21 21UTC nov 21UTC PM
OLÁ AMIGOS CAVALEIROS…
Olá amigos,
Este blog de novembro está meio encalhado, né? Peço desculpas a todos os meus fiéis leitores. Há tempos não sobra um fim-de-semana livre, pelo contrário, amanhã mais uma vez o Fernando Bastos apresenta nossos cavalos Zacarias e Vênus, no CCE da Universidade do Cavalo, enquanto eu estou trabalhando na tradução de outro curso, desta vez de ferrageamento. Aproveito para informar a todos que a Associação Brasileira de Ferradores está ativa e em franca expansão!! Hoje iniciamos o segundo processo de certificação, chancelado pela American Farriers’ Association.
Além disto, está por aqui a nossa amiga Paula da Silva, autora de muitas das fotos que utilizo aqui no blog. Se não chover muito… ela pretende tirar umas fotos do CCE amanhã, que compartilharei com vocês logo mais.
Enquanto isso, reproduzo aqui um texto que escrevi para o Fórum Desempenho (vejam mais informações em www.desempenho.esp.br ) como minha contribuição a um debate onde algumas pessoas defendiam determinada modalidade, ou estilo de equitação (ex.: clássico vs. western) como sendo superior a outro. Então, começamos também trocar idéias sobre o que constituiria ou não “crueldade” no trato e no treinamento de cavalos. E lá pelas tantas, entrou a velha controvérsia dos cavalos de marcha, quando ficamos debatendo se uma colocação “classicamente errada” (ex. pescoço invertido, à frente da mão, dorso rígido) do cavalo teria como melhorar a qualidade da marcha.
Espero que aproveitem a leitura, bom fim-de-semana a todos,
Claudia
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Olá amigos cavaleiros,
acho o seguinte, e salvo engano estou parafraseando o Bjarke: existe apenas boa equitação. Acontece que cérebro, anatomia e fisiologia de pessoas e cavalos são sempre os mesmos, não importa se colocam "fantasias" de salto, rédeas, adestramento, enduro…

Aembé Apuã, minha boa amiga que hoje vive em Manaus, e continua conquistando fãs por onde passa!
Foto: Adriana Füchter
Certas coisas não são produtos de técnica, mas de ignorância. E, como bem sabemos, a violência começa onde o conhecimento termina (por isso é que na linguagem coloquial violência e ignorância são sinônimos). Veja alguns exemplos de ignorância em nosso contexto, do mais genérico para o mais específico. São “idéias e opiniões” que encontramos a todo momento como parte do “treinamento ignorante” de cavalos:
• causar dor promove aprendizado
• causar desequilíbrio melhora a qualidade do movimento
• medo é sinônimo de beleza e eficiência
• quanto mais pressão, melhor o resultado
• é possível e correto exercitar-se o tempo todo em tensão máxima, sem intervalos (seja física ou mental)
• animais não têm sentimentos ou emoções
• animais não sofrem dor
• um cavaleiro desequilibrado não interfere em nada no equilíbrio do cavalo
• um mesmo equipamento (sela, embocadura) serve a todos os cavalos
Pessoas que têm estas opiniões e utilizam este tipo de recurso existem em toda parte - no salto e no adestramento assim como no laço, no western pleasure, no rodeio e no enduro, e em todas as outras modalidades e usos do cavalo.
Agora, imaginem-se tendo que aprender algo, um esporte ou uma nova profissão, e sendo “treinados e preparados” segundo os princípios acima.
Vocês acham que aprenderiam? Que ficariam harmônicos, rápidos, fortes, auto-confiantes??
Não é um rótulo, uma roupa, uma modalidade… que nos torna bons cavaleiros. É CONHECER cavalos e APRENDER a montar. Sentir empatia pelos animais, não como instrumentos a serviço de nosso ego e de nosso status quo, mas como herbívoros de planície que TAMBÉM foram selecionados durante milênios para sentirem AFINIDADE pelo ser humano (só por isto nossas atividades equestres são possíveis em larga escala; quem duvida, que experimente treinar uma zebra).
Nos últimos anos, tenho me dedicado a workshops, laboratórios e experiências para abandonar os rótulos. Aluísio Marins, da Universidade do Cavalo (vejam www.universidadedocavalo.com.br ), é grande divulgador desta revisão de conceitos. Parte da idéia é o seguinte: tudo que melhora nossa equitação, não importa de onde venha, é utilizado. Tudo que a piora, o que a entrava, é descartado.
• O objetivo da existência é evoluir.
• Evoluímos ajudando os outros a evoluir.
• Ajudamos os outros a evoluir levando-os a encontrarem sua verdadeira vocação.
Meu pequeno PSI Zacarias anteontem fez um excelente recuo (afastar) sem rédeas (estavam largadas no pescoço), reagindo apenas a uma pequena pressão no peitoral, e mudanças de meu equilíbrio. E agora? O que meu velho professor de adestramento diria?
"Frankly, dear, I don’t give a damn." (Rhett Butler)
Quanto à questão dos marchadores, não pretendo me aprofundar no tema, mesmo porque falta-me conhecimento específico, mas sei que muitos marchadores, no Brasil como em outros países, são treinados consoantes ao bom adestramento. Certa vez montei um Campolina campeão, pedindo desculpas antecipadas ao treinador "porque iria estragar a marcha dele" (eu só queria demonstrar algumas figuras de picadeiro), e montei o cavalo como montaria os meus. Para minha surpresa, de repente o rapaz gritou: "A marcha dele tá muito boa, é essa que o juiz quer ver".

Exemplo fictício: se alguém afirmar que para galopar da maneira que é a desejada em determinado evento fictício, o cavalo precisa estar pisando curto, com o dorso preso, pescoço invertido e coluna rígida, e que tudo isso seria SUPERIOR ao equilíbrio natural do cavalo (passadas amplas, dorso flexionado e oscilante, frente colocada), qual seria nossa conclusão natural:
Assinalem a(s) alternativa(s) correta(s):
(a) se isso é verdade, não vou participar, pois é doloroso e desagradável para o cavalo;
(b) qual é a base anatômica, técnica e fisiológica para esta afirmação?
(c) tudo isto provoca um galope artificial. Porque será que eles preferem algo artificial ao andamento natural do cavalo? Será porque este galope é mais confortável para o cavaleiro?
(d) estes cavalos devem ser diferentes dos outros, pois esta exigência é oposição total a todos os princípios da boa montaria;
(e) estes treinadores são tão geniais que ultrapassam a minha compreensão;
(f) talvez esta seja uma tradição fundamentada em ignorância? Não faz muito tempo, pessoas iam para a fogueira por afirmarem que a terra era redonda e que girava em torno do sol…
E pra todo mundo adentrar contente o fim-de-semana, espalhem pelo mundo este dito cuja origem não recordo, mas que tem todo o jeitão de ter vindo de um caubói do oeste americano:

"Nunca tente ensinar um porco a cantar. Você perde seu tempo e chateia o porco."
Abraços,
Claudia
criado por leschonski
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