CAVALOS ENTUSIASMADOS

Textos, fotos e filosofanças de Claudia e amigos sobre o mundo dos cavalos, e os mundos aos quais o cavalo nos leva.

22 22UTC out 22UTC AM

CALENDÁRIO FOTOGRÁFICO 2009 - só cavalos!!!

 

Caros amigos,

 

antes de mais nada, preciso agradecer a leitura e os elogios que os Cavalos Entusiasmados e eu temos recebido de vocês a cada dia! Fico contente que o blog esteja servindo aos seus vários propósitos, e nossa intenção é continuar crescendo sempre.

 

Agora… nossos comerciais por favor… gostaria de lhes indicar uma sugestão de presente (por exemplo, de Natal), para vocês mesmos ou para algum amigo muito especial.

 

Nossa amiga Paula da Silva, fotógrafa de renome internacional, está lançando um calendário 2009 com belíssimas fotos de cavalos. É uma calendário de parede com 12 folhas, uma foto para cada mês do ano, e está sendo comercializado com exclusividade através da Universidade do Cavalo.

 

Para saber mais e para reservar o seu, acesse:

 

http://www.universidadedocavalo.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=18&Itemid=1

 

Sugiro que os interessados não percam tempo, pois apenas 50 exemplares deste calendário serão comercializados no Brasil, o que faz dele uma edição exclusivíssima!

 

Como vocês já puderam ver nas várias fotos da Paula que tenho inserido aqui no blog, a visão dela é única - com certeza este calendário de parede será uma fonte de beleza e inspiração em todos os dias do novo ano.

 

Abraços,

 

Claudia

criado por leschonski    10:37 — Arquivado em: Sem categoria

16 16UTC out 16UTC PM

ABRAÇO NO ASFALTO

Era uma manhã normal do tempo em que, uma vez por semana, eu saía de Itapetininga para trabalhar em São Paulo. Era o ano de 2004, pois meu carro era o Ka branco, novinho, e eu estava indo dar aula no centro hípico do Cláudio, em Itapecerica.

Ainda antes de São Roque, bem anterior ao ponto onde são comuns os retardos nas manhãs da Castello, o trânsito começou a engarrafar, melhor, a ficar lento. Centenas de carros seguíamos a quarenta por hora, tentando entender o que se passava: as faixas da direita andavam mais rápido, como se houvésse um acidente interrompendo a esquerda, mas aquilo continuou por quilômetros, sem melhora nem piora.

Lá pelas tantas, a faixa da direita acelerava mais, os carros e caminhões faziam fila para ultrapassar, e comecei a enxergar uma van da Viaoeste, um funcionário meio pendurado fora da janela, sinalizando aos motoristas que ultrapassassem rápido, rápido. Ultrapassei, mas devagar, e em um segundo registrei e compreendi a cena, naqueles vislumbres de clareza que às vezes temos. Ainda vejo a cor alazã do pêlo do potro, clarinho mas escurecido pelo suor, com pequenos cortes e esfolados nas pernas.

Pois era um potrinho alazão, de uns cinco meses talvez, galopando na reta interminável, ritmado porém perto da exaustão: olhos arregalados, narinas dilatadas, flancos e peitos escurecidos. Os casquinhos dele firmes no galope, buscando a saída, a manada, a mãe, que tinham que estar em algum lugar. À frente dele, quilômetros vazios de asfalto: os carros que ultrapassavam desapareciam rápidos. Atrás, três pistas mais os acostamentos, e a van o empurrando para frente, não o deixando parar. Os homens da Viaoeste estavam perplexos, e é verdade que sozinhos ali, com um único veículo, não tinham muito o que fazer – separar o potrinho dos veículos era preferível a provocar um acidente. Vai ver que esperavam que ele parasse, desviasse para o largo trecho de grama do canteiro central… ninguém lhes ensinara, pelo jeito, que um cavalo em modo de fuga pode correr até morrer.

Preciso confessar que minha genética européia, aliada aos meus primeiros anos de vida passados disciplinada por governantas, jardins-de-infância e professoras primárias germânicos, costuma ser forte: não devemos transgredir leis e regulamentos. A autoridade deve ser obedecida. Mas olhei o potrinho, sinalizei aos homens da van, e fui tocando para o acostamento à direita, acelerando até parar alguns metros à frente da van, do potro, do fluxo de tráfego. Mas havia calculado errado: lento demais, perto demais, e nem havia descido do carro para já ser ultrapassada pelos outros veículos. Tentei de novo, vim pelo acostamento em maior velocidade e por um trecho maior, até parar bem à frente dos outros.

Há esses momentos definidores, em que não pensamos, apenas agimos, aqueles que no cinema às vezes passam em câmera lenta. Acho que este recurso foi criado pois reproduz o modo de funcionamento do nosso cérebro nestes instantes; como quando caímos do cavalo, e a queda parece levar um minuto. Desci do carro e entrei na pista, todos aqueles carros vindo para cima, e levantei as mãos pedindo que diminuíssem, esperassem, nos dessem uma chance. Fui andando até entrar na trajetória do potrinho, e torci para que o pessoal da Viaoeste entendesse. Abri os braços como se quisesse abraçar o mundo – não apenas um potrinho – e respirei pausadamente, colocando no arredondado dos meus ombros, na calma de meus olhos, no sussuro de minha voz, toda a proteção de uma manada imaginária. Eu teria apenas uma chance.

A exaustão do potrinho ajudou. Ele me viu, começou a trotar, não parecia ter medo de mim, pelo contrário, talvez eu lhe parecesse a única coisa familiar naquele caos. Ele chegou perto, eu avancei, falava com ele, em um instante havia abarcado-o, um braço em volta do peito, o outro na garupa e agarrando a cauda, naquela contenção que os veterinários que já fizeram residência em haras praticam tanto. Sorte do potro ser pequeno.

Em um segundo, três ou quatro dos rapazes da Viaoeste estavam juntos de nós, cada um procurando um pedaço de cavalinho para segurar: as pernas, as orelhas, o pescoço…
- Bom dia, sou veterinária – cumprimentava eu. - Assim ó, desculpe, não segura ele pela perna nem puxa a cabeça. Deixa, está firme aqui…
Logo a van estava encostada à nossa frente, na área de carga uma profusão de caixas e ferramentas, mas o potrinho caberia. Ninguém reclamou quando assumi a liderança do procedimento (talvez era porque estivesse de culote, indo que estava para as aulas da manhã?) – levantamos o anterior do potro para a van, um dos rapazes e eu entrelaçamos nossos braços para empurrar a garupa, e o bichinho estava dentro. Expliquei a eles como contê-lo – não agarrem as pernas, que ele vai ficar com mais medo. Assim, um na garupa e outro no peito… não segurem ele com força enquanto ele estiver quietinho…

Eles agradeceram, bateram as portas, a van partiu. A base da Viaoeste não era longe, existia o caminhão dos “cowboys do asfalto”, cuja função é recolher e transportar animais na rodovia, os ferimentos do potro eram superficiais, tudo indicava que ele estava salvo. Mas seria resgatado pelo dono? Teria um dono? Veria de novo a sua mãe? Tudo isso eu nunca soube.

Atravessei a pista, e enquanto voltava ao meu carro, o tráfego retornava aos cento e vinte (cento e vinte e sete, dentro do limite concedido) de toda manhã. Pêlos no meu moleton, riscos de suor e uma pequena mancha de sangue de cavalo no meu culote. Nada havia acontecido, nunca mais eu esqueceria aqueles cinco minutos.

Sempre quis escrever sobre esta manhã, nunca o fiz, talvez porque fosse a um tempo uma história simples e complicada demais. Talvez porque achasse que eu pareço querer posar de super-heroína (Claudia erguendo a mão paralisa o tráfego, o potrinho ao vê-la corre para a segurança de seus braços), mas foi assim que aconteceu. Para mim, foi a manhã em que tive a oportunidade de fazer uma diferença, pequena que fosse, para melhor, e em que consegui honrar esta chance.

Abraços,
Claudia

 

Lucas e alguns de seus amigos…

FOTO: Paula da Silva

 

criado por leschonski    23:18 — Arquivado em: Sem categoria

15 15UTC out 15UTC PM

Prova de Salto no Festival do Cavalo de Esporte

Oi amigos,

 

enquanto não sai o próximo post, aproveito para divulgar uma prova de salto que acontecerá aqui em Sorocaba na semana que vem, e que está sendo organizado por alguns bons amigos meus.

 

Interesse, apoio e presença de todos os interessados no esporte, seja como público ou como participantes, é muito importante. Há anos, desde que não temos mais nossa regional da ABHIR em atividade, e depois com a extinção da APEHC, aqui na região temos tido falta de provas locais de salto. Destas simples de se inscrever, com poucas despesas envolvidas, e em que à tardinha a gente já está de novo em casa - ou seja, um belo programa de sábado.

 

Esta prova acontecerá dentro da programação do Festival do Cavalo de Esporte, que acontecerá no Marco Zero Eventos entre os dias 24 e 26 de outubro. Haverá também provas de atrelagem e de marcha, além de um leilão de cavalos bretões, e de exposições de morfologia de diversas raças.

Para maiores informações sobre o Festival, entrem em contato com André, em andre@vongold.com.br

Vênus numa prova-treino com nosso amigo Fernando Bastos, em março de ste ano

Para saber mais sobre a prova de salto, podem escrever para o Jorge, em  fazdotanque@ig.com.br .

 

Ela tem categorias de 0,60, 0,80 e 0,90 na equitação fundamental, e séries abertas de 1,00, 1,10 e 1,20, estas últimas com premiação em espécie.

 

Abraços,

 

Claudia

 

Zacarias mostrando categoria…

 

criado por leschonski    22:02 — Arquivado em: Sem categoria

04 04UTC out 04UTC PM

CAVALOS MALEÁVEIS!!! – POR DENTRO E POR FORA…

Oi amigos,

Hoje começo agradecendo à Tammy, amigona e leitora deste blog, que me presenteou com um livro o qual não tenho largado nos últimos dias: “Training the Modern Jumper”, da autoria de Elmar Pollmann-Schweckhorst. È uma tradução do original alemão de 2002, “Springpferde-Ausbildung heute”. Elmar (já que o sobrenome dele é pior que o meu, vamos abrasileirar logo e chamá-lo pelo primeiro nome, né) vem de uma família de cavaleiros, tendo sido ele mesmo competidor internacional de salto; no entanto, o cavaleiro mais famoso da família é seu irmão Alois, que participou da fase áurea da equipe de competição de Paul Schockemöhle, disputando no primeiro time do esporte internacional.

Toda essa introdução só para lhes dizer que o trecho traduzido a seguir não vem de algum idealista pouco conectado com a realidade, mas de gente que ganha seu pão de cada dia no esporte hípico internacional. Tanto mais entusiasmada fiquei eu ao constatar o quanto as idéias de Elmar são similares às minhas.

Mas antes do texto, vamos falar do termo que em alemão se chama “Losgelassenheit” e em inglês é denominado de “suppleness”, mas que não tem, a priori, tradução exata em português eqüestre. Este termo surge logo no começo da escala de treinamento da equitação clássica, e quando traduzimos a mesma para o português, utilizamos distensão, descontração ou às vezes relaxamento, no sentido positivo da palavra. Em inglês, “supple” diz-se do movimento elástico, atlético, elegante – ou seja, “livre de tensão”. Em alemão, “losgelassen” é também tudo que é solto, livre, amplo, sem coerção. Por extensão, todo o conceito está relacionado a equilíbrio. Para efeito desta tradução, creio que descontração é o termo mais abrangente, ainda que “maleabilidade” talvez fosse uma palavra mais exata.

Descontração interior

“Num cavalo saudável, a primeira atenção precisa ser focalizada em sua psique. Não existe descontração exterior sem descontração interior; esta começa com a confiança elementar no ser humano. Infelizmente, muitas vezes o manejo dos nossos cavalos de esporte considera muito mais os nossos objetivos do que as necessidades básicas daquele que originalmente é um animal de manada das estepes. Nervosismo, excesso de energia ou falta de concentração muitas vezes são sintomas de um manejo que não corresponde às necessidades naturais dos cavalos.

Nossos cavalos costumam sentir falta de:

• Contato social e visual com outros cavalos (evitar confinamento solitário)
• Exercício em liberdade (soltura em pastagem ou piquete)
• Exercício montado variado, longo e de baixa intensidade (fases de relaxamento, exteriores a passo)
• Manejo calmo e desestressado de cavaleiro e tratador (bom horsemanship)
• Alimentação individualizada
Pescoço baixo com dorso arqueado durante a maior parte do dia, posição que corresponde à apreensão de alimento na estepe

(Nota da Claudia: reparem no último ítem, muito pouco citado em outros textos deste tipo!)

“Um cavalo precisa ter a oportunidade de ser solto periodicamente, para pode desestressar-se. Um cavalo cujo único exercício acontece sob a sela, quando ele pode apenas se submeter ao cavaleiro, nunca chegará à descontração interior, apenas à exaustão.

 
“A descontração interior começa na cocheira. Especialmente naqueles cavalos de temperamento quente, os métodos de manejo e de exercício precisam se aproximar ao máximo das necessidades naturais do cavalo.”

- Elmar Pollmann-Schweckhorst, em ‘Training the Modern Jumper’ –

Leiam de novo o último parágrafo. Reflitam sobre como, em geral, o que acontece é o inverso – quanto mais quente o cavalo, mais artificializado passa a ser o seu manejo.

Realmente está na hora de repensarmos nossos conceitos…

E ainda sobre a “posição de pastejo”: ela é essencial para o desenvolvimento correto da musculatura dorso-lombar, de pescoço e de garupa, e portanto, dela depende a descontração externa e a habilidade atlética de nossos cavalos.

Para quem não fez isso, está mais do que na hora de aposentar as manjedouras elevadas. Lugar de feno é no chão. E além disto, criem piquetes, inventem padoques, soltem seus cavalos, algumas horas por dia ao menos. Além de tudo, a performance deles irá melhorar.

Abraços, boa semana,

Claudia

criado por leschonski    21:23 — Arquivado em: Sem categoria

01 01UTC out 01UTC AM

Conheça um blog diferente…

No link abaixo. Quem lê inglês, aproveita um tanto melhor; mas só pelas fotos também já vale a pena.

http://horseandphotos.wordpress.com/

Fotos e (a maioria dos) textos de autoria da nossa amiga Paula da Silva, que agora em novembro estará de novo no Brasil

Nele, volta e meia vocês encontrarão alguns textos meus, como este do post  "Close Your Eyes", mais recente.

Abraços,

Claudia

criado por leschonski    0:29 — Arquivado em: Sem categoria
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