CAVALOS ENTUSIASMADOS

Textos, fotos e filosofanças de Claudia e amigos sobre o mundo dos cavalos, e os mundos aos quais o cavalo nos leva.

14 14UTC jul 14UTC AM

Era uma vez um verão: Alemanha, 2005

Oi turma,

Esta semana um texto um pouco diferente. Seguem abaixo algumas partes do diário de um curso intensivo de CCE (concurso completo de equitação) do qual participei há três verões, na Alemanha. No friozinho de julho, as lembranças das longas tardes do verão alemão são sempre nostálgicas… mas não tenho muita saudade do meu cavalinho daquela época, o querido Flash! Leiam e confiram.

Claudia

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Langenfeld, 20 de junho de 2005 (2a-feira)
Federação eqüestre estadual - Rheinland
Escola estadual de equitação - NRW

Esta era a situação.

Minha primeira semana por aqui (viagem comercial à Alemanha, em junho de 2005) estava terminando de acordo com a programação, com contatos proveitosos para todos os envolvidos. Nosso hóspede brasileiro desejava, no sábado, assistir a um campeonato nacional de marcha (sim, isso existe), que haveria num local próximo, coisa de quatrocentos cavalos inscritos. Descobrimos na última hora que este campeonato seria no fim-de-semana seguinte, e que naquele dia a única alternativa em termos de marcha era uma prova menor, a uma distância meio impraticável. Assim, Cornelia e eu convencemos nosso amigo a ir assistir o Campeonato Estadual de salto e adestramento.

Haras Estatal de Warendorf: um templo do cavalo

 

Foi um sucesso considerável, levando em conta que nosso hóspede não tem conhecimento maior das modalidades do hipismo tradicional. O tempo ajudou: era um lindo sábado de céu azul, temperaturas quase brasileiras, e barraquinhas diversas vendendo de selas a balas de goma. Assistimos a um pouco de salto e a uma prova de adestramento, categoria máxima.
O ponto interessante é que os Campeonatos aconteciam na propriedade que abriga tanto a Federação Eqüestre quanto a Escola de Equitação daquele estado, escola onde se realizam tanto aulas convencionais quanto cursos profissionalizantes, além de concentração de equipes, seminários técnicos, etc. Imagine uma Universidade do Cavalo em proporções alemãs que é mais ou menos isso. E o diretor da escola desde o princípio de 2004 é o nosso dileto amigo Hanno Vreden. Este “mestre cavaleiro” foi durante algum tempo o treinador de alguns dos melhores cavaleiros brasileiros de CCE, vindo ao Brasil umas quatro vezes por ano para treinar o grupo. (“Mestre” é um título oficial por aqui, vinculado a uma série de exames e qualificações, mais ou menos como um doutorado em equitação).

 

Até então, os meus planos para a segunda semana de Alemanha, livre de compromissos oficiais, eram convencionais: visitar amigos, aproveitar o maravilhoso verão, fuçar livrarias, visitar museus e exposição, fazer umas comprinhas, talvez passear de bicicleta por aí. Inteiramente livre e com um pouquinho de dinheiro para gastar em passeios e compra de lembrancinhas.

 

Mas… no domingo à tarde, eu folheava os folders coletados na prova de sábado. Um deles, “programação de cursos para 2005”. E não é que havia lá um curso de Concurso Completo, de segunda a sexta, aberto a interessados em geral? Não importava que meu vôo partiria no sábado seguinte (no dia após o curso). Pensei, enrolei, troquei idéias com Cornelia, e liguei pro Hanno perguntando se havia tempo para me inscrever. Altamente irregular, neste país, para um curso que começaria no dia seguinte. E ainda por cima, a priori reservado para cavaleiros com cavalo próprio. Mas Hanno demonstrou pragmatismo alemão e jeitinho brasileiro na sua resposta de três palavras:

 

- Claro, pode vir.

 

E vim. Adeus férias, até a próxima amigos, bye-bye dinheiro economizado. Tudo virou esta clínica de cinco dias, reciclagem internacional, sei lá. Por incrível que pareça, descontando umas aulas de grupo lá por 1989 (o equivalente local à nossa escolinha de equitação), nunca tive aulas formais de equitação aqui na Alemanha. Também não estou certa do que mais me motivou a esta decisão:

 

a) Aprendizado próprio
b) Transmitir novos conhecimentos aos alunos
c) Currículo e certificado (imagina um certificadinho em alemão, com o selo da toda-poderosa FN alemã…

Provavelmente um pouco de cada coisa. O que sei é que terei um revival de cinco dias daquilo que foi meu modus vivendi durante a maior parte de 1991: cocheira alemã, molecada no curso profissionalizante, vassouras e escovões aos montes. Só que desta vez estarei montando (e por isso mesmo, pagando ao invés de ganhando dinheiro). Será que meu pique continua o mesmo? Sexta à tarde saberei. Sábado, embarque logo cedo. O que sei é que, eu sendo eu, a cada dia da minha hipotética semana de férias e passeios, eu estaria pensando: putz, queria ter feito o curso, queria ter feito o curso.

O começo do primeiro dia (2a, 20 de junho)

Hoje pela primeira vez o calor foi respeitável também para nossos padrões, acima dos trinta graus em exposição direta ao sol. Cornelia me trouxe de Bonn para cá; no almoço ela ainda me levou ao mercado para comprar roupa de cama, que eu não havia nem pensado em trazer. Comprei também um bom suprimento de água mineral, e um tantinho de chocolate para prêmio de consolação.

O alojamento é bacana, ainda que tenha o nome um tanto depressivo de “internato”. Quartos com banheiros individuais e mobília harmonizando entre si, um ponto acima do que normalmente se encontra por aqui. É que este não é o alojamento dos aprendizes (o pessoal do curso profissionalizante de três anos), porém dos de cursos curtos e clínicas. Além disso, serve de concentração às equipes estaduais.

De manhã, só um bate-papo de apresentação, depois ficamos suando armando o percurso (a primeira aula será de salto). Hanno coloca uns obstáculos respeitáveis, mas a condução, linhas e distâncias são muito similares ao que a gente faz por aí. Há apenas cinco alunos na nossa clínica, a qual teve, segundo consta, diversas desistências de última hora, por certo uma das razòes que facilitou minha inscrição de última hora. Mas na armação há um grupo adicional de gente participando, as habituais garotas de 17 a 21 anos almejando tornar-se cavaleiras (ou seria amazonas?) profissionais, e que são treinadas e educadas em centros como este.

Após o almoço, gostoso ainda que muito alemão (batata cozida com vagem, batata frita, salsicha branca grelhada com molho picante), principiamos pela aula teórica, por causa do forte calor. A sala de aula é bonita e limpa, mas o Hanno realmente ainda dá aula com projetor de transparência! E as transparências são novas, pois já falam do regulamento atual de CCE, que é o tema desta aula. Abordamos também condicionamento, importância da equitação básica de qualidade manifestando-se em ritmo e equilíbrio, e as famosas questões de linhas e combinados, e de “presented or not presented?” da fase de cross.

Com Flash num momento de harmonia… capacete estiloso e tudo…

Estou meio fraca de equipamento – usando um capacete novo, comprado em liquidação, mas que não serve muito bem. Em vez de botas, creio que estou desfilando o único par de perneiras (com franjas, do tipo que o Ruyzão usava antigamente) do modelo antigo do Carlinho da Botina jamais vistas aqui na Landesreitschule. Esporas, emprestei umas da Cornelia,e chicote achei que teria por aqui. Ledo engano. O colete de cross, claro, também vou ter que emprestar de alguém, mas isso não deve ser difícil, pois as colegas e outras garotas por aí têm se mostrado bastante atenciosas e sorridentes. Bem-educado por aqui é a regra, mas sorridente é outro departamento.

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(Continuem antenados no blog para saberem como correu minha primeira aula com o Flash … )

Colegas de curso aquecendo para o treino de cross

criado por leschonski    11:28 — Arquivado em: Sem categoria
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