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Diário de Colina - Parte III
6a, 11.07.03
Manhã – chuva! Não muita, mas o bastante para originar um tantinho de preocupação sobre amanhã, o dia do cross. Por enquanto, estamos formais e arrumadinhos, para a fase de adestramento. Os cavalos, brilhantes, trançados e (mais ou menos) comportados; os cavaleiros, cartola e fraque (ou capacete e casaca), culotes branquinhos e estribando longo – depois de todos estes anos, continua difícil para mim imaginar que são os mesmos que amanhã estarão galopando campo a fora a 550 metros por minuto, espirrando barro e espuma, encarapitados acima das selas de salto.
Hoje coube a mim uma posição privilegiada, ser secretária de uma das duas juízas internacionais, cuja presença é mandatória num evento como este, chancelado pela FEI. Escrevendo as notas atribuídas por M. Janine, suíça radicada na Argentina, aos meus amigos e colegas, tenho oportunidade de aprender mais um pouco, e de observar os velhos e novos conhecidos. Sidney continua o mesmo, Álvaro cresceu em tamanho e como cavaleiro, Renato fica nas cabeças com um de seus cavalos e (quase) em último com o outro. E os cavalos, potros promissores bem como os bem madurinhos, mas que estão cheios de gás como sempre.
O evento é protegido da excessiva formalidade pelas pequenas interrupções que nos trazem de volta à realidade: garotos que passam de bicicleta entre a cerca da pista e a cabine do júri, o catador de papeis surgindo ao nosso lado bem no meio da reprise, o motorista da ambulância conversando aos gritos com seus amigos.
Neste ano de 2003, o CCE brasileiro acontece em duas frentes principais: São Paulo e Brasília. E por alguma coincidência, a maioria das garotas dos níveis mais avançados está em Minas. De qualquer maneira, dos quarenta competidores de hoje, uma única representa o sexo feminino. Ou melhor, entre os cavaleiros, pois entre os cavalos, a denominação “entre as éguas” seria melhor. Especialmente no “uma estrela” , a predominância de éguas é absoluta.

Paciência também faz parte do esporte... aqui, a égua Desert Queen, montaria de Guto de Faria, com seu tratador
Desde a “reinvenção” do CCE brasileiro no fim da década de 80, o adestramento tem sido nosso ponto mais fraco. Hoje está evidente que a nova geração, de cavalos e especialmente de cavaleiros,tem uma base muito mais sólida de equitação de plano e trabalho e adestramento. As juízas distribuem notas boas e aceitáveis com certa prodigalidade, até mais do que seus pares brasileiros. Mas ainda há os cavalos tensos, os cavaleiros distraídos – como no resto do mundo, aliás. Um de nossos amigos sofre especialmente com seu cavalo nervoso, que rodopia, corcoveia, trolopa ao invés de andar a passo. Talvez seja porque a pista de cross esteja logo ali adiante, e o cavalinho parece perguntar o que eles estão fazendo ali, quando a parte divertida está tão perto. Ou talvez seja a barulheira do palco de shows, que está sendo aprontado para o show de uma das duplas sertanejas do primeiro time, bem ao lado da pista de adestramento. Concursos hípicos internacionais da Festa do Cavalo em Colina sempre foram mesmo um show à parte. Admirável também é a atitude de nosso amigo cavaleiro, que mesmo sabendo que aquele pequeno rodeio forçosamente o deixará entre os últimos colocados, termina a apresentação sorrindo, conversando com o cavalo, mantendo as mãos suaves e o assento quieto, e recebe uma ovação unânime dos colegas ao término da apresentação. A “guerra de egos” que permeia tantas modalidades hípicas também existe no CCE, mas em menor escala. Talvez seja porque a dificuldade e a adrenalina dos percursos de cross uma as pessoas, tal como combatentes de uma batalha. Contra os obstáculos? Creio que principalmente contra as próprias limitações, contra os seus medos mais íntimos.
À tarde, nós comissários mais uma vez percorremos o cross, distribuímos os postos de cada auxiliar, escolhemos os pontos ideais para termos uma visão clara dos obstáculos sem atrapalhar os cavaleiros. Esse trabalho de fiscal é comparável com o de piloto de avião – tudo é rotina durante 99% do tempo, mas é preciso ser infalível e absolutamente seguro de si no 1% de ocorrências especiais. Qualquer detalhe poderá ser decisivo para a definição de nossa equipe nos Jogos Panamericanos.
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criado por leschonski
23:37 — Arquivado em: 

Comentário por Luisa — 18 18UTC mai 18UTC AM @ 2:40
Olá,
Será q alguem poderia me responder como eu sei quantos lances tenho q dar em uma linha?
Obrigada!!
Comentário por Claudia — 18 18UTC mai 18UTC AM @ 9:39
Oi Luisa,
boa pergunta, a gente demora mesmo pra aprender isso!! Mas a melhor resposta seria: um bom instrutor, um cavalo professor, e muita prática, tanto nos treinos quanto em provas.
Há exercícios que facilitam o aprimoramento, que seu instrutor deve conhecer.
Onde você faz aulas?
Abraços, boa sorte,
Claudia