CAVALOS ENTUSIASMADOS

Textos, fotos e filosofanças de Claudia e amigos sobre o mundo dos cavalos, e os mundos aos quais o cavalo nos leva.

22 22UTC out 22UTC AM

CALENDÁRIO FOTOGRÁFICO 2009 - só cavalos!!!

 

Caros amigos,

 

antes de mais nada, preciso agradecer a leitura e os elogios que os Cavalos Entusiasmados e eu temos recebido de vocês a cada dia! Fico contente que o blog esteja servindo aos seus vários propósitos, e nossa intenção é continuar crescendo sempre.

 

Agora… nossos comerciais por favor… gostaria de lhes indicar uma sugestão de presente (por exemplo, de Natal), para vocês mesmos ou para algum amigo muito especial.

 

Nossa amiga Paula da Silva, fotógrafa de renome internacional, está lançando um calendário 2009 com belíssimas fotos de cavalos. É uma calendário de parede com 12 folhas, uma foto para cada mês do ano, e está sendo comercializado com exclusividade através da Universidade do Cavalo.

 

Para saber mais e para reservar o seu, acesse:

 

http://www.universidadedocavalo.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=18&Itemid=1

 

Sugiro que os interessados não percam tempo, pois apenas 50 exemplares deste calendário serão comercializados no Brasil, o que faz dele uma edição exclusivíssima!

 

Como vocês já puderam ver nas várias fotos da Paula que tenho inserido aqui no blog, a visão dela é única - com certeza este calendário de parede será uma fonte de beleza e inspiração em todos os dias do novo ano.

 

Abraços,

 

Claudia

criado por leschonski    10:37 — Arquivado em: Sem categoria

16 16UTC out 16UTC PM

ABRAÇO NO ASFALTO

Era uma manhã normal do tempo em que, uma vez por semana, eu saía de Itapetininga para trabalhar em São Paulo. Era o ano de 2004, pois meu carro era o Ka branco, novinho, e eu estava indo dar aula no centro hípico do Cláudio, em Itapecerica.

Ainda antes de São Roque, bem anterior ao ponto onde são comuns os retardos nas manhãs da Castello, o trânsito começou a engarrafar, melhor, a ficar lento. Centenas de carros seguíamos a quarenta por hora, tentando entender o que se passava: as faixas da direita andavam mais rápido, como se houvésse um acidente interrompendo a esquerda, mas aquilo continuou por quilômetros, sem melhora nem piora.

Lá pelas tantas, a faixa da direita acelerava mais, os carros e caminhões faziam fila para ultrapassar, e comecei a enxergar uma van da Viaoeste, um funcionário meio pendurado fora da janela, sinalizando aos motoristas que ultrapassassem rápido, rápido. Ultrapassei, mas devagar, e em um segundo registrei e compreendi a cena, naqueles vislumbres de clareza que às vezes temos. Ainda vejo a cor alazã do pêlo do potro, clarinho mas escurecido pelo suor, com pequenos cortes e esfolados nas pernas.

Pois era um potrinho alazão, de uns cinco meses talvez, galopando na reta interminável, ritmado porém perto da exaustão: olhos arregalados, narinas dilatadas, flancos e peitos escurecidos. Os casquinhos dele firmes no galope, buscando a saída, a manada, a mãe, que tinham que estar em algum lugar. À frente dele, quilômetros vazios de asfalto: os carros que ultrapassavam desapareciam rápidos. Atrás, três pistas mais os acostamentos, e a van o empurrando para frente, não o deixando parar. Os homens da Viaoeste estavam perplexos, e é verdade que sozinhos ali, com um único veículo, não tinham muito o que fazer – separar o potrinho dos veículos era preferível a provocar um acidente. Vai ver que esperavam que ele parasse, desviasse para o largo trecho de grama do canteiro central… ninguém lhes ensinara, pelo jeito, que um cavalo em modo de fuga pode correr até morrer.

Preciso confessar que minha genética européia, aliada aos meus primeiros anos de vida passados disciplinada por governantas, jardins-de-infância e professoras primárias germânicos, costuma ser forte: não devemos transgredir leis e regulamentos. A autoridade deve ser obedecida. Mas olhei o potrinho, sinalizei aos homens da van, e fui tocando para o acostamento à direita, acelerando até parar alguns metros à frente da van, do potro, do fluxo de tráfego. Mas havia calculado errado: lento demais, perto demais, e nem havia descido do carro para já ser ultrapassada pelos outros veículos. Tentei de novo, vim pelo acostamento em maior velocidade e por um trecho maior, até parar bem à frente dos outros.

Há esses momentos definidores, em que não pensamos, apenas agimos, aqueles que no cinema às vezes passam em câmera lenta. Acho que este recurso foi criado pois reproduz o modo de funcionamento do nosso cérebro nestes instantes; como quando caímos do cavalo, e a queda parece levar um minuto. Desci do carro e entrei na pista, todos aqueles carros vindo para cima, e levantei as mãos pedindo que diminuíssem, esperassem, nos dessem uma chance. Fui andando até entrar na trajetória do potrinho, e torci para que o pessoal da Viaoeste entendesse. Abri os braços como se quisesse abraçar o mundo – não apenas um potrinho – e respirei pausadamente, colocando no arredondado dos meus ombros, na calma de meus olhos, no sussuro de minha voz, toda a proteção de uma manada imaginária. Eu teria apenas uma chance.

A exaustão do potrinho ajudou. Ele me viu, começou a trotar, não parecia ter medo de mim, pelo contrário, talvez eu lhe parecesse a única coisa familiar naquele caos. Ele chegou perto, eu avancei, falava com ele, em um instante havia abarcado-o, um braço em volta do peito, o outro na garupa e agarrando a cauda, naquela contenção que os veterinários que já fizeram residência em haras praticam tanto. Sorte do potro ser pequeno.

Em um segundo, três ou quatro dos rapazes da Viaoeste estavam juntos de nós, cada um procurando um pedaço de cavalinho para segurar: as pernas, as orelhas, o pescoço…
- Bom dia, sou veterinária – cumprimentava eu. - Assim ó, desculpe, não segura ele pela perna nem puxa a cabeça. Deixa, está firme aqui…
Logo a van estava encostada à nossa frente, na área de carga uma profusão de caixas e ferramentas, mas o potrinho caberia. Ninguém reclamou quando assumi a liderança do procedimento (talvez era porque estivesse de culote, indo que estava para as aulas da manhã?) – levantamos o anterior do potro para a van, um dos rapazes e eu entrelaçamos nossos braços para empurrar a garupa, e o bichinho estava dentro. Expliquei a eles como contê-lo – não agarrem as pernas, que ele vai ficar com mais medo. Assim, um na garupa e outro no peito… não segurem ele com força enquanto ele estiver quietinho…

Eles agradeceram, bateram as portas, a van partiu. A base da Viaoeste não era longe, existia o caminhão dos “cowboys do asfalto”, cuja função é recolher e transportar animais na rodovia, os ferimentos do potro eram superficiais, tudo indicava que ele estava salvo. Mas seria resgatado pelo dono? Teria um dono? Veria de novo a sua mãe? Tudo isso eu nunca soube.

Atravessei a pista, e enquanto voltava ao meu carro, o tráfego retornava aos cento e vinte (cento e vinte e sete, dentro do limite concedido) de toda manhã. Pêlos no meu moleton, riscos de suor e uma pequena mancha de sangue de cavalo no meu culote. Nada havia acontecido, nunca mais eu esqueceria aqueles cinco minutos.

Sempre quis escrever sobre esta manhã, nunca o fiz, talvez porque fosse a um tempo uma história simples e complicada demais. Talvez porque achasse que eu pareço querer posar de super-heroína (Claudia erguendo a mão paralisa o tráfego, o potrinho ao vê-la corre para a segurança de seus braços), mas foi assim que aconteceu. Para mim, foi a manhã em que tive a oportunidade de fazer uma diferença, pequena que fosse, para melhor, e em que consegui honrar esta chance.

Abraços,
Claudia

 

Lucas e alguns de seus amigos…

FOTO: Paula da Silva

 

criado por leschonski    23:18 — Arquivado em: Sem categoria

15 15UTC out 15UTC PM

Prova de Salto no Festival do Cavalo de Esporte

Oi amigos,

 

enquanto não sai o próximo post, aproveito para divulgar uma prova de salto que acontecerá aqui em Sorocaba na semana que vem, e que está sendo organizado por alguns bons amigos meus.

 

Interesse, apoio e presença de todos os interessados no esporte, seja como público ou como participantes, é muito importante. Há anos, desde que não temos mais nossa regional da ABHIR em atividade, e depois com a extinção da APEHC, aqui na região temos tido falta de provas locais de salto. Destas simples de se inscrever, com poucas despesas envolvidas, e em que à tardinha a gente já está de novo em casa - ou seja, um belo programa de sábado.

 

Esta prova acontecerá dentro da programação do Festival do Cavalo de Esporte, que acontecerá no Marco Zero Eventos entre os dias 24 e 26 de outubro. Haverá também provas de atrelagem e de marcha, além de um leilão de cavalos bretões, e de exposições de morfologia de diversas raças.

Para maiores informações sobre o Festival, entrem em contato com André, em andre@vongold.com.br

Vênus numa prova-treino com nosso amigo Fernando Bastos, em março de ste ano

Para saber mais sobre a prova de salto, podem escrever para o Jorge, em  fazdotanque@ig.com.br .

 

Ela tem categorias de 0,60, 0,80 e 0,90 na equitação fundamental, e séries abertas de 1,00, 1,10 e 1,20, estas últimas com premiação em espécie.

 

Abraços,

 

Claudia

 

Zacarias mostrando categoria…

 

criado por leschonski    22:02 — Arquivado em: Sem categoria

04 04UTC out 04UTC PM

CAVALOS MALEÁVEIS!!! – POR DENTRO E POR FORA…

Oi amigos,

Hoje começo agradecendo à Tammy, amigona e leitora deste blog, que me presenteou com um livro o qual não tenho largado nos últimos dias: “Training the Modern Jumper”, da autoria de Elmar Pollmann-Schweckhorst. È uma tradução do original alemão de 2002, “Springpferde-Ausbildung heute”. Elmar (já que o sobrenome dele é pior que o meu, vamos abrasileirar logo e chamá-lo pelo primeiro nome, né) vem de uma família de cavaleiros, tendo sido ele mesmo competidor internacional de salto; no entanto, o cavaleiro mais famoso da família é seu irmão Alois, que participou da fase áurea da equipe de competição de Paul Schockemöhle, disputando no primeiro time do esporte internacional.

Toda essa introdução só para lhes dizer que o trecho traduzido a seguir não vem de algum idealista pouco conectado com a realidade, mas de gente que ganha seu pão de cada dia no esporte hípico internacional. Tanto mais entusiasmada fiquei eu ao constatar o quanto as idéias de Elmar são similares às minhas.

Mas antes do texto, vamos falar do termo que em alemão se chama “Losgelassenheit” e em inglês é denominado de “suppleness”, mas que não tem, a priori, tradução exata em português eqüestre. Este termo surge logo no começo da escala de treinamento da equitação clássica, e quando traduzimos a mesma para o português, utilizamos distensão, descontração ou às vezes relaxamento, no sentido positivo da palavra. Em inglês, “supple” diz-se do movimento elástico, atlético, elegante – ou seja, “livre de tensão”. Em alemão, “losgelassen” é também tudo que é solto, livre, amplo, sem coerção. Por extensão, todo o conceito está relacionado a equilíbrio. Para efeito desta tradução, creio que descontração é o termo mais abrangente, ainda que “maleabilidade” talvez fosse uma palavra mais exata.

Descontração interior

“Num cavalo saudável, a primeira atenção precisa ser focalizada em sua psique. Não existe descontração exterior sem descontração interior; esta começa com a confiança elementar no ser humano. Infelizmente, muitas vezes o manejo dos nossos cavalos de esporte considera muito mais os nossos objetivos do que as necessidades básicas daquele que originalmente é um animal de manada das estepes. Nervosismo, excesso de energia ou falta de concentração muitas vezes são sintomas de um manejo que não corresponde às necessidades naturais dos cavalos.

Nossos cavalos costumam sentir falta de:

• Contato social e visual com outros cavalos (evitar confinamento solitário)
• Exercício em liberdade (soltura em pastagem ou piquete)
• Exercício montado variado, longo e de baixa intensidade (fases de relaxamento, exteriores a passo)
• Manejo calmo e desestressado de cavaleiro e tratador (bom horsemanship)
• Alimentação individualizada
Pescoço baixo com dorso arqueado durante a maior parte do dia, posição que corresponde à apreensão de alimento na estepe

(Nota da Claudia: reparem no último ítem, muito pouco citado em outros textos deste tipo!)

“Um cavalo precisa ter a oportunidade de ser solto periodicamente, para pode desestressar-se. Um cavalo cujo único exercício acontece sob a sela, quando ele pode apenas se submeter ao cavaleiro, nunca chegará à descontração interior, apenas à exaustão.

 
“A descontração interior começa na cocheira. Especialmente naqueles cavalos de temperamento quente, os métodos de manejo e de exercício precisam se aproximar ao máximo das necessidades naturais do cavalo.”

- Elmar Pollmann-Schweckhorst, em ‘Training the Modern Jumper’ –

Leiam de novo o último parágrafo. Reflitam sobre como, em geral, o que acontece é o inverso – quanto mais quente o cavalo, mais artificializado passa a ser o seu manejo.

Realmente está na hora de repensarmos nossos conceitos…

E ainda sobre a “posição de pastejo”: ela é essencial para o desenvolvimento correto da musculatura dorso-lombar, de pescoço e de garupa, e portanto, dela depende a descontração externa e a habilidade atlética de nossos cavalos.

Para quem não fez isso, está mais do que na hora de aposentar as manjedouras elevadas. Lugar de feno é no chão. E além disto, criem piquetes, inventem padoques, soltem seus cavalos, algumas horas por dia ao menos. Além de tudo, a performance deles irá melhorar.

Abraços, boa semana,

Claudia

criado por leschonski    21:23 — Arquivado em: Sem categoria

01 01UTC out 01UTC AM

Conheça um blog diferente…

No link abaixo. Quem lê inglês, aproveita um tanto melhor; mas só pelas fotos também já vale a pena.

http://horseandphotos.wordpress.com/

Fotos e (a maioria dos) textos de autoria da nossa amiga Paula da Silva, que agora em novembro estará de novo no Brasil

Nele, volta e meia vocês encontrarão alguns textos meus, como este do post  "Close Your Eyes", mais recente.

Abraços,

Claudia

criado por leschonski    0:29 — Arquivado em: Sem categoria

26 26UTC set 26UTC AM

CURSO DE ETOLOGIA EQÜINA

Oi amigos,

para todos que querem entender melhor o comportamentos dos cavalos, passo a dica do "curso de etologia eqüina" que está sendo oferecido pelos meus colegas Cláudia Serra e Cristiano Menardo, Universidade Federal Rural, em Seropédica - RJ.

É uma iniciativa inédita no Brasil, onde a maioria das faculdades ainda focaliza os grandes animais sob o viés da "produção animal": até então, o estudo do comportamento (= etologia) era mais restrito aos pets, cães e gatos em particular.

Leiam abaixo, e para saber mais, acessem também o site do Projeto Potro, nos hotlinks ao lado, ou em www.projetopotro.com (sem br).

 

FOTO: Cláudia Serra e um de seus pupilos do Projeto Potro.

A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, através do curso de pós -graduação em Medicina Veterinária está oferecendo a Disciplina *Etologia Eqüina*.


As vagas sâo destinadas a alunos de Pós Gradução da UFRRJ e de outras Universidades. Alunos de graduação e interessados podem cursar a disciplina e ao final do período será emitido um certificado de CURSO de 30 horas pela pós graduação.

Início das aulas: 25/09/08

Para maiores informações: (21) 2682-1711 ramal 261
Falar com Regina.
  Ou, escrevam para projetopotro@gmail.com .

 

Abraços,

 

Claudia

P.S.: Semana que vem, conto a vocês como foi o enduro diluvial de Avaré, onde Vênus, eu e 60 outros conjuntos encaramos de frente chuva, raios, enxurradas, quase-granizo e temperaturas de dez graus…

Após 50 km de aguaceiro, Venus não perde o estilo…

(Foto: Paula Nascimento, Divulgação Endurance Brasil)

criado por leschonski    8:59 — Arquivado em: Sem categoria

12 12UTC set 12UTC PM

ENDURO DE 90 km – OU SERÃO 999??

Oi amigos,

O blog dos cavalos entusiasmados anda anêmico, né?? Peço desculpas, mas é por uma boa causa. Ando passando mais tempo à sela do que o habitual.

Depois da volta de Hong Kong, as duas primeiras semanas foram preenchidas pelos preparativos para o enduro de Pirassununga. Lá, a equipe do Manège Capela foi bastante bem, com um primeiro, um segundo, um quarto e um sexto lugar na categoria graduados master, aí somando tanto placas quanto batimentos; e as classificações da Vênus comigo nos graduados C (60 km), 2º. Lugar nas placas e 4º. nos batimentos. A freqüência cardíaca da égua teria bastado para o terceiro lugar (= troféu e pódio…), não fosse a falta de oxigenação dos neurônios da amazona, que conseguiu um total de seis pontos de penalização por chegar segundos adiantada (!!) em duas das três chegadas (!!!).

Masters premiados: Ricardo/Fayad, Romeu/Bárbaro, Cornelia/Sete de Ouros.

Seja como for, os resultados animaram a diretoria do Manège, e fui autorizada a inscrever-me com a Vênus (cujo nome oficial agora é Lovely Venus Rach) no Campeonato Paulista, finalmente fazendo nossas estréia nos… noventa quilômetros!! SIIMM!! Estou curiosa, pois desde 2006 já tenho ouvido de colegas enduristas que ela está pronta para o duas estrelas, mas a falta de regularidade de nossas participações sempre me fez hesitar antes de subir de turma.

Parceiras de trilha: Karin e Victoria ajudando a encurtar a distância. Dos 57 km, creio que as madamas (sob e sobre a sela) passaram uns 50 batendo papo…

Ou seja, desde o fim de agosto todo minuto livre (e uns tantos que a priori não seriam livres…) são dedicados à preparação para Avaré. Cheguei à conclusão (e esta é a razão do título deste post) de que para mim a prova de Avaré já começou há alguns dias, ou melhor, que apenas se eu transpuser obstáculos e entraves de todo tipo é que terei o privilégio de cruzar a linha de largada na madrugada do dia 20. Haja resistência.

1. O calor e a umidade relativa do ar (ou falta dela) têm castigado a todo mundo, e os enduristas em especial, pois as estradas, claro, estão duras como pedra. Hà alguns dias, levei a Vênus para uns 40 km lentos e calmos – e nem poderiam ser diferentes, pois o estradão entre Capela e Araçoiaba parecia asfalto, não terra, e o vento seco em plena hora do almoço parecia um braseiro nos pulmões da gente. A valente eguinha levou tudo na esportiva, e chegou inteira ao destino. Gelo nas patas, muita água por dentro e por fora, e ela estava zerada.

Nosso treino na UC: um pouco de intervalado, intercalando galope de trabalho…

2. O frete – desde os idos de 1995, em que fui inventar de integrar de fato a turma do CCE, o “frete para um  único cavalo” é coisa que me atormenta. Desta vez, eu tinha uma carona quase certa, que desabou ontem, por causa de um cavalo quase manco e outro com tosse. No momento, estou procurando alternativas, mas tá enrolado, pois outro fator preocupante é o …

… com só um pouquinho de galope de corrida, ambos entremeados com…

3. MORMO!! Há uma semana, nós paulistas não mais precisamos invejar a nordestinos, catarinenses e outros o status de terem tido em seu território, neste século XI, a temível doença eqüídea ancestral (e considerada “a bem dizer” erradicada dos paises desenvolvidos) – agora São Paulo já tem mormo! De sexta-feira passada para cá foi uma enxurrada de e-mails, boatos e avisos desencontrados, e provas sendo canceladas em toda parte. Já não teremos a ABHIR deste fim-de-semana, e a prova de Equitação de Trabalho (onde eu julgaria) foi transferida para daqui a duas semanas. Nâo basta que apenas dois laboratórios na Capital façam o exame (atestado negativo) que passa a ser essencial para a participação em provas e eventos; no momento, apenas quarenta veterinários de todo o estado (!!! Pensem bem nisso, QUARENTA!) estão autorizados a coletar sangue e encaminhar as requisições. Sem as quais, claro, não é emitido GTA. Este tem que ser feito no escritório regional da respectiva cidade, e na véspera da prova. No meu caso, por exemplo, isto significa que devo:

… alguns saltinhos, só pra manter os reflexos sempre em dia, e finalizando…

a. Contratar (e pagar, só lembrando que sou veterinária eu mesma) um veterinário habiitado para coletar o sangue e fazer a requisição, lá em Capela do Alto.
b. Levar o sangue ao laboratório na cidade de São Paulo.
c. Buscar o resultado do exame após 48 horas (ainda em Sampa).
d. Exames em punho (mormo e AIE), ir à SeAg de Sorocaba e solicitar a guia bancária para o GTA.
e. Ir à Nossa Caixa (só ela serve), ficar na fila (foram 40 min da última vez), e pagar a guia.
f. Voltar à SeAg e solicitar a emissão da GTA.

(Será que algum outro país do mundo tem algo parecido?? Provavelmente só aqueles onde o mormo ainda grassa…)

Ou seja, sorte minha que o picadeiro lá em Capela é iluminado, e não preciso montar no horário bancário nem naquele que corresponde ao expediente dos funcionários públicos…

… com um pouco de adestramento, condicionando tanto o "fisico" quanto o "mental".

4. PASSAPORTE – na verdade, este não é chega ser problema no momento, pois a Vênus e os demais cavalos do Manège têm os deles. Ainda que hoje em dia, ao que parece a principal função dos passaportes é servir como documento sanitário / registro das vacinas, já que na atualidade eles não mais substituem as notas fiscais. Mas que foi estranho, foi, todos os comunicados prévios referentes à prova de Avaré dizerem que não seria necessário passaporte, diretriz que foi oficialmente mudada há poucos dias, quando, é claro, passa a ser bem mais difícil emitir um passaporte em tempo hábil… Por sorte, haverá passaportes à venda na prova, já que o tema causou bastante polêmica entre os enduristas.

5. PATROCINADORES – já consegui dois patrocínios para esta prova, e desde já mando meus agradecimentos:

a. Lsboratório VETNIL – suplementos e nutracêuticos: www.vetnil.com
b. VETPHARMA, de Tatuí – medicamentos e equipamentos veterinários em geral. www.vetpharma.com.br

Agora vou batalhar o terceiro, da distribuidora de ração…

Aproveito para agradecer à Universidade do Cavalo (www.universidadedocavalo.com.br), cujo staff, encabeçado por Aluísio e Ana Paula Marins, sempre dá todo o apoio imaginável às nossas participações em concursos e eventos, cedendo-me desde pistas para treino a estagiários para trabalharem nas provas! :-) E claro, à turma do Manége Capela, sem a qual eu continuaria apenas sonhando com enduro!

Enfim, como todos vocês sabem, when the going gets tough, the tough get going. (Numa livre tradução, a rapadura é doce, mas não é mole!!) Agora só resta torcer para que o enduro de Avaré não caia - ou, o que para mim costuma ser pior, por causa da agenda apertada, seja transferido para outra data – por conta da malvada, malvada Burkholderia mallei. Que, claro, é o bichinho do mormo.

Um viva aos cavalos entusiasmados, e aos cavaleiros idem!!! Apesar de tudo e por isso mesmo. Espero vê-los em Avaré.

Abraços,

Claudia

criado por leschonski    18:45 — Arquivado em: Sem categoria

31 31UTC ago 31UTC PM

HONG KONG EM TEMPOS OLÍMPICOS: PEQUENOS RETRATOS

Olá amigos,

As semanas desde a volta de Hong Kong foram tomadas pelos preparativos que culminaram na boa participação do Manège Capela no enduro de Pirassununga. Quando eu tiver em mãos algumas fotos boas, conto mais sobre como foi. Enquanto isso, falemos um pouco mais sobre os jogos olímpicos eqüestres de Hong Kong.


Penfold Park: O Jockey Club de Sha Tin, cujas instalações foram ampliadas para receber a tropa olímpica.

Claro que agora a informação pública de tudo que aconteceu lá, em termos de esporte eqüestre, já está bem divulgada. Quero falar sobre os bastidores, tanto eqüestres quanto gerais.

Salvo uma e outra ida ao centro comercial de Sha Tin (o distrito do território onde estávamos), não tivemos tempo para passeios, excluindo é claro as idas e voltas a Beas River, região onde ficava o clube de campo onde aconteceu o cross do CCE. (Região que aliás se parece lá com os lados do Clube de Campo de SP, Represa de Guarapiranga, por aí – periferia com um monte de ferros-velhos desembocando em condomínios de classe média alta construídos “em meio à natureza”. Vegetação semelhante, até as valetonas na beira das rodovias com capim crescendo dentro.

Instalações permanentes (não-olímpicas) do clube de campo de Beas River. Estão enxergando o cavalo no segundo andar??

Por isso, não tenho conseguido responder muito bem à pergunta inevitável dos amigos, “como é a China”? Tenho no máximo pequenos instantâneos dela, quase todos derivados de meu contato com os chineses. Voluntários olímpicos em sua maioria, de várias classes sociais, desde o pessoal dos serviços gerais até aqueles graduados no Canadá ou na Inglaterra. Todos acabam correspondendo a um sorriso e boas maneiras, nem que possa demorar um pouco a princípio. Aprendi duas palavrinhas fundamentais de cantonês, chow san (bom dia) e to-tzie (obrigado), e fui aprimorando a arte de fazer kow-tow (reverência ou mesura). Claro que o refinamento me escapava, mas minha boa vontade ficava evidente. No shopping (entupido de gente), na escada rolante (transbordando de gente), esbarrei numa moça, que olhou para cima aterrorizada (bárbara loira de olhos azuis e 1,80 usando um uniforme olímpico). Tentei me desculpar fazendo uma pequena mesura, à qual ela retrucou quase baixando o tronco na horizontal. Aprendi também que a forma mais cortês é acompanhar a mesura levando-se as duas mãos juntas ao peito, o punho fechado dentro da outra mão aberta - aquilo que vemos nos filmes como uma saudação militar, mas que segundo meus amigos cantoneses é polidez utilizável em qualquer situação. Causava respeito  instantâneo quando usada, mas tinha que sê-lo com parcimônia para não virar lugar-comum.


Flagrante do cross  olímpico: um obstáculo construído para esta única competição, uma pedra de plástico posta ali para tampar um ponto de irrigação do gramado (o local era e após o CCE voltou a ser um campo de golfe, vide o "areião" ao fundo), uma operária no traje utilizado em geral para trabalhos braçais ao ar livre.

Falou-se muito também sobre os hábitos chineses, tanto culinários quanto higiênicos, a famosa história de cuspir no chão, etc. Minha mais viva experiência de quanto o pessoal deve ter sido treinado para causar a melhor impressão possível nos visitantes no quesito “higiene alimentar” foi o episódio do frango um pouco fora do prato. Estava eu na fila do bandejão, tendo escolhido um prato com meio franguinho grelhado, e já colocava as mãos na bandeja quando a coordenadora do grupo passou a maior bronca no atendente, apontando para a ponta do osso da coxa, que ultrapassava em uns 2 cm a beira do prato. Eu sorri e tentei explicar que não tinha problema; o atendente (enluvado e de máscara) tomou do pegador de salada para ajeitar o frango; a chefa deu mais bronca e mandou o prato completo (o frango, as verduras, o arroz indefectível) para o lixo, pediu-me muitas desculpas, e montou um novo prato. Fiquei meio boquiaberta, mas entendi que a mensagem era “higiene absoluta na manipulação de alimentos”.

Falemos um pouco de cavalos. Para os cavalos olímpicos em geral, nossos e demais (com a possível exceção daqueles pertencentes aos sheikes árabes??), a maior novidade talvez tenha sido a vida com ar condicionado, tanto nas baias quanto no picadeiro coberto. O que mais impressionou a mim (e me causou invejinha…) foi a qualidade do piso das arenas, macio e elástico sem afundar, quase como se fosse espuma sintética densa, e drenando  por aparente magia. No dia do tufão (que não houve, apenas uma série de pés de vento entremeados por chuvas torrenciais, porém breves), a pista que deveria estar encharcada secava (tipo, pegar a areia na mão e tê-la se esfarelando) em questão de meia hora. Imaginem um cavalo galopando a seu lado, aliás, dúzias de cavalos durante os treinos coletivos, com o único ruído importante sendo a música clássica ao fundo. Fiquei mal acostumada também com o piso de borracha onipresente – baias, duchas, corredores, paredes inclusive. Silêncio, tranqüilidade, conforto, para nós e para os cavalos.

Treino coletivo noturno, iluminado tanto pela tocha quanto pelo melhor sistema de holofotes (creio eu) de todos os tempos. Esta era visão da janela de meu alojamento, onde esta foto foi tirada.

De resto, um pouco de tietagem, que ninguém é de ferro. Tiramos uma foto com Mark Todd e puxei conversa com John Whitaker, perguntando se ele viria ao Brasil este ano. Dei bom dia para Mary King, troquei pins com Clayton Fredericks. Sorri para Paul Schockemöhle, supreendi Martin Plewa ao chamá-lo pelo nome, e tive o prazer de ser reconhecida pelo Dr. Leo Jeffcott, doze anos (!!!) depois de ter conversado com ele pela última vez.

Escudeiro com a nossa gerente de pavilhão, uma das mais carrancudas jovens chinesas que conheci. Mas lá pelo fim de nossa estada, ela nos contou que era amazona de CCE, tendo com seu cavalo importado da Nova Zelândia sido o primeiro conjunto em pista no evento-teste de 2007, e que em 2009 ela estaria indo para a Inglaterra, para treinar para representar HK nos jogos de 2012.

Abraços, até a próxima,

 

Claudia

P.S.: Reforçando o texto de hoje, poderia dizer que um fator importantíssimo para mantermos o entusiasmo de nossos cavalos atletas, e que em geral é sub-considerado em terras brasileiras, é a qualidade do piso. O que causa problemas em cavalos não é excesso de trabalho, porém trabalho em piso ruim (em geral duro demais, às vezes irregular demais, às vezes fundo/fofo demais). Tendemos a aceitar o “piso que aí está”, sem nos preocuparmos em melhorá-lo. Nem falo em condicionar a participação numa prova à qualidade do piso do mesmo (“vou dar forfait, o piso está ruim demais, não quero arriscar a saúde do cavalo”), como já vi cavaleiros de outros países fazerem em outras ocasiões. Pensem nisso.

criado por leschonski    21:56 — Arquivado em: Sem categoria

20 20UTC ago 20UTC AM

Nosso CCE em Hong Kong - primeiras impressões

Queridos amigos leitores,

Após quase três semanas fora do ar (ou melhor, a meio mundo de distância), volto à minha rotina brasileira de trabalho: cavalos a montar, aulas a dar, textos a escrever.

A experiência de participar durante duas semanas dos Jogos da China, na sub-sede de Hong Kong (Jockey Club de Sha Tin), onde aconteceram / estão acontecendo as três modalidades eqüestres, foi muito rica e dará assunto para muito causo e relato aqui no blog. Por um lado muitos de vocês devem estar curiosos, já que eu tinha prometido que tentaria mandar um diário “ao vivo” de Hong Kong, coisa que fui impossibilitada de fazer pelo estatuto que rege todos os integrantes das delegações olímpicas brasileiras. Por outro lado, a cobertura na mídia (especialmente TV e internet) foi bastante boa, e lá de Hong Kong fiquei supresa em ler e-mails de muitos amigos que afirmaram ter acompanhado o adestramento do CCE pela televisão. Isto me deixa numa posição confortável de poder relatar a vocês acontecimentos e impressões dos bastidores.

Para resultados oficiais e textos, há diversos bons sites, tais como:

Resultados em geral:
http://www.fei.org/OLYMPICS/RESULTS/2008RESULTS/Pages/default.aspx

Link para resultados individuais CCE:
http://www.equestrian2008.org/pdf/result/result_main_g6_no1.pdf

Equipes:
http://www.equestrian2008.org/pdf/result/result_main_g5_no1.pdf

Comentários sobre o cross:
http://www.thehorse.com/ViewArticle.aspx?ID=12493&nID=7&src=RA

Também existem blogs de chefes de equipe e atletas, a maioria em inglês. (Aprendi que da próxima vez vou pedir com antecedência para ser a blogueira oficial da equipe brasileira de CCE!) Um bastante interessante é o site oficial da equipe inglesa, escrito por Will Connell (chefe de equipe), em http://www.equestrianteamgbr.co.uk/news-detail.php?id=157.

Ingird Klimke / Abraxxas, da equipe alemã, durante o cross olímpico.

Hoje, para voltar a engrenar o blog, vou lhes mostrar algumas fotos interessantes e começar pelo final, aquilo que todo mundo quer saber e pergunta - mas afinal, como é a China? Como foi a experiência? E como foi, de verdade, o nosso CCE?

Da China não vi muito, pois trabalhamos o tempo todo sem folga, e no final seguimos direto ao aeroporto. Vi Hong Kong principalmente através dos olhos das pessoas nativas que conheci, que me impressionaram pela dedicação, disposição para o trabalho e também cordialidade e curiosidade em relação a nós. Não me importo muito com os clichês de antigamente – bárbaros ocidentais vs. oriente misterioso. Acho que neste século XXI, todo mundo está evoluindo o bastante para se dar conta que há mais coisas nos unindo do que nos separando. Claro, estar numa Olimpíada cercado de cavalos ajuda. Para deixar os locais felizes, fossem visitantes ou funcionários, era só convidá-los a chegar mais perto, ou até posar junto com o cavalo, quando eles timidamente tentavam tirar fotos uns dos outros parados alguns metros á frente dos cavalos olímpicos.

A foto que todo mundo tirou: Juliana, Laura e eu.

O clima foi quente e úmido como se esperava, imaginem uma mistura de Rio de Janeiro com Manaus. Aliás, quando chegamos do aeroporto e seguimos de bus shuttle para o Jockey de Sha Tin, minha primeira impressão foi esta – “cara, demos a volta ao mundo e voltamos ao RJ!!”  Mar batendo em montanhas cobertas por vegetação tropical, e muitos, muitos prédios espremidos entre ambos. Pontes, viadutos e ruelas estreitas. Ar quente e úmido, às vezes uma brisa para aliviar.

A instalação dos cavalos olímpicos:  tudo que se leu e ouviu por aí e mais. Todas as cocheiras com ar condicionado, todos os pisos e paredes emborrachados. Cada pavilhão com seu redondel particular, bem como “cocheira com chão de areia e paredes circulares”, específica para os cavalos rolarem (espojarem) após o trabalho. Máquinas de gelo em cada pavilhão, produzindo cubos sem parar, inteiramente grátis, o sonho de todo endurista!!! De fato, ao fim do dia as máquinas estavam vazias, pois a demanda era gigante. Picadeiro coberto com ar condicionado, só vendo o choque térmico pra crer! Mas era um alívio para cavalos e nós.

Belíssima a pista de grama que circundava a pista principal do Jockey, e na qual levávamos os cavalos para passear e pastar. Escudeiro do Rincão, meu protegido, afetuosamente apelidado de Gordo, elegeu este como o seu local favorito da Olimpíada inteira. Ele é o tipo de indivíduo que, quando entrevistado sobre toda esta história olímpica, provavelmente diria algo como:
- Escudeiro, verdade que você foi à Olimpíada?
- Ah, fui…
- E como foi por lá?
- Olha, a comida era boa…

O temperamento calmo e equilibrado de Escudeiro, mérito também de seu cavaleiro, Jefferson Sgnaolin (que o preparou desde potro de dois anos de idade) com certeza contribuiu muito para que ele concluísse a Olimpíada como um dos dois cavalos mais jovens de todo o CCE (nascido em 1999), na melhor nota brasileira de adestramento (55, merecia mais na opinião de observadores ingleses, australianos e outros que vieram falar com a gente, encantados pelas extensões de trote e mudanças quase-perfeitas), zero nos obstáculos do cross e uma falta boba no salto numa prova de resto brilhante. Escudeiro na verdade está sendo preparado para Londres 2012, e não tenho dúvidas de que ele tem muito a crescer em seu futuro “profissional”.

Escudeiro e Sgnao ambientando-se no picadeiro principal, alguns dias antes do início das competições.

Sim, encantei-me tanto pelo Escudeiro que nem me importava com o fato dele ser tordilho. Começávamos o dia com um rápido banho de remoção de manchas, facilitado pela ducha com água de temperatura regulável (exatamente como um chuveiro de gente), e dali para frente a água era um contínuo em nossas vidas – gelo nas pernas, duchas, chuva.

Ainda há muita coisa pra contar, mas por hoje vou resumir dizendo que nunca uma equipe de CCE brasileiro foi tão forte tecnicamente, independente dos resultados comparativos às outras equipes. Tivemos três zeros (sem penalidades de salto) no cross, um percurso com uma falta e outro com zero no salto, onde uns 60% do total dos concorrentes foram pior do que isso, e tivemos um cavaleiro disputando a final individual. Melhor ainda, muita gente (australianos, alemães, americanos, a turma do Rodrigo Pessoa, etc), veio comentar de nossos cavalos e nossos cavaleiros (qualidade e técnica), e ficou bem evidente que assim que melhorarmos ainda mais no adestramento, e isto for reconhecido pela comunidade internacional de juízes (= menos preconceito), passaremos a ser uma força considerável. Vale reforçar que nesta olimpíada nosso cross e nosso salto foram melhores que os das nações intermediárias, e equiparáveis àqueles dos favoritos.

De resto, só vou passar algum tempo sem comer arroz. Comida esquisita não tinha muito não, pelo menos onde estávamos comendo, onde eles se preocuparam em dar um ar ocidental às refeições. O mais estranho foi mingau de cogumelo com bolinho de nabo no café da manhã. (Escolhi esta opção depois de enjoar das outras três que comia em rodízio - a) panquecas com Karo, b) bacon, ovo e feijões (!!! Pior que nabo com cogumelos), e c) sucrilhos com banana.

A turma do refeitório e eu: quem é mesmo quem tem os olhos puxadinhos???

É isso. Duas semanas de trampo, risadas, muita emoção e momentos inesquecíveis. Nada se compara a ver “seu” cavalo e “seu” cavaleiro chegando inteiros de um cross quatro estrelas. A não ser talvez estar montando no dito cujo, mas acho que nesta encarnação não mais tenho ambições para tanto.

A Olimpíada ocupará este blog ao longo de várias mensagens, então não fiquem tristes, ainda tem muita coisa pra contar! Aguardo seus comentários!

Abraços,

Claudia

criado por leschonski    9:47 — Arquivado em: Sem categoria

06 06UTC ago 06UTC AM

RÁPIDO ALÔ DE HONG KONG

Meus caros,

como alguns de vocês já sabiam, estou em viagem desde o dia 29 de julho, acompanhando a delegação brasileira de Concurso Completo de Equitação durante os Jogos Olímpicos da China. As modalidades eqüestres acontecem em Hong Kong, iniciando pelo CCE a partir desta sexta-feira, dia 08.

Minha idéia inicial era fazer relatórios freqüentes desta viagem e compartilhá-los com vocês aqui no blog; no entanto, o Comitê Olímpico Brasileiro determina que os integrantes de nossas delegações não podem se dedicar a qualquer atividade que caracterize relatório ou reportagem dos jogos, o que inclui o envio de áudios, vídeos ou textos para sites de qualquer natureza.

Por isso, peço desculpas a todos aqueles a quem prometi ir mandando notícias via blog. As fotos estão sendo tiradas e o diário escrito, mas infelizmente não poderei mantê-los informados “ao vivo”. Lembrem-se de que existem muitos sites bons onde vocês podem acompanhar o dia-a-dia das nossas três equipes eqüestres, tais como:
http://www.equestrian2008.org e http://www.fei.org/olympics .
No Brasil, um excelente site é o http://www.porforadaspistas.com.br , e é claro, o da CBH, http://www.cbh-hipismo.com.br.

Enquanto isso, deixo vocês com uma foto tirada durante um passeio pelo centro comercial de Mong Kok.  Em cima, um dos mascotes olímpicos.
Abraços, torçam pela gente,

 

Claudia

P.S.: A previsão é que este blog retorne ao ritmo habitual a partir de 15.08.

criado por leschonski    4:22 — Arquivado em: Sem categoria
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