CAVALOS ENTUSIASMADOS

Textos, fotos e filosofanças de Claudia e amigos sobre o mundo dos cavalos, e os mundos aos quais o cavalo nos leva.

15 15UTC set 15UTC PM

PAULA DA SILVA DE NOVO NO BRASIL!

Oi amigos,

 

Como vocês sabem, boa parte das melhores fotos deste blog são obra da lente de Paula da Silva, a fotógrafa portuguesa residente na Itália que veio ao Brasil pela primeira vez em 2003 e desde então tem nos visitado regularmente. Tenho tido oportunidade de trabalhar com ela em projetos diversos, de autora a produtora a auxiliar geral. :) Com ela aprendi muito sobre profissionalismo na mídia e também um tantinho sobre fotografia – sem Paula eu teria demorado muito mais a adquirir um laptop ou uma máquina fotográfica digital, e talvez nem este blog que vos fala existiria. Além disso nos tornamos grandes amigas, que reservam para si o privilégio de discussões ferrenhas, assim como aquele das risadas e dos silêncios compartilhados.

 

 

Paula estará de novo no Brasil entre setembro e outubro, ministrando seu já tradicional curso de fotografia na Universidade do Cavalo – vejam em www.universidadedocavalo.com.br . No primeiro destes cursos, no longínquo ano de 2002, não havia máquinas digitais (a própria Paula apenas tinha uma pequeninha, mas trabalhava com máquinas analógicas), e o laboratório fotográfico do shopping mais próximo fazia plantão noturno na UC para que as fotos dos alunos fossem reveladas até o dia seguinte. No curso de 2003, um aluno bem-de-vida tinha seu laptop permanentemente rodeado por um grupo de pessoas atônitas e só um pouquinho invejosas. Já em 2004, as máquinas eram predominantemente digitais, e o laboratório deixou de ser chamado a partir de 2005. Hoje, os laptops são tão comuns quanto celulares, e no ambiente wi-fi da UC (como em tantos outros…) é mais comum que as pessoas conversem olhando as telinhas do que olhando-se nos olhos. Máquinas digitais então… agora é o tradicional  “filme” que, para todos os efeitos, deixou de existir.

 

Enquanto isso, os cavalos continuam os mesmos modelos fotográficos de sempre – fascinantes e complexos, talvez um dos temas mais difíceis de se fotografar, tanto pela tridimensionalidade horizontal  que não perdoa falhas de enquadramento (qualquer pessoa que já viu uma foto de cavalo com cabeça gigante e garupa minúscula saberá do que estou falando), quanto pela tendência de não ficar imóvel, ou de ficar imóvel do jeito errado. Apenas uma máquina fotográfica, mesmo com muitos recursos, não faz o fotógrafo de cavalos. É por isso que os cursos da Paula seguem com popularidade crescente.

 

 

Um típico dia de produção, sempre sob o enquadramento de Paula…  (Alemanha, Julho 2009)

 

Neste ano, ela também estará envolvida em projetos em haras diversos, tal como no Haras Lagoinha. No link abaixo vocês encontram algumas fotos produzidas por lá nos anos de 2007 e 2008:

 

http://www.pauladasilva.com/HarasLagoinha/

 

Enfim, aguardem mais notícias sobre a temporada 2009 da Paula no Brasil! Ela foi planejada para coincidir com o Encontro de Horsemanship na UC, portanto com certeza nas próximas semanas teremos muitas novidades para compartilhar! E algumas belas fotos também, é claro…

 

Abraços,

 

Claudia

 

criado por leschonski    12:30 — Arquivado em: Sem categoria

06 06UTC set 06UTC PM

TOMORROW YOU CAN BE ANYWHERE

 

 (um post bastante pessoal…)

 

 

No  princípio da década de 90, eu ainda não sabia muito bem que rumo dar à minha vida – por exemplo, não tinha certeza de que ficaria no Brasil ou se preferiria viver na Europa. Trabalhando numa fazenda um tanto remota, antes dos tempos de celular e internet, foi uma época de pouco dinheiro e menos contato social – mas havia muitos cavalos, que faz com que eu me lembre daqueles anos como dentre os melhores da minha vida. Ao menos em retrospectiva, que é uma dessas características benignas de nossa memória, dita seletiva.

 

“E aí, vocês vêm ou vão ficar enrolando?”

- Vênus, Sete e Fayad a postos para mais um dia de trabalho.

Foto: Milena Fassina

 

Num dia de folga passado na cidade próxima, comprei uma calça de sarja em cuja etiqueta de papelão, destas grampeadas no bolso traseiro, havia um desenho “estilo anos 40” de um rapaz desembarcando de um avião a hélice, descolado de óculos de sol, jaqueta sobre os ombros, maleta na mão e supostamente usando a mesma calça. O slogan sob o desenho era o título deste post – “Amanhã você pode estar em qualquer lugar” (ou, “em toda parte”, como queiram). Era a frase que me impelia nos momentos de dúvida – fosse sobre a carreira, a vida em geral, ou simplesmente nos pequenos momentos do dia: aplicar este medicamento ou aquele? Este folículo vai romper hoje ou só amanhã? Esta distância é de três ou quatro lances? (Como se vê pelo teor das dúvidas, já começava a se delinear meu perfil, hoje confirmado, de veterinária equitadora.) Especialmente quando levantava o olhar na direção de um jato que passava longe, longe, tomava fôlego e me imbuía da certeza de que o melhor ainda estava por acontecer. A etiqueta estava colada na parede ao lado da máquina de escrever (sim, usávamos máquinas de escrever!!! Com papel!!!) e era para ela que erguia os olhos quando perdia a inspiração entre uma linha e outra dos textos e das cartas que escrevia. Veterinária-equitadora-escritora.

 

. neste período, também estreei minha máquina fotográfica nova, experimentando os recursos que ela oferece, como aqui no CCE do RC Mec de Pirassununga…

 

De lá para cá, saí do Brasil (mas sempre voltei) numa dezena de viagens internacionais – menos do que os grandes executivos, mais do que muita gente. Uma à Ásia, duas aos EUA, as demais à Europa. Apenas duas pagas do meu próprio bolso, as demais, de diversas maneiras, relacionadas ao fato de eu ser “uma pessoa do cavalo que fala outros idiomas”. Menciono isto para dizer a toda esta garotada que sonha com o grande mundo do cavalo que seus sonhos podem sim se tornar verdade. No entanto, é preciso que você se qualifique, se atualize sempre, e tenha capacitações secundárias além da sua “profissão principal”. E pode demorar um pouco mais de tempo do que você imaginava. Da minha perspectiva atual, os últimos vinte anos parecem ter passado num tirão só, mas se lá atrás me tivessem dito que iria demorar tudo isso, quem sabe eu teria desanimado.  - Ou, quem sabe, buscado um foco mais concentrado, trabalhado mais duro, para abreviar este tempo? E, ainda quem sabe, talvez esta dúvida seja uma das razões para este post – quem sabe graças a ele  algum  leitor chegue lá em dez anos apenas??

 

Ser profissional do cavalo no Brasil tem desafios únicos tanto quanto vantagens incomparáveis. Conseguimos montar ao  ar livre em todas as estações do ano; temos áreas vastas e mão-de-obra acessível; temos grandes criatórios das mais diversas raças. Tudo isto pode ser expresso como o outro lado da moeda: certo descaso com os detalhes que fazem diferença; pouca qualificação profissional dos trabalhadores da área; ênfase exagerada na quantidade, em detrimento da qualidade individual.  E com tudo isto, um dia decidi que seria aqui, neste país que eu me esforçaria para trabalhar com os cavalos e com as pessoas que os amam. E assim tem sido.

 

É um privilégio morar e montar no Manege Capela…

 

… e assim se passaram os dois últimos meses. Em princípio de julho, fui à Alemanha numa viagem muito bacana, e de tanto que queria escrever a respeito dela aqui no blog, acabei não escrevendo nada: não achava o tom, o ponto de onde começar. Depois fiquei escrevendo a respeito desta viagem, e das fotos nela produzidas, para a Paula. E começaram as aulas, houve provas da equitação de trabalho, um curso de delegado técnico de CCE, logo em seguida participei de um enduro em Pirassununga… e o blog foi ficando lá longe, coitadinho, esquecido para trás…

 

Apenas uma amostra das muitas fotos espetaculares que a Paula tirou na Alemanha, em julho. No futuro conto mais a respeito…

 

E estamos em setembro! Agora se aproximam o Encontro Internacional de Horsemanship na UC, o Congresso Mundial de Veterinários de Equinos, e mais viagens, mais cursos, mais competições a cavalo… e ainda não achei o tom que queria para escrever sobre minhas viagens de julho, e meus novos aprendizados, na vida a cavalo e na vida a pé, deste segundo semestre do ano, que também já anda pela metade…

 

Então resolvi que vou colocar este post no ar assim, agora, meio sem pé nem cabeça, para que o blog não feneça por decurso de prazo. E todas as idéias, os apontamentos que fiz, as fotos bacanas que tirei, vou colocando no ar pouco a pouco, sem muito critério. Espero que vocês gostem. E lembrem-se: amanhã poderei estar em qualquer lugar. E vocês também. De preferência, perto de cavalos.

 

………………..

 

 

  

And though you want them to last forever
You know they never will
And the goodbye makes the journey harder still

 

(livre citação de “Oh Very Young”, Cat Stevens)

 

 

criado por leschonski    23:34 — Arquivado em: Sem categoria
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