Oi amigos,
O blog dos cavalos entusiasmados anda anêmico, né?? Peço desculpas, mas é por uma boa causa. Ando passando mais tempo à sela do que o habitual.
Depois da volta de Hong Kong, as duas primeiras semanas foram preenchidas pelos preparativos para o enduro de Pirassununga. Lá, a equipe do Manège Capela foi bastante bem, com um primeiro, um segundo, um quarto e um sexto lugar na categoria graduados master, aí somando tanto placas quanto batimentos; e as classificações da Vênus comigo nos graduados C (60 km), 2º. Lugar nas placas e 4º. nos batimentos. A freqüência cardíaca da égua teria bastado para o terceiro lugar (= troféu e pódio…), não fosse a falta de oxigenação dos neurônios da amazona, que conseguiu um total de seis pontos de penalização por chegar segundos adiantada (!!) em duas das três chegadas (!!!).

Masters premiados: Ricardo/Fayad, Romeu/Bárbaro, Cornelia/Sete de Ouros.
Seja como for, os resultados animaram a diretoria do Manège, e fui autorizada a inscrever-me com a Vênus (cujo nome oficial agora é Lovely Venus Rach) no Campeonato Paulista, finalmente fazendo nossas estréia nos… noventa quilômetros!! SIIMM!! Estou curiosa, pois desde 2006 já tenho ouvido de colegas enduristas que ela está pronta para o duas estrelas, mas a falta de regularidade de nossas participações sempre me fez hesitar antes de subir de turma.

Parceiras de trilha: Karin e Victoria ajudando a encurtar a distância. Dos 57 km, creio que as madamas (sob e sobre a sela) passaram uns 50 batendo papo…
Ou seja, desde o fim de agosto todo minuto livre (e uns tantos que a priori não seriam livres…) são dedicados à preparação para Avaré. Cheguei à conclusão (e esta é a razão do título deste post) de que para mim a prova de Avaré já começou há alguns dias, ou melhor, que apenas se eu transpuser obstáculos e entraves de todo tipo é que terei o privilégio de cruzar a linha de largada na madrugada do dia 20. Haja resistência.
1. O calor e a umidade relativa do ar (ou falta dela) têm castigado a todo mundo, e os enduristas em especial, pois as estradas, claro, estão duras como pedra. Hà alguns dias, levei a Vênus para uns 40 km lentos e calmos – e nem poderiam ser diferentes, pois o estradão entre Capela e Araçoiaba parecia asfalto, não terra, e o vento seco em plena hora do almoço parecia um braseiro nos pulmões da gente. A valente eguinha levou tudo na esportiva, e chegou inteira ao destino. Gelo nas patas, muita água por dentro e por fora, e ela estava zerada.

Nosso treino na UC: um pouco de intervalado, intercalando galope de trabalho…
2. O frete – desde os idos de 1995, em que fui inventar de integrar de fato a turma do CCE, o “frete para um único cavalo” é coisa que me atormenta. Desta vez, eu tinha uma carona quase certa, que desabou ontem, por causa de um cavalo quase manco e outro com tosse. No momento, estou procurando alternativas, mas tá enrolado, pois outro fator preocupante é o …

… com só um pouquinho de galope de corrida, ambos entremeados com…
3. MORMO!! Há uma semana, nós paulistas não mais precisamos invejar a nordestinos, catarinenses e outros o status de terem tido em seu território, neste século XI, a temível doença eqüídea ancestral (e considerada “a bem dizer” erradicada dos paises desenvolvidos) – agora São Paulo já tem mormo! De sexta-feira passada para cá foi uma enxurrada de e-mails, boatos e avisos desencontrados, e provas sendo canceladas em toda parte. Já não teremos a ABHIR deste fim-de-semana, e a prova de Equitação de Trabalho (onde eu julgaria) foi transferida para daqui a duas semanas. Nâo basta que apenas dois laboratórios na Capital façam o exame (atestado negativo) que passa a ser essencial para a participação em provas e eventos; no momento, apenas quarenta veterinários de todo o estado (!!! Pensem bem nisso, QUARENTA!) estão autorizados a coletar sangue e encaminhar as requisições. Sem as quais, claro, não é emitido GTA. Este tem que ser feito no escritório regional da respectiva cidade, e na véspera da prova. No meu caso, por exemplo, isto significa que devo:

… alguns saltinhos, só pra manter os reflexos sempre em dia, e finalizando…
a. Contratar (e pagar, só lembrando que sou veterinária eu mesma) um veterinário habiitado para coletar o sangue e fazer a requisição, lá em Capela do Alto.
b. Levar o sangue ao laboratório na cidade de São Paulo.
c. Buscar o resultado do exame após 48 horas (ainda em Sampa).
d. Exames em punho (mormo e AIE), ir à SeAg de Sorocaba e solicitar a guia bancária para o GTA.
e. Ir à Nossa Caixa (só ela serve), ficar na fila (foram 40 min da última vez), e pagar a guia.
f. Voltar à SeAg e solicitar a emissão da GTA.
(Será que algum outro país do mundo tem algo parecido?? Provavelmente só aqueles onde o mormo ainda grassa…)
Ou seja, sorte minha que o picadeiro lá em Capela é iluminado, e não preciso montar no horário bancário nem naquele que corresponde ao expediente dos funcionários públicos…

… com um pouco de adestramento, condicionando tanto o "fisico" quanto o "mental".
4. PASSAPORTE – na verdade, este não é chega ser problema no momento, pois a Vênus e os demais cavalos do Manège têm os deles. Ainda que hoje em dia, ao que parece a principal função dos passaportes é servir como documento sanitário / registro das vacinas, já que na atualidade eles não mais substituem as notas fiscais. Mas que foi estranho, foi, todos os comunicados prévios referentes à prova de Avaré dizerem que não seria necessário passaporte, diretriz que foi oficialmente mudada há poucos dias, quando, é claro, passa a ser bem mais difícil emitir um passaporte em tempo hábil… Por sorte, haverá passaportes à venda na prova, já que o tema causou bastante polêmica entre os enduristas.
5. PATROCINADORES – já consegui dois patrocínios para esta prova, e desde já mando meus agradecimentos:
a. Lsboratório VETNIL – suplementos e nutracêuticos: www.vetnil.com
b. VETPHARMA, de Tatuí – medicamentos e equipamentos veterinários em geral. www.vetpharma.com.br
Agora vou batalhar o terceiro, da distribuidora de ração…
Aproveito para agradecer à Universidade do Cavalo (www.universidadedocavalo.com.br), cujo staff, encabeçado por Aluísio e Ana Paula Marins, sempre dá todo o apoio imaginável às nossas participações em concursos e eventos, cedendo-me desde pistas para treino a estagiários para trabalharem nas provas! :-) E claro, à turma do Manége Capela, sem a qual eu continuaria apenas sonhando com enduro!
Enfim, como todos vocês sabem, when the going gets tough, the tough get going. (Numa livre tradução, a rapadura é doce, mas não é mole!!) Agora só resta torcer para que o enduro de Avaré não caia - ou, o que para mim costuma ser pior, por causa da agenda apertada, seja transferido para outra data – por conta da malvada, malvada Burkholderia mallei. Que, claro, é o bichinho do mormo.
Um viva aos cavalos entusiasmados, e aos cavaleiros idem!!! Apesar de tudo e por isso mesmo. Espero vê-los em Avaré.
Abraços,
Claudia