenas cabeçadas, porém selas individuais por cavalo, Flash tem até duas, uma de salto e uma de adestramento. Pilhas imensas de feno, complementadas pela palha da cama. Todas as cocheiras do estabelecimento, sem exceção, têm solários individuais, que nesta época ficam abertos permanentemente, permitindo aos cavalos entrar e sair da cocheira a seu bel-prazer. É verdade que não tem muito espaço, mas  é o dobro do que seria antigamente. Sempre conseguem tomar sol e ficar em companhia uns dos outros. É bem fácil de observar que as cocheiras ainda foram construídas no sistema tradicional, e a adaptação dos piquetes-solário individuais é recente, bem em consoância com os princípios de manejo correto e ético tão divulgados nesta cultura eqüestre, e que chegam a ser exigência do consumidor. Além disso, é claro que esta escola precisa funcionar como modelo, neste estado da federação alemã que tem o maior número de cavalos, de cavaleiros e de competições.

Cocheiras com solário, um tipo de instalação que na Alemanha está em vias de se tornar obrigatório, como forma de aumentar o bem-estar dos cavalos.

Uma vez na pista, Flash está bem mais animado do que eu esperava, especialmente após os conselhos recebidos, de montá-lo com chicote e espora. Aproveito o aquecimento a passo, enquanto o instrutor não vem, para me apersentar a meus quatro colegas. Karin trabalha no escritório da Federação e conseguiu uma semi-dispensa para participar da clínica, estando porém comprometida a tocar normalmente seus trabalhos administrativos; ela também monta um cavalo de escola. Barbara trouxe sua potra de cinco anos, ainda bem crua. Phillip é um garoto de uns 17 anos, que tem um cavalinho leve, estilo meio inglês, enquanto o rapaz tem pinta de cavaleirinho de salto. Mike  é um amador de trinta e tantos anos, que trouxe um belo castanho escuro. No geral, estou contente pelo fato do grupo não cair nos dois extremos que eu estava temendo – nem adolescentes apenas nem uma turma de cavaleiros profissionais ou semi, afiadíssimos.

Enquanto isso, Flash se assusta, ou finge que, com todos os banners ainda colocados nas cercas, por causa das provas do fim-de-semana. O contato de frente dele é até bom, mas estranha minha mão alta. E claro, o comentário do Hanno não tarda. Aliás, passo logo toda a lista de observações e correçoes que ele fez a meu respeito, ao longo da aula.

- Mãos altas demais, rédeas tendendo a longas
- Movimento e uso excessivo das mãos
- Falta de ação da perna interna / perna interna muito para trás
- Posição em lordose – coluna muito arquada para frente
- Saindo demais na sela durante a posição de equilíbrio
- Falta de tranquilidade (no geral)

Alguns destes são meus vícios e problemas de sempre; outros, resultantes da minha mudança recente de estilo (mãos altas), iniciada pelo Riccilucca e confirmada pelo Duto. Aqui, eles dão muitíssimo valor à distensão do cavalo longo e baixo, e de alguma maneira ainda não captei quando acontece a transição para aquilo que o Riccilucca chama de “média escola”. Talvez precisasse ficar mais tempo por aqui.

Hanno resolve que as esporas da Cornelia são demasiado afiadas, e me deixa sem as mesmas. O entusiasmo de Flash diminui um pouco, a não ser quando nos aproximamos dos temíveis banners publicitários. Logo, no trabalho de galope, que Hanno quer ver em posição de equilíbrio porém solicitando frente longa e baixa (ou seja, rédea longa), Flash resolve dar uma disparadinha, que consigo controlar sem chamar a atenção do professor (espero). O cavalão tem a manha de entortar a cabeça para o lado, desgovernar a frente e encolher o círculo, e logo o Hanno começa a berrar que está faltando perna de dentro.

No salto, os pontos críticos são tanto meus velhos conhecidos quanto novos:

- Me jogando da sela / subindo demais
- Falta de retidão na abordagem
- Falta de uso da perna externa saindo da curva, e que logo em seguida vira a nova perna interna, para indicar a mão de recepção do salto
- Seguindo pouco a boca do cavalo no salto / na recepção.

No lado positivo, estou sempre olhando para a frente e para cima, nunca para baixo, e consigo (ou tento) incorporar logo as alterações que Hanno pede. O ritmo do Flash sobre o círculo com cavaletes – o mesmo exercício que no Brasil usamos com freqüência - é constante, e erramos poucas distâncias, ainda que (claro) por uma ou duas vezes Hanno comente que estou segurando demais. Encerramos com uma linhazinha, cinco normais, um quique, cinco mais curtos. Tudo isso a 0,50 ou 0,60 , bem entendido, acho que a armação de percurso cheia de coisas a 1,10 só foi pra nos impressionar, mesmo. Pelo menos no dia de hoje. O salto final é diretamente “para dentro”, opticamente falando, de um banner, vermelho!, da Caixa Econômica local. Flash vira uma minhoca nestes últimos lances, mas consigo controlá-lo. Karin, que divide a aula comigo, não tem tanta sorte com seu cavalo mais novo, e precisa repetir a linha mais vezes.

Barbara, Mike e Philip recebendo instruções de Hanno.


No geral, fiz as pazes com Flash ao fim da aula, achando que poderia ter sido muito pior. De fato, o pior me espera na figura do banho.

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(Continuem blogados para saber como foi o banho do Flash…)

criado por leschonski    9:30 — Arquivado em: Sem categoria

14 14UTC jul 14UTC AM

Era uma vez um verão: Alemanha, 2005

Oi turma,

Esta semana um texto um pouco diferente. Seguem abaixo algumas partes do diário de um curso intensivo de CCE (concurso completo de equitação) do qual participei há três verões, na Alemanha. No friozinho de julho, as lembranças das longas tardes do verão alemão são sempre nostálgicas… mas não tenho muita saudade do meu cavalinho daquela época, o querido Flash! Leiam e confiram.

Claudia

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Langenfeld, 20 de junho de 2005 (2a-feira)
Federação eqüestre estadual - Rheinland
Escola estadual de equitação - NRW

Esta era a situação.

Minha primeira semana por aqui (viagem comercial à Alemanha, em junho de 2005) estava terminando de acordo com a programação, com contatos proveitosos para todos os envolvidos. Nosso hóspede brasileiro desejava, no sábado, assistir a um campeonato nacional de marcha (sim, isso existe), que haveria num local próximo, coisa de quatrocentos cavalos inscritos. Descobrimos na última hora que este campeonato seria no fim-de-semana seguinte, e que naquele dia a única alternativa em termos de marcha era uma prova menor, a uma distância meio impraticável. Assim, Cornelia e eu convencemos nosso amigo a ir assistir o Campeonato Estadual de salto e adestramento.

Haras Estatal de Warendorf: um templo do cavalo

 

Foi um sucesso considerável, levando em conta que nosso hóspede não tem conhecimento maior das modalidades do hipismo tradicional. O tempo ajudou: era um lindo sábado de céu azul, temperaturas quase brasileiras, e barraquinhas diversas vendendo de selas a balas de goma. Assistimos a um pouco de salto e a uma prova de adestramento, categoria máxima.
O ponto interessante é que os Campeonatos aconteciam na propriedade que abriga tanto a Federação Eqüestre quanto a Escola de Equitação daquele estado, escola onde se realizam tanto aulas convencionais quanto cursos profissionalizantes, além de concentração de equipes, seminários técnicos, etc. Imagine uma Universidade do Cavalo em proporções alemãs que é mais ou menos isso. E o diretor da escola desde o princípio de 2004 é o nosso dileto amigo Hanno Vreden. Este “mestre cavaleiro” foi durante algum tempo o treinador de alguns dos melhores cavaleiros brasileiros de CCE, vindo ao Brasil umas quatro vezes por ano para treinar o grupo. (“Mestre” é um título oficial por aqui, vinculado a uma série de exames e qualificações, mais ou menos como um doutorado em equitação).

 

Até então, os meus planos para a segunda semana de Alemanha, livre de compromissos oficiais, eram convencionais: visitar amigos, aproveitar o maravilhoso verão, fuçar livrarias, visitar museus e exposição, fazer umas comprinhas, talvez passear de bicicleta por aí. Inteiramente livre e com um pouquinho de dinheiro para gastar em passeios e compra de lembrancinhas.

 

Mas… no domingo à tarde, eu folheava os folders coletados na prova de sábado. Um deles, “programação de cursos para 2005”. E não é que havia lá um curso de Concurso Completo, de segunda a sexta, aberto a interessados em geral? Não importava que meu vôo partiria no sábado seguinte (no dia após o curso). Pensei, enrolei, troquei idéias com Cornelia, e liguei pro Hanno perguntando se havia tempo para me inscrever. Altamente irregular, neste país, para um curso que começaria no dia seguinte. E ainda por cima, a priori reservado para cavaleiros com cavalo próprio. Mas Hanno demonstrou pragmatismo alemão e jeitinho brasileiro na sua resposta de três palavras:

 

- Claro, pode vir.

 

E vim. Adeus férias, até a próxima amigos, bye-bye dinheiro economizado. Tudo virou esta clínica de cinco dias, reciclagem internacional, sei lá. Por incrível que pareça, descontando umas aulas de grupo lá por 1989 (o equivalente local à nossa escolinha de equitação), nunca tive aulas formais de equitação aqui na Alemanha. Também não estou certa do que mais me motivou a esta decisão:

 

a) Aprendizado próprio
b) Transmitir novos conhecimentos aos alunos
c) Currículo e certificado (imagina um certificadinho em alemão, com o selo da toda-poderosa FN alemã…

Provavelmente um pouco de cada coisa. O que sei é que terei um revival de cinco dias daquilo que foi meu modus vivendi durante a maior parte de 1991: cocheira alemã, molecada no curso profissionalizante, vassouras e escovões aos montes. Só que desta vez estarei montando (e por isso mesmo, pagando ao invés de ganhando dinheiro). Será que meu pique continua o mesmo? Sexta à tarde saberei. Sábado, embarque logo cedo. O que sei é que, eu sendo eu, a cada dia da minha hipotética semana de férias e passeios, eu estaria pensando: putz, queria ter feito o curso, queria ter feito o curso.

O começo do primeiro dia (2a, 20 de junho)

Hoje pela primeira vez o calor foi respeitável também para nossos padrões, acima dos trinta graus em exposição direta ao sol. Cornelia me trouxe de Bonn para cá; no almoço ela ainda me levou ao mercado para comprar roupa de cama, que eu não havia nem pensado em trazer. Comprei também um bom suprimento de água mineral, e um tantinho de chocolate para prêmio de consolação.

O alojamento é bacana, ainda que tenha o nome um tanto depressivo de “internato”. Quartos com banheiros individuais e mobília harmonizando entre si, um ponto acima do que normalmente se encontra por aqui. É que este não é o alojamento dos aprendizes (o pessoal do curso profissionalizante de três anos), porém dos de cursos curtos e clínicas. Além disso, serve de concentração às equipes estaduais.

De manhã, só um bate-papo de apresentação, depois ficamos suando armando o percurso (a primeira aula será de salto). Hanno coloca uns obstáculos respeitáveis, mas a condução, linhas e distâncias são muito similares ao que a gente faz por aí. Há apenas cinco alunos na nossa clínica, a qual teve, segundo consta, diversas desistências de última hora, por certo uma das razòes que facilitou minha inscrição de última hora. Mas na armação há um grupo adicional de gente participando, as habituais garotas de 17 a 21 anos almejando tornar-se cavaleiras (ou seria amazonas?) profissionais, e que são treinadas e educadas em centros como este.

Após o almoço, gostoso ainda que muito alemão (batata cozida com vagem, batata frita, salsicha branca grelhada com molho picante), principiamos pela aula teórica, por causa do forte calor. A sala de aula é bonita e limpa, mas o Hanno realmente ainda dá aula com projetor de transparência! E as transparências são novas, pois já falam do regulamento atual de CCE, que é o tema desta aula. Abordamos também condicionamento, importância da equitação básica de qualidade manifestando-se em ritmo e equilíbrio, e as famosas questões de linhas e combinados, e de “presented or not presented?” da fase de cross.

Com Flash num momento de harmonia… capacete estiloso e tudo…

Estou meio fraca de equipamento – usando um capacete novo, comprado em liquidação, mas que não serve muito bem. Em vez de botas, creio que estou desfilando o único par de perneiras (com franjas, do tipo que o Ruyzão usava antigamente) do modelo antigo do Carlinho da Botina jamais vistas aqui na Landesreitschule. Esporas, emprestei umas da Cornelia,e chicote achei que teria por aqui. Ledo engano. O colete de cross, claro, também vou ter que emprestar de alguém, mas isso não deve ser difícil, pois as colegas e outras garotas por aí têm se mostrado bastante atenciosas e sorridentes. Bem-educado por aqui é a regra, mas sorridente é outro departamento.

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(Continuem antenados no blog para saberem como correu minha primeira aula com o Flash … )

Colegas de curso aquecendo para o treino de cross

criado por leschonski    11:28 — Arquivado em: Sem categoria

08 08UTC jul 08UTC AM

Pra não dizer que não falei de… cãezinhos!

Desta vez, o "post publicitário" é em causa própria e nem é sobre cavalos, mas sobre cachorros, provavelmente o "segundo animal favorito" da maioria das pessoas apaixonadas por cavalos. Circunstâncias do momento me levam a lançar este pedido a vocês, amigos leitores. Obrigada!  :-)

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Sexta-feira passada, indo do quarto para a sala, misteriosamente deparei com esta criaturinha tremendo no meu sofá:

(O sofá já não está lá muito limpo porque os quatro cães aos quais eu pertenço o utilizam quando em períodos de carência, apesar de minha enérgica proibição neste sentido. ) 

Gordinho, saudável, macho, uns dois para três meses de idade, morrendo de medo mas querendo ser amistoso. Um perfil um pouco diferente dos vira-latas abandonados em geral por aqui. Deverá ficar tamanho final de pinscher (fox paulistinha), calculo eu, tipo físico idem.

Fui especular com os vizinhos, e descobri que um garoto de passagem o soltou aqui na rua, e por misteriosas razões, ele (o cãozinho, não o garoto f.d.p.) veio ter direto no meu sofá.

Curtindo o sol da manhã: Pimenta, Lalá, Lili e o novato sem nome. Cabelo nos fundos. Todos eram cães de rua.

Turma, moram comigo quatro cães e um gato, TODOS recolhidos da rua, quer dizer, a Lili o vigia noturno jogou para dentro de meu quintal ("achei que você ia gostar"…) e o Cabelo começou a me seguir espontaneamente. Ter dois cães e um gato  é a minha meta.

Gostaria de achar um lar também para a Lalá, que agora tem cinco meses, vai ficar pequenina quando adulta, é muito carinhosa e boa vigia (alertando os demais). Por outro lado, ela é um ETzinho tão estranho (não ouso chamá-la de feia) que até agora eu não tinha tido a coragem de oferecê-la, mas quem sabe ela faz o tipo de alguém? A maior beleza (externa) da Lalá é seu pêlo curtinho e brilhante, e a carinha alongada que a faz parecer um daqueles cachorrinhos do McDonalds. Ainda não foi castrada, mas isto pode ser providenciado rapidamente.


Lalá é tímida, por isso tive que pedir ajuda de Andressa para tirar a foto de baixo. Já na foto de cima vocês podem ver que Lalá é a melhor vigia da equipe - sempre alerta enquanto os outros ainda estão dormindo-ou-quase.

Também gostaria de dar a Lili a quem a quiser, para chegar na minha meta de dois cães. Ela nasceu em janeiro de 2007, está comigo desde bebê, e já foi castrada. Ela deve ter uns 25% de labrador, com pernas relativamente curtas, apetite voraz, temperamento gentil e paixão por água (adora nadar na lagoa). Ela é um bom cão de guarda por estar sempre alerta, mas não é nada feroz. O tamanho e porte dela é de um labrador pequeno.

As circunstâncias do momento fazem com que terei de passar muitos dias fora de casa ao longo das próximas semanas. Como moro sozinha, a minha fiel diarista vai cuidar dos bichos na minha ausência, mas cinco cães é definitivamente demais, sob todos os aspectos. Passei um fim-de-semana pensando em alternativas, inclusive naquelas que ninguém gosta de pensar nem mencionar, mas são impossíveis, né??? Estes bichinhos já foram tão desapontados e traídos em suas curtas vidas que eu não poderia trair de novo a esperança deles.

 


Quando se sente protegido por Lili, o novato sem nome mostra uma bela expressão. Ele só precisa superar o trauma do abandono anterior.

 

Entrego qualquer um dos três em São Paulo, Sorocaba, Itapetininga e regiões, vacinados e vermifugados e com um saco inicial de ração, se a pessoa quiser.

Todos eles são acostumados ao convívio com gatos, graças aos heróicos esforços do Zulu.

Pimenta (dona do rabo da foto de cima), contumaz perseguidora de gatos, acabou se rendendo aos encantos de Zulu. Já para Lili (vide embaixo, foto tirada em março) isto foi mais fácil, pois ela se afeiçou ao gatinho, na época com três semanas de idade, no momento que ele chegou em casa.

 

Estão habituados a ração das categorias médias (Nero, Champ, etc.)

Além das candidaturas a adoção, agradeço qualquer dica e idéia, e desejo a todos uma boa semana. Podem se manifestar aqui mesmo, nos comentários do blog.

Abraços,

Claudia

criado por leschonski    7:32 — Arquivado em: Sem categoria

01 01UTC jul 01UTC PM

A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR…

 

Qual a pergunta que faço  há dez anos em cursos, rodas de conversa e em debates via internet, e cujas três respostas mais freqüentes são:

a) “não tenho idéia”

b) silêncio…

c) “um saco de cenouras”

???

Já vou  avisando que a resposta dela costuma ser difícil, e às vezes é desconfortável.

Qual é a misteriosa pergunta? Simplesmente:

“O que você representa para o seu cavalo?”

A origem desta pergunta é o seu complemento, formulado com mais freqüência e, por causar alegria, para a maioria das pessoas é bem mais fácil de responder: 

“O que o seu cavalo representa para você?”

A peculiariedade inerente aos animais da espécie Equus caballus é que eles são  um arquétipo para a maioria das pessoas, ou seja, um

personagem que se assume como modelo mítico do imaginário de um povo, que está acima de um modelo real.

(A definição não é minha, mas veio do “Glossário de Teatro a partir de André G. Bourassa”, em http://profs.ccems.pt/drama/glossariobourassa.htm.  O conceito de arquétipo é bem mais amplo e complexo, mas teríamos que entrar na psicologia junguiana, entre outros, e creio que este não é o local nem o momento, nem tenho eu competência para tanto. Para nossa reflexão imediata, a definição acima já ajuda bastante.)

Os cavalos, claro, não sabem disso e nem têm como saber, e não há problema nisso. O problema é que muitas pessoas tampouco sabem, e vêem no seu cavalo-criatura um cavalo-símbolo, ou seja, elas projetam num inocente herbívoro de planície, que queria mesmo é estar andando e pastando na companhia de outros cavalos, seus sonhos, ambições, ansiedades, medos, e por aí vai.

É por isso que quando perguntadas sobre o significado que seus cavalos têm para elas, as respostas da maioria das pessoas gravitam em torno de termos como “liberdade, movimento, natureza, vida, paixão, confiança, competição, prazer, amizade, velocidade, poder, desafio”… E se o receptáculo de tantos ideais for uma pobre criatura confinada numa baia de concreto 24 horas por dia, seis dias por semana?

Ao mesmo tempo, praticamente todo mundo que tem cavalos gosta de cavalos, e o reverso da pergunta pode causar desconforto na própria consciência. Afinal, sabemos o que os nossos cavalos gostariam de estar fazendo se tivessem escolha, do mesmo modo que sabemos o tamanho do abismo que separa a nossa habilidade como cavaleiros do cavaleiro que gostaríamos de ser.

Fico me perguntando quantos cavaleiros modernos convivem com esta dicotomia fundamental: amar cavalos e por isso se perguntar até que ponto vão nossos direitos sobre eles – e ao mesmo tempo não querer abrir mão do prazer de sua companhia, de sua beleza, força e velocidade.

Talvez por isto a primeira pergunta seja tão difícil de responder, ou tantas pessoas, literalmente, “se disfarcem de cenouras”, numa tentativa de aplacar a própria consciência suja: Submeto meu cavalo a xyz, mas em compensação trago comida para ele. Será exagero equivaler esta atitude àquela de tantos pais que procuram compensar com presentes e mimos o tempo e dedicação que não podem dar aos filhos?

Será que um saco de cenouras é o apogeu do que posso significar para o meu cavalo?

Então, a pergunta realmente importante é:

“O que eu gostaria de ser para o meu cavalo?”

Isto para mim significa “como o meu cavalo me vê”. Mas tenho percebido que alguns entendem a resposta como sendo “aquilo que eles proporcionariam a seus cavalos, se dependesse só da vontade / intenção de cada um”. (Por exemplo: “Gostaria de dar a ele uma cocheira ampla, soltura em piquete junto com outros cavalos todos os dias, segurança, proteção contra doenças…”)

Mas na verdade o que estou perguntando é:

“Como eu gostaria de ser percebido pelo meu cavalo?”

Refiro-me em especial ao “trabalho do conjunto”, ao treinamento, seja montado, seja de chão, na guia, etc, ou seja, “Que tipo de cavaleiro eu gostaria de ser para o meu cavalo?”

Alguns de vocês talvez prefiram inserir  “horseman” em vez de cavaleiro, já que aquele é um termo mais completo, abrangendo todos os momentos em que nos relacionamos diretamente com nosso cavalo.

Em futuros posts vamos falar mais disso, pois aqui está a essência do conceito dos “cavalos entusiasmados”. Por enquanto, sugiro-lhes que façam o exercício das três perguntas:

- o que meu cavalo é para mim?
- o que eu sou para o meu cavalo?
- como eu gostaria de ser percebido pelo meu cavalo?

Uma sugestão para lidar com dificuldades nesta última: comecem pensando naquilo que vocês não querem que o cavalo ache de vocês de jeito nenhum.

Lembrem-se de que o cavalo é um espelho. Um espelho não adula. Há dias em que é preciso ter coragem para se olhar no espelho.

Abraços,

Claudia

P.S.: Sim, eu tenho uma resposta pessoal para a terceira pergunta. De certa maneira, ela é a razão de ser deste blog, e oportunamente será inserida aqui.

 

 

P.S.: Por diversas razões, dei uma pequena modificada no skin do blog, ou seja, na aparência. Seus comentários a respeito são bemvindos! :-)

criado por leschonski    14:45 — Arquivado em: Sem categoria
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